High 5 – Os 5 melhores conceitos abortados

Não sabemos o que é pior: quando um conceito não vem para as ruas ou quando ele vem totalmente diferente do projeto inicial. Enquanto não respondemos essa pergunta, trazemos no High 5 desta semana os 5 carros conceito mais legais que não foram produzidos. Para tornar nossa busca mais específica, criamos uma regra: apenas carros funcionais entram na lista. Está curioso? Então segue com a gente porque a lista de hoje vai te surpreender.

Ford GT90

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Em janeiro de 1995, no Detroit Auto Show, o mundo conhecia o carro mais rápido de todos os tempos. Estamos falando do Ford GT90, um supercarro de 730 cv a 6600 rpm e 91,2 kgfm, produzidos por um V12 com 90º separando as bancadas de cilindros, 6 litros, duplo comando no cabeçote e quatro turbinas (bem antes do Bugatti Veyron!). Estamos falando de uma velocidade final de 378 km/h e apenas 3,1 segundos para chegar aos 100 km/h! O problema é que o projeto nunca teve a intenção de ir para as ruas, mesmo com um modelo totalmente funcional.

Este vídeo do antigo Top Gear é um dos poucos registros de pista deste carro

O GT90 era superlativo em motorização, eletrônica e chassis. Com um chassis de alumínio em forma de colmeia e painéis de fibra de carbono, o sucessor espiritual do GT40 tinha rigidez e apenas 1.451 kg. O câmbio manual de apenas 5 marchas (!) veio do XJ220, época em que a Jaguar fazia parte do grupo Ford.

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Totalmente anos 90: Queremos

No fim das contas o carro serviu mais como exercício de design: foi a estréia do visual New Edge, que marcou os modelos da empresa durante os anos 90 e 2000, começando pelo Ford Ka e depois vindo com o Focus. O GT90 pode ser jogado em diversos games, como na série Ford Racing, no Need for Speed II e no Project Gotham Racing 3.

Lamborghini Miura Revival

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Diferenças sutis, diga-se (e um spoiler nada a ver)

O conceito, apresentado em 2006 no North America International Auto Show (Detroit), comemorava os 40 anos da produção do conceito original do Miura, no Geneva Motor Show. Totalmente retrô, os créditos para o design vão para Walter de’Silva, estreante na marca (começou muito bem, diga-se de passagem).

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A persiana na traseira está lá, as curvas suaves na carroceria, a pintura diferenciada abaixo da porta, o grande scoop atrás das janelas laterais, os faróis ovalados, tudo está no lugar. A única coisa que destoa do visual original é o spoiler frontal, convenhamos. A Lamborghini nunca confirmou mas, segundo as especificações do carro no jogo Need for Speed World, o carro teria um V12 de 6,5 litros e tração na quatro rodas, exatamente o mesmo powertrain do Murciélago LP640-4.

A má notícia veio por parte do então CEO da fabricante de Sant’Agata Bolognese, Stefan Winkelmann. “O Miura foi uma celebração da nossa história, mas a Lamborghini é feita do futuro. Design retrô não é o que fazemos hoje aqui. Então, não vamos produzir o Miura”. Uma pena, apesar de fazer sentido: A linha Lambo daquele ano era composta de Murciélado e Gallardo, carros com design totalmente rebuscado (e a tendência da empresa foi seguir essa linha), então o Miura não teria muita coerência visual. A parte boa é que, assim como o GT90, ele é jogável no primeiro Forza Horizon e no Need for Speed Rivals, além do já citado Need for Speed World.

Lancia New Stratos

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Uma das fotos no desenvolvimento do chassis

Mais um caso de um conceito que revisita o passado, o Lancia Stratos foi feito com base na Ferrari F430, mas não pela Lancia. Pegando uma brecha do regulamento no High 5, o New Stratos foi encomendado por Michael Stoschek como forma de homenagear o Stratos, uma das maiores lendas do rallycross mundial. Para isso ele pegou uma Ferrari 430 com chassis encurtado em 20 cm e soldado numa gaiola de aço homologada pela FIA. O desenho do carro tem assinatura da Pininfarina.

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O interior do carro é feito todo em fibra de carbono e alumínio. Apesar da nobreza dos materiais, a aparência é espartana mas isso não importa. O que importa mesmo é o powertrain da Ferrari 430 Scuderia, de 540 cv graças ao escapamento redimensionado pela Capristo. São apenas 9,7 segundos para sair da imobilidade até os 200 km/h! Ainda fecham o pacote o câmbio sequencial de 6 marchas, diferencial Drexler, freios Brembo, luzes diurnas em LED, ar condicionado e sistema de som premium.

A brincadeira foi longe demais e a Ferrari proibiu todos os fornecedores da marcar de ajudar o pobre empresário em sua empreitada, encerrando ali uma das melhores homagens já feitas para um carro.

BMW 2002 Hommage

O conceito mais recente da lista (é do ano passado) foi apresentado no Concorso d’Eleganza Villa d’Este, na Itália, e usa o BMW M2 como base. Estamos falando do 2002 Hommage que é uma releitura do primeiro carro de rua produzido em série com turbocompressor, o 2002 turbo (já falamos sobre os motores BMW Turbo e sua ligação com a Formula 1 aqui).

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Os elementos óticos, as rodas, tudo remete ao 2002 turbo

Não há detalhes quanto ao motor mas acreditamos que o carro manteve o 3.0 6 cilindros biturbo de 370 cv e até 50,9 kgfm, com um câmbio DCT Speedshift de 7 marchas.

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Quando passado e presente se encontram

Resta agora saber se algum corajoso (e endinheirado, ou os dois) irá fazer isso com a sua M2, porque se depender da BMW ficaremos apenas com as fotos deste belo conceito.

Até o adesivo turbo no spoiler frontal está invertido, como no 2002 original!

Peugeot 907 Concept

Lá por idos de 2005 eu tive a ideia de fazer um card game com carros, semelhante ao famoso Super Trunfo. Eu fazia as montagens no Paint (e você já perdeu boas horas nele, admita), juntava tudo num arquivo do Word e imprimia para depois recortar. Só que não bastava procurar carros que já existiam no Super Trunfo, a ideia era caçar coisas diferentes. E foi numa dessas buscas que encontrei o Peugeot 907.

Vai ser o comercial mais francês que você vai ver hoje

O 907 é um daqueles carros que deixam escancarado “nós não fazemos apenas carros caretas!”. Não que a marca precursora dos hot hatchs com o 205 GTI (ao lado do Golf GTI) fosse tão conservadora, mas o estilo da fabricante francesa já não era mais o seu maior diferencial. Com o 907, tivemos um V12 de 6 litros (que era a união de dois V6 PSA) montado em posição central-dianteira gerando 500 cv, moderados por uma caixa sequencial de 6 marchas.

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Os corpos de borboleta individuais ficavam expostos no capô

O 0 a 100 é estimado em 4 segundos assim como a velocidade máxima, em 300 km/h. Infelizmente, na mesma pegada do GT90, o Peugeot 907 nunca teve a intenção de ser produzido em larga escala e serviu de escola de design para apresentar ao mundo a cara dos Peugeot com final 7 no nome. A boca larga e os faróis enormes estão lá, assim como nos 207, 307, 407…

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Olha só o interior deste carro!

Gostou da nossa lista? Lembrou de algum carro que não foi citado aqui? Deixe suas sugestões na caixa dos comentários!