High 5 – As 5 piores reestilizações já feitas – Parte 2

As reestilizações normalmente são uma necessidade para tornar a aparência do seu veículo mais moderna. Antigamente, as reestilizações se limitavam a lanternas e faróis novos (o que era muito bom, pois quem tinha o carro mais antigo podia deixá-lo com a cara do novo só trocando o conjunto ótico).

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A reestilização no Linea foi bem discreta

Hoje, com os projetos se defasando esteticamente, para-lamas, para-choques, rodas e tudo o que for possível mudar (sem gastar muito dinheiro no projeto) é trocado para atualizar o automóvel. Acontece que nem sempre essas mudanças caem no gosto do público, criando versão com visual bem duvidoso. É dessas mudanças que falaremos no High 5 desta quinta, com certas polêmicas a vista.

Volkswagen Golf Mk4,5 – 2007

O Golf vendido aqui entre 1999 e 2006 é um carro memorável. A quarta geração do Volkswagen mais produzido no mundo se tornou um símbolo, uma referência entre os hatchbacks médios, e depois de 7 anos de bons serviços prestados era a hora de uma renovação. Após 2006 entramos em um dos períodos mais escuros da VW Brasil, que preferiu se ater à tecnologia alemã para renovar o Golf com o jeitinho brasileiro.

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Este carro é tão ícone para a VW quanto o Fusca, e eu não estou exagerando

O Golf quatro-e-meio era uma gambiarra cosmética para fazer o Golf de quarta geração de parecer como Golf Mk5. O resultado não só deixava de lembrar o Mk4, a não ser pela silhueta básica do carro, como também não conseguia ser parecido com o Mk5. A Volkswagen Brasil tentou acertar em dois lugares e errou nos dois.

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Já este aqui, sem comentários

A plataforma do Golf Mk4 (na forma de Mk4,5) só foi descontinuada aqui em 2014, com a chegada do Golf Mk7 diretamente da Alemanha. E o salto de qualidade, tecnologia, ergonomia e sofisticação de um carro pra outro foi absurdo.

Fiat Tempra – 1998

O Tempra chegou em novembro de 1991 e aos poucos foi revolucionando o mercado dos sedãs médios. O pioneirismo veio em 1993, quando foi lançada a versão 2.0 com cabeçote de 16 válvulas, atingindo 202 km/h de velocidade final. Além disso, certas primazias como o ar condicionado digital, retrovisores fotocrômicos, bancos em couro com regulagens elétricas e os freios com ABS fechavam o pacote do Fiat três volumes.

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Este carro Tempra todo mundo

Em 1996 o Tempra recebeu um facelift, trocando a frente alta pela frente baixa, aderindo aos faróis de dupla parábola e com uma leve modificação no pisca das lanternas. Até aí tudo bem, o carro poderia ficar assim até o fim de suas vendas, em 1999. Mas em 1998, último ano de fabricação do carro, a Fiat resolveu dar um tapa no visual do carro, que já não recebia tanta atenção por causa do Marea.

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Meu Deus, olha o que o Tempra se tornou

Eis que surge o Tempra com para-choques completamente na cor do veículo e com aquele friso emborrachado tipo o do Mille 2004, numa tentativa de arredondar a frente de um carro que design completamente retangular. Shit happens.

Ford Fiesta – 2007

O Fiesta de 6ª geração foi um dos carros mais bem sucedidos da Ford e aqui no Brasil não foi diferente. Apesar de usar uma plataforma relativamente simplificada em relação à européia, o carro possui boas qualidades e segue a linha de design New Edge, que surgiu no Ford GT 90, e não é o visual mais unânime de todos.

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Fiesta Mk6 nacional em sua versão Supercharger, o primeiro 1.0 nacional sobrealimentado

Partindo deste princípio, pegue um carro que não tem o visual como atributo número 1 em vendas e execute uma reestilização mal feita. Foi o que resultou no Fiesta de 2007, que teve os faróis mais angulados e esticados em relação ao anterior.

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Esta frente acabou com o carro

Ao contrário da maioria dos exemplos citados, o Fiesta não teve o interior piorado (o facelift de 2010 deu conta de estragar isso), com mais funções no painel de instrumentos e tecidos melhores nos bancos e forros de porta (que soltavam com facilidade na versão anterior).

Fiat Palio – 2007

Nem parece, mas já fazem 10 anos que o Palio recebeu o seu terceiro facelift. Nesta terceira reestilização a carroceria já completava seus 11 anos de mercado, e na época já dizíamos que era hora de uma renovação.

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Ao contrário do que pensam, o Palio 1.8 R tem modificações em relação ao Palio HLX (falaremos disso em breve)

De tanto mexer no Palio, a Fiat alguma hora ia errar a mão. E foi o que aconteceu em 2007, quando a frente e a traseira do compacto da Fiat foram trocadas por peças de desenho mais “alegre”.

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O Palio 2007 (lançado como 2008) não foi unanimidade como o antecessor

Se não bastassem as mudanças, o acabamento continuou ruim e os faróis ainda perderam a dupla parábola (apesar que alguns anos depois ele recebeu até projetores nos faróis).

Peugeot 207 (206+) – 2008

Engana-se quem acha que a bizarrice que venderam por aqui chamada de 207 foi exclusividade nossa. Lá fora o Peugeot 206 atualizado foi vendido com o nome que ele merecia, 206+. E onde está o plus deste carro em relação ao 206 original? Nos faróis, e só.

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Um carro mítico: design atemporal e mecânica de outro planeta

A Peugeot optou por não trazer o 207 europeu para nós. O que sobrou para o Brasil foi o grande facelift do 206, vendido em diversos países emergentes. E, além dos faróis gigantes já citados, as lanternas mudaram (e o formato é o mesmo do carro anterior, possibilitando a troca no caso de quem tinha o 206) e o acabamento foi revisto (ganhou desenho mais moderno e perdeu qualidade).

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Os faróis desse carro chegam antes dele mesmo

Os motores continuaram os mesmos 1.4 8v com 80 cv e 12,8 kgfm e o 1.6 16v de 110 cv e 14,2 kgfm. Na verdade, até a posição dos botões dos retrovisores e dos vidros elétricos traseiros permanecia a mesma, atrás da alavanca do freio de mão.