A franquia Need for Speed – Parte 1

O ano era 1993. Todos estavam eufóricos com o lançamento do 3DO Interactive Multiplayer, o videogame que iniciou uma nova geração de consoles. A 5ª geração, que consagrou a Sony no mercado dos jogos com o primeiro Playstation, foi um grande salto se comparado com a anterior. Todos estavam estarrecidos com as novas possibilidades que os gráficos poligonais poderiam trazer (e trouxeram) para o mercado dos games.

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O pioneiro 3DO surgiu de uma empreitada entre 11 empresas para criar um videogame “global”, com especificações padronizadas mesmo em modelos de diferentes fabricantes.

E foi justamente no 3DO, em 1994, que a Electronic Arts apresentou ao mundo o que viria a ser a franquia de jogos de corrida mais conhecida de todos os tempos, mesmo nos seus tempos mais obscuros (falaremos disso em outra ocasião): Need for Speed. Se você, assim como eu, nasceu nos anos 90, provavelmente começou a gostar de carros por causa dos videogames. E Need for Speed pode ter sido o grande responsável.

Nesta série de posts falaremos sobre toda a franquia, incluindo os jogos da linhagem principal, os spin-offs, as versões para os portáteis e até mesmo o filme que foi lançado em 2014. E como de costume, começaremos pelo começo.

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A capa do jogo, em sua versão para 3DO.

Road & Track Presents: The Need for Speed foi o fruto de uma parceria entre a revista de automóveis americana chamada “Road & Track” (obviamente), com a Electronic Arts para criar um jogo único, totalmente focado no aspecto da simulação da corrida (coisa que foi se perdendo nos jogos posteriores). A expertise em jogos da Electronic Arts se aliou a Road & Track para que, através de testes práticos, o comportamento dos carros fosse reproduzido com a maior fidelidade possível no jogo, se tratando de desempenho, dinâmica e até mesmo o ronco do motor. Além disso, existem vídeos e fotos sobre os veículos do jogo, milagres trazidos com a era do CD-ROM sendo adotado em massa até mesmo nos videogames.

Vale lembrar que o primeiro jogo de corrida da EA foi lançado em 1985. Em Racing Destruction Set você já podia escolher o modelo de carro, o tamanho do motor e até o tipo de pneu!

The Need for Speed trazia gráficos com uma profundidade bem maior que os concorrentes. Os cenários e os carros eram modelados em 3D enquanto que o painel do veículo era uma imagem em 2D, o que é completamente datado, mas que na época era um diferencial espetacular, principalmente pelo nível de detalhes.

A versão para PC e PS1 permitia a visão fora do cockpit.

O jogo também consagrou o uso de marcas licenciadas, que seria seguido pela série posteriormente. São 8 carros disponíveis, sonhos de consumo de qualquer adolescente dos anos 90:

  • Acura NSX
  • Chevrolet Corvette C4 ZR-1
  • Dodge Viper RT/10 8.0
  • Ferrari 512TR
  • Lamborghini Diablo VT
  • Mazda RX-7 FD3S
  • Porsche 911 993 Carrera Coupe
  • Toyota Supra 2JZ-GTE

A lista talvez não impressione pela quantidade, mas se tratava de pioneirismo. O jogo trazia uma ficha técnica completa do carro junto de um vídeo mostrando o shakedown do veículo. Além disso, todos os roncos eram diferenciados e próximos dos motores originais (e a gente pode dar um desconto nessa área devida as limitações técnicas da época).

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O que havia de melhor em 1995 para o PS1.

Todo o HUD se concentra numa barra superior, onde há velocidade, marcha engatada, número de voltas e mais alguns detalhes. Há um bip irritante que varia com a proximidade dos carros da polícia (aspecto que retornou diversas vezes na franquia) e a viatura ficava marcada no mapa como um ponto vermelho e azul.

A versão para Playstation 1, provavelmente a mais conhecida, era levemente diferente.

O jogo possui 6 pistas, City, Coastal, Alpine, Rusty Springs, Autumn Valley e Vertigo. As três últimas são circuitos fechados, logo não há policiamento. Ainda existe uma pista secreta chamada Lost Vegas, que você desbloqueia ao vencer todas as corridas no modo torneio. O Need For Speed Special Edition ainda trouxe mais duas pistas: “Transtropolis” e “Burnt Sienna”. Esta versão só foi lançada para PC.

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Windows 95: Você está ficando velho.

Com uma trilha sonora predominantemente techno, boa jogabilidade e diferenciais pontuais em relação à concorrência, The Need for Speed foi um sucesso de vendas e crítica. A EA parecia ter achado a galinha dos ovos de ouro e é lógico que eles não perderiam a oportunidade para lançar uma sequência. Ainda assim, a empresa soube aproveitar e lançou diversas versões do primeiro game (e você pensando que a EA aprendeu a fazer dinheiro só com as DLC’s…) no mercado japonês (lá a franquia se chamava Over Drivin’).

Na continuação desta série, falaremos do Need for Speed II, que já abandonara a parceria com a Road & Track, tornou o nome da franquia mais sólido e ainda foi se distanciando um pouco da premissa original de simulação.