Desabafos GearHeads – Estamos vivendo a melhor época para dirigir. Será mesmo?

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A maioria da audiência deste blog provavelmente já leu algo parecido. Que temos não sei quantas opções de veículos nacionais, que as condições de pagamento estão cada vez melhores, que o preço dos carros condiz com o da inflação, que a internet facilitou a vida de quem precisa de peças para o seu veículo, e até mesmo para aproximar grupos que possuem o mesmo gosto automotivo (ou não, como é o caso do Amigos Gearheads).

Mas será que isso é mesmo tão verdade?

Parafraseando o apresentador Jeremy Clarkson (The Grand Tour estreia hoje!), no mundo real os quilômetros por litro realmente importam mais que os quilômetros por hora. Com autódromos correndo risco de serem fechados podemos perder até mesmo o nosso habitat natural, a pista. Sendo assim, não existirão muito lugares para acelerar como gostaríamos e a importância do velocímetro se resumirá aos radares espalhados pela cidade.

Radar.jpgPare! Isto parece um assalto!

Se tornou comum ler em comentários de avaliações de carros a pergunta “mas qual carro no Brasil não é caro?”. Será que devemos nos conformar com isso? Sério, esse comentário consegue ser mais pessimista do que esse texto que vos escrevo. Para quem ainda compra carro 0km, por que não procurar por opções com preços mais justos? Veja o caso do Civic Touring: um carro de excelente motorização, mas que pede 125 mil reais por isso. Não seria melhor pensar num Citröen C4 Lounge THP? É um carro bastante honesto e que entrega bastante já na versão Tendance (de 85 mil) e chega nos 96 mil na versão mais completa.

Ok, talvez o Citröen tenha uma desvalorização maior por ser um carro francês (e até mesmo esse pensamento já é uma forma muito pragmática de se pensar em carro). Se este for o caso, por que não um Cruze? O LTZ, que já é bem completo, sai por 100 mil.

meu-deusSua reação ao ver que eu te indiquei um Citröen 0km.

Os três veículos citados aqui acabam sendo semelhantes em sua proposta. Mas como gosto é que nem braço, cada um tem o seu e tem gente que não tem e o seu dinheiro não meu, continue comprando carros por valores inflacionados apenas por causa da marca. Mas não reclame do preço dos nacionais.

E se tratando de opções, voltaremos ao caso do Civic Touring, um carro que é vendido apenas nas cores preto uber, branco táxi e prata que-desvaloriza-menos. Sério? Só existem essas três cores? Onde moro existe um Corolla verde, e sempre que vejo ainda crio uma certa esperança de que ainda podemos ter uma paleta de cores mais variada no futuro.

corolla-verdeA beleza da cor é questionável, mas não é um belo ponto fora da curva?

As duas reduções no preço dos combustíveis, noticiadas recentemente, sequer chegaram ao consumidor final, culpa do preço do etanol que é adicionado nesses combustíveis ou ao menos é que querem que nós pensemos. Se isso não é motivo para me deixar cada vez mais cético, não sei mais o que dizer.

Porém, mesmo com tudo isso, não deixaremos de gostar do automobilismo, de pensar de forma gearhead e, principalmente, nós, amantes da velocidade, não deixaremos de existir como comunidade. Apesar de tudo, enquanto existir companheirismo existirá paixão pelo automobilismo.

true-legendsNão é o melhor símbolo de companheirismo que eu encontrei, mas essa foto é muito f#@* e por isso ela merece estar aqui.

Chego à conclusão que não estamos na melhor época para dirigir, mas sim na melhor época para interagir sobre carro, para formar encontros de diversas tribos automotivas e para aumentar cada vez mais o nosso vício petrolhead.

Tribos.jpgQue mais encontros interclubes aconteçam por todo o país!