High 5 – 5 tecnologias que se perderam no tempo

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Rodas de madeira já foram o ápice da tecnologia

O tempo voa, não é verdade? Primeiro, os motores eram carburados. Depois, surgiu a injeção mecânica. Por fim, a injeção eletrônica se manteve como a tecnologia de ponta (depois de passar pela injeção monoponto, multiponto e agora, diretamente na câmara de combustão). A evolução é implacável e necessária para alcançar maior eficiência e produtos com maior qualidade. Hoje, abordaremos 5 tecnologias que se perderam no tempo, seja pela dificuldade de mantê-las ou por elas estarem a tempo demais no mercado.

Suspensão Hidropneumática Citroën

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Não podíamos perder a piada

Sinônimo de conforto e parte integrante da história da Citroën, a suspensão que automaticamente se nivela de acordo com o terreno transpassado foi descontinuada em 2015. A CEO da empresa francesa, Linda Jackson, afirmou que a tecnologia era “antiga demais” mas, apesar disso, alguns Rolls-Royce continuam utilizando a suspensão sob licença em seus modelos mais requintados.

A suspensão estava em sua terceira geração, Hydractive 3, possuindo três modos de condução que alternavam a altura do veículo durante a rodagem, além de outras inovações, como o uso de fluído sintético em troca do fluído mineral.

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O Fit de primeira geração e suas 8 velas nas versões LX e LXL

Nos motores de ciclo Otto a vela de ignição é imprescindível para a… ignição. A faísca da vela é o primeiro de três itens para a combustão (os outros dois são o combustível e o comburente). Em busca de uma maior eficiência de combustível e uma menor emissão de poluentes, por que não aumentar a faísca e, consequentemente, melhorar a queima? Pois saiba que já fizeram isso utilizando o dobro de velas por cilindro.

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O motor Alfa Romeo Twin Spark

O mais conhecido dos motores com duas velas em cada câmara é o i-DSI do primeiro Honda Fit 1.4 (que na verdade era 1,35 litro), mas ele nem de longe é o único. A Alfa Romeo foi a pioneira nesta tecnologia em 1914 no Grand Prix (é o nome de um carro, não da competição), mas só na década de 80 que o nome Twin Spark ficou conhecido nos carros de rua da marca, começando pelo 164. Além da Alfa e da Honda, o V6 M-112 da Mercedes tem 12 velas, as primeiras Ford Ranger utilizam 8 velas num quatro cilindros, além de outros casos da indústria automobilística.

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Velas Iridium, mais modernas e com maior eficiência

Os amplificadores de centelha, as velas com tecnologia Iridium, os cabos de menor resistência, as bobinas individuais e até mesmo ciclos mais modernos, como o ciclo Atkinson, dispensaram o uso de duas velas por cilindro nos automóveis de rua. Por medida de segurança, os motores aeronáuticos de pistão utilizam as duas velas por cilindro.

Banho de ácido para alívio de peso

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Radical é pouco

A histórica Trans-Am, categoria americana que teve seu auge entre 66 e 72, mostrou ao mundo a melhor maneira de vender carros: Vença no domingo, venda na segunda. Esta filosofia de nada adiantaria se os carros de corrida fossem bolhas inspiradas nos carros reais, e é justamente aí que a competição se justifica. Os carros usavam carrocerias de aço e não podiam usar peças em fibra de vidro para aliviar o peso. Com isto, algumas equipes foram um pouco mais radicais do que imaginamos.

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Uma lenda dos pesos pena

O ácido clorídrico, que é um ácido bastante forte, realizava a fresagem química (também conhecida como acid dipping) do monobloco. O que seria utilizado apenas para limpar, foi corroendo o metal tornando-o mais fino e leve. O grande ponto fraco fica por conta da rigidez estrutural, devido as peças estarem enfraquecidas e totalmente irregulares. O carro mais conhecido por esta técnica é o Camaro Sunoco da equipe de Roger Penske, que perdeu cerca de 115 kg (!) só com o banho ácido.

Injeção Mecânica

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8 cilindros em linha e injeção direta num verdadeiro monstro nos anos 50

Um dos sistemas mais conhecidos e pioneiros de injeção mecânica está no Mercedes Benz 300SL, o primeiro esportivo que dispensava o carburador. Originado nas pistas, o sistema utilizava uma bomba movida pelo virabrequim e os bicos injetores (que na verdade são válvulas e nós sempre falamos errado) eram alocados nos furos das câmaras de combustão onde originalmente ficavam as velas, que foram movidas para o cabeçote.

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O V8 do Corvette C1

A última evolução da injeção mecânica foi no Corvette V8 de primeira geração, que adicionou um dosador ar/combustível, alterando a quantidade de gasolina injetada no motor de acordo com a necessidade. Apesar dessa evolução, ele regrediu em relação à Mercedes: as válvulas injetoras eram inseridas no coletor de admissão, como foi por um bom tempo nos carros de produção.

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O símbolo que faz você tremer na base

A expansão da injeção mecânica nos automóveis teve vida curta, começando nos anos 50 e terminando nos anos 60 com a explosão dos transistores e miniaturização de componentes eletrônicos, dando luz verde para a injeção eletrônica.

Rodas de magnésio

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Clássicos da indústria nacional

Rodas mais leves reduzem a inércia da massa não-suspensa do carro, diminuindo o esforço do conjunto motriz para levar a potência do motor para o chão (imagine você com sapatos de 5 kg cada, você certamente andaria mais rápido se estivesse com chinelos, correto?). Buscando mais desempenho as rodas de magnésio fizeram parte da cena GearHead nacional dos anos 80 e 90, com a premissa de serem mais leves e atraentes que as rodas de ferro ou até mesmo as de fábrica da época.

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As Minilites (conhecidas aqui como “mexirica”) são de magnésio

Com o exaustivo investimento em rodas forjadas e a pouca confiabilidade do magnésio (que é altamente inflamável e corrosível), as rodas deste material foram sumindo das prateleiras aos poucos. O último esportivo a usar esse tipo de roda foi a Ferrari F355

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Perceba a ausência da calotinha da dianteira, eis uma Ferrari sendo usada como deveria: andando.

Sentiu falta de alguma coisa? Qual é a tecnologia que você mais sente falta nos automóveis? Deixe sua opinião nos comentários!