High 5 – Os 5 melhores carros com motores de origem na F1

Gostando ou não, a Fórmula 1 é a categoria que dita tendências na indústria automotiva. É ela o maior e mais bem preparado laboratório para testes de tecnologias que estarão nos nossos carros daqui há alguns anos. Mas por que os motores da F1 são tão raros no mercado?

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“Isso” atinge 40% de eficiência energética enquanto que o seu carro não chega nos 25%.

Existem uma série de fatores que impedem esportivos com um motor da elite do automobilismo pura e simplesmente. Eles utilizam materiais nobres, trabalham sob regime de arrefecimento bastante específico e possuem marcha lenta em torno dos 5.000 rpm, coisas que seriam tecnicamente inviáveis para um carro de uso diário. E é por isso que os poucos carros “de rua” que utilizam motores de competição são séries especiais resumidas a uma unidade, como a Renault Espace F1 ou o Alfa Romeo 164 Procar.

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Desculpa, mas você está banida desta lista.

Só que as vezes todos os planetas se alinham e alguma fabricante chega na concorrência com os dois pés do peito, trazendo algo totalmente diferente. Hoje, no primeiro High Five do AGH, mostraremos os 5 melhores carros com motores que possuem alguma origem ou inspiração na F1.

Porsche Carrera GT 

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Coloque uns leds aqui e ali… Permanecerá atual. Aliás, nem precisa.

O Porsche Carrera GT é um dos carros mais icônicos dos anos 2000. Seja pela sua traseira com o motor exposto, o ronco anasalado produzido pelo V10 ou até mesmo por ser um Porsche com um V10 central traseiro. O Carrera GT fez parte da holy trinity da década passada (ao lado de Mercedes SLR McLaren e Ferrari Enzo, lembram?) e prova que um SUV pode fazer muito bem aos GearHeads. SUV? Como assim?

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O salvador da pátria

O motor V10 5.7 (que na verdade era um 5.5) que equipa o Carrera GT foi projetado inicialmente para ser usado na equipe Footwork de F-1, em 1992. Essa empreitada não foi para frente e em 1999 esse mesmo motor tinha previsão de ser utilizado num protótipo nas 24 Horas de Le Mans que substituiria o 911 GT1. Tudo parecia ir bem durante o desenvolvimento do motor, até que os prejuízos da Porsche aliado com a criação do Cayenne simplesmente abortaram o projeto. Felizmente, valeu a pena: Após o sucesso do SUV, a Porsche tinha dinheiro em caixa para fazer o que quiser com seu belo motor. E fizeram um excelente trabalho.

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Uma verdadeira obra de arte

O V10 naturalmente aspirado e todo fabricado em alumínio (com corte de giro em 8.400 rpm) produz 612 cv a 8.000 rpm e 60,1 kgfm a 5.750 rpm. O câmbio é manual (yeah!) de seis marchas com embreagem de cerâmica.

Vale salientar que este V10 não guarda qualquer semelhança com um outro V10 bem conhecido no grupo VW, o que equipa Audi R8, Lamborghini Huracán e que equipou o Lamborghini Gallardo. O V10 VAG possui diâmetro x curso de 82,5mm x 92,8mm enquanto que o Porsche possui 98,04 x 75,95 mm.

Lexus LF-A

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Desafio: Bolar uma legenda para esta foto que seja tão foda quanto o carro

A Toyota tem uma grande história no automobilismo, seja na terra ou no asfalto. E entre 2002 e 2009 ela teve uma equipe de fábrica na F1. Até 2005 ela utilizava um V10, o RVX-05, e a partir daí entramos na era dos V8. Só que seria um belo de um desperdício se esse motor caísse no esquecimento, não acham?

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O que esse carro tem de especial, tem de especial (proposital)

A ideia era fazer um halo car. Que demonstrasse todo o potencial dos japoneses na criação de um esportivo. Qual motor utilizar? Os engenheiros da Lexus optaram por um motor V10 pois ele consegue girar mais que um V8 de mesma litragem e ainda tem menos massa reciprocante que um V12. E eles já tinha um V10, precisaram de adaptações.

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Parece que o V10 é unanimidade aqui

500 unidades do Lexus LF-A foram produzidas entre 2010 e 2012. Neste meio tempo, o carro se tornou a principal atração da marca (pra quem não sabe, a Lexus é a divisão de luxo da Toyota). O motor possui 4.8 litros, despeja 560 cv e 48,9 kgfm, tem 72º entre as bancadas de cilindros, pistões de alumínio forjado, bielas e válvulas de titânio (!), corte de giro aos 9.000 rpm e um ronco animal. A Yamaha fabricou os coletores de escapamento do carro, que garantiu o ronco vindo do V10. O carro vai de 0 a 100 km/h em 3,6 segundos e segue acelerando até os 325 km/h.

Não há como não entrar em êxtase com o som deste carro

Se durante os 7 anos na competição a equipe conseguiu apenas 3 poles, com o LF-A a Toyota entrou para a história com um dos carros mais emblemáticos já criados pelos japoneses.

Ferrari F50

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Ela ou a F40?

Se a F40 é considerada a Ferrari definitiva, sua sucessora pode ser chamada de a Ferrari mais controversa. O visual da F50, totalmente inspirado nos anos 90, não foi bem aceito na época e talvez não tenha envelhecido tão bem quanto as formas mais retilíneas da sua antecessora.

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O charme fica por conta da grelha entre as lanternas (e isso não foi nenhuma piada envolvendo pirotecnia)

O V12 de 4.7 litros é derivado do Tipo 036/037 da Ferrari 641 (aquela que Alain Prost correu em 1990). Os números são de 520 cv e 47,9 kgfm de torque, capazes de levar a macchina italiana de 0 a 100 km/h em 3,7 segundos, números que permanecem extremamente atuais.

E tem quem use como daily driver!

O motor gira até 8.500 rpm e possui um ronco matador. E se de visual ela não convence todo mundo, ao menos no ronco ela sempre será lembrada como uma das melhores Ferraris de todos os tempos.

BMW M3 E30

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O da direita ou o da esquerda?

BMW M3? Usando motor de Fórmula 1? 4 cilindros? Calma, eu já explico a ligação.

Na década de 1970 o lendário Paul Rosche, engenheiro da BMW, projetou o BMW M10, um 4 cilindros sempre acompanhado de duplo comando no cabeçote e que variava de 1,5 a 2 litros. O M10 (que parece nome de algum modelo na BMW, mas por enquanto não existe nenhuma Série 10) equipava todos os modelos da Neue Klasse, aqueles carros da BMW que redefiniram a imagem da marca. Este motor serviu como base para o motor M31 que, em 1974, foi utilizado no BMW 2002 Turbo, o primeiro carro equipado com um turbocompressor fabricado em série.

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Este é o S14, do M3 E30

Em paralelo com este desenvolvimento, a Brabham precisava de um motor mais moderno para substituir os já cansados V8 DFV. Desta maneira, tomando como base o M10 de 1,5 litro, o engenheiro utilizou um cabeçote de 4 válvulas por cilindro, um turbocompressor ainda maior e um sistema de injeção eletrônica completamente analógico. Com isso, em 1982, chegamos em um 4 cilindros na Fórmula 1 com cerca de 600 cv durante as corridas. Este motor ficou conhecido como M12/13. É o bizavô dos APzão treskilimei! Tivemos o mais potente motor da história da F1, chegando a 1.420 cv nos treinos e o resto é história.

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Este é o M12/13, da F1
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O lendário M1 Procar

Chegando nos finalmentes, o bloco do M10 (que serviu de base para o M12/13) é o mesmo do S14, que foi usado no M3 E30. Este S14 por sua vez tinha cabeçote baseado no M88, que era usado no icônico M1, nada mais nada menos do que o carro da BMW ProCar, um campeonato monomarca que serviu de base para a F1. Captaram a ligação?

Ferrari LaFerrari

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Azul, só para causar a discórdia

Todos nós conhecemos a representante italiana da atual holy trinity dos hipercarros. Mas de onde vem o parentesco com a F1 no motor? Para se encaixar nesta lista, tivemos que buscar uma brecha no regulamento e já chegaremos lá.

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Com 1.585 kg e um motor de 6.2 litros, 800 cv a 9.250 rpm e 71,3 kgfm a 6.750 rpm, a LaFerrari é a única dos hypercars que ainda usa o todo poderoso V12. O F140FE tem construção em alumínio, é derivado do V8 da Ferrari/Maserati e está em seu ápice aliado à tecnologia híbrida da Ferrari. E é aqui que encontramos a semelhança.

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O V12, o aparato eletrônico e o sistema de recuperação de energia

Ao contrário de Porsche 918 e McLaren P1, a LaFerrari não pode andar apenas com o motor elétrico, porque ele trabalha em conjunto com o V12 como um KERS. KERS é uma tecnologia (que surgiu adivinha em qual categoria?) de recuperação de energia elétrica através da energia térmica dissipada pelos freios quando estes atuam no carro. E o post se chama “Os 5 melhores carros com motores de origem na F1”, não “Os 5 melhores carros com motores à combustão de origem na F1”. Sacaram? Trollei