Precisão nas mãos

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Sim, é uma Gallardo Superleggera, porém não estava aberta a visitação, pouquíssimas pessoas entraram no carro, Wagnão foi uma delas

Este é Wagner, deficiente visual, pianista e um gearhead com sentidos aguçados, um tato formidável e uma audição de dar inveja, do nível que descobre não só o layout do motor mas diversas vezes sabe qual o modelo do carro, façanha demonstrada diversas vezes ao longo dos encontros AGH.

Encontrei ele cedo no último dia do Salão do Automóvel 2016. Estava logo na abertura dos portões em frente a bilheteria e gostaria de agradecer a funcionária que não soube do nome mas que foi muito prestativa e nos ajudou durante a compra do ingresso e locomoção até a entrada do evento. Fomos direto ao estande da Fiat e rolou até foto e filmagem com ele pela equipe contratada pela montadora para cobrir o evento. É bacana ver o lado humano do salão, não só as modelos quase robóticas e pessoas que vão basicamente para tirar fotos e mal apreciam os carros. Assim que adentramos o estande, fomos até alguns motores expostos e ele sentiu o motor Firefly, cada peça, onde boa parte ele adivinhou, algo impressionante visto que raramente se há acesso a blocos fora do cofre e ainda mais com os adereços usados para fixação e manter o virabrequim girando.

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Pode falar, se não fosse o ambiente do salão, facilmente daria para dizer que ele é o proprietário desses monstros

Wagnão – como foi carinhosamente apelidado primeiramente por mim e mais tarde novamente pelo Eduardo Bernasconi da Revista FullPower – assim que entrou no primeiro carro, um 500 Abarth começou a sentir o volante, sentido as formas com a ponta dos dedos, passou a mão pelo painel, console, o câmbio que sai do console, característico do modelo, portas, cada detalhe a seu alcance foi cuidadosamente examinado. Foi com suas mãos que ele cuidadosamente viu o carro, seu interior, seu design externo, rodas, pneus. De forma minuciosa, como um artesão que em carros artesanais confere os detalhes para garantir a perfeição, ele sentiu cada forma que o carro apresentava, incluindo os motores dos que estavam disponíveis, reconhecendo diversos componentes apenas pelo toque, nos que estavam dentro do cofre e também nos novos motores Firefly da Fiat e SCE da Renault que se encontravam expostos para os visitantes do Salão observarem.

Após os primeiros estandes, foi a vez do Hellcat, os quase 40 minutos na fila valeram a pena, o carro de visual matador impressona qualquer um. A ansiedade quase tomou conta de nós, mas o curto momento curtindo o carro com tranquilidade graças a fila foi essencial na hora de criar a experiência do primeiro carro premium em que entramos. Após ele seguimos a jornada pulando de estande em estande, entrando em cada carro que estava aberto, as avaliações não estarão nesse post até porque lá estavam cerca de 200 ou mais carros, o que tornaria o post num livro sobre avaliações de carros e não é essa a intenção!

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Entre estandes das marcas de nicho e premium e em alguns carros conceito ficou evidente como é tamanha a destreza em seu tato, materiais dos mais diversos tipos, encaixes, costuras, nada passava despercebido. Até brincamos com o plástico espumado texturizado que preenche quase que unanimemente os carros produzidos nacionalmente, onde nem a série 4 da BMW escapou do famigerado material.

O amplo conhecimento de diferentes materiais presentes na construção dos carros foi surpreendente, desde o plástico espumado até couro, alcântara, metais em detalhes ao longo do carro e rolou até o primeiro contato com a fibra de carbono. O 208 GT “Pyrit” foi um dos carros que mais lhe deram trabalho, no exterior, as diferentes texturas por conta do envelopamento fosco e brilhoso chamou a atenção de Wagner, mas foi a imensidão de materiais no interior do carro que prendeu sua atenção por algum tempo.

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Passamos também boa parte do fim de nossa visita no estande da Fullpower, onde fomos super bem recebidos e gostaria de agradecer ao Edu e Cereijo, também ao William e Cadu do Amigos por Carros, Thiago Bortoto da Drift GoBlue e ao ADG da High Torque. Estes que tomaram parte de seu tempo para nos atender. São figuras públicas que tomaram parte do tempo para conversar com nós e todos foram muito atenciosos. Onde até mesmo o ADG junto com o Edu prometeram levar o Wagner para andar em Interlagos e o Bortoto disse que em algum evento em que encontremos ele, estamos convidados para dar uma volta de lado em seu Zetto de drift.

Ao fim do dia, por volta de uma hora antes do encerramento, começou o caos, diversos carros foram ligados e se instaurou uma competição de qual era o ronco mais bonito, dos comuns quatro em linha até os poderosos motores em V e boxers, cada um com seu ronco característico e todos muito belos, embora diferentes. Tamanha era a alegria nos presentes, o 350Z Veilside cuspindo fogo, Charger com Supercharger (Dodgeception?), Sandero RiSos nitrado, como estávamos ainda no estande da Fullpower, ficou difícil ver todos que estavam ligados buzinando e acelerando, mas a sinfonia do Ciclo Otto se mostrou marcante e provou como é lindo ser gearhead.

(Alguns dos vídeos e fotos do evento se encontram no nosso instagram, é só ir lá conferir e não se esqueçam de nos seguir também na página do facebook).

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Reparem na felicidade impagável em seu rosto. Uma memória para a vida

Na volta do Salão, paramos numa famosa rede de Fast Food árabe e depois de mais de 8 horas juntos, tivemos a primeira chance de relaxar e comer algo pela primeira vez durante o dia, claro que não pode faltar a bebida preferida do Wagner. Um brinde a todos os gearheads!

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