Alugando um Hyundai i10 em Israel

Eu e minha namorada estávamos hospedados em Jerusalém, localizada no centro de Israel, e queríamos passar um final de semana em Haifa, cidade mais ao norte do país, e para isso resolvemos alugar um carro. Poderíamos fazer a viagem de aproximadamente 320 Km de ônibus, mas os custos não seriam muitos inferiores ao aluguel de um carro, fora a comodidade, liberdade e meu desejo de dirigir pelas ruas e estradas do país.

Começamos a pesquisa por um aluguel barato e depois de um tempo achamos no kayak.com (site de pesquisas) carros por apenas 10 dólares o dia. Fizemos a reserva pelo site e chegando no dia da viagem fomos até a locadora Budget retirar o carro.

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A chave do i10 é bem simples

Havíamos feito reserva para um Suzuki Alto com câmbio manual, porém o carro não estava disponível e o também pequeno, Hyundai i10 automático veio para nossas mãos pelo mesmo preço. As duas diárias mais o seguro resultaram em um total de 49 dólares, aproximadamente R$162,00, mais mil dólares bloqueados no cartão de crédito até a devolução carro.

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Pequeno, bonito e funcional

Dica: tire fotos ou faça um vídeo do carro mostrando todos os defeitos que você encontrar, como arranhões, batidas e manchas, sempre vale se prevenir, pois os preços cobrados pelas locadoras caso aconteça algo com o carro são absurdos.

O i10 é um carro compacto de entrada da marca coreana em diversos países, o que alugamos possuía rodas de liga aro 14, pneus 175/65, freio a disco nas 4 rodas sendo os dianteiros ventilados, ABS, ESP, airbags, isofix, vidros, travas e retrovisores elétricos, rádio com entrada USB (vou reclamar dela em breve) e entrada auxiliar, luzes de neblina (só os traseiros estavam funcionando e não possuem acionamento separado), comandos de som e computador de bordo no volante, motor 1.0 3 cilindros de 66 cv a 5.500 rpm, 9,7 kgfm a 3.500 rpm e câmbio automático de 4 marchas (um 1.0 com conversor de torque, semelhante ao conjunto encontrado no Kia Picanto no Brasil).

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Volante pequeno e com uma boa pegada

Bancos e espelhos ajustados, Waze ligado. Que comece a viagem sob chuva e raiva.

Saímos normalmente, ainda conhecendo o carro e já fico descontente com o freio que quando se pisa leve nada acontece e quando se pisa forte você voa. Depois de algumas horas me acostumei com ele e não tive mais problemas.

Ligamos o som, procuramos uma boa estação e aí mais um descontentamento, a antena é muito fraca e não consegue manter o sinal fixo em nenhuma estação, com isso o rádio fica mudando a sintonia e não conseguimos escutar nada no final. Para resolver este problema conectamos o celular no USB e adivinha! Ela não reconheceu nem o meu celular com Android e nem o iPhone de minha namorada. A solução? Paramos no primeiro posto de combustível que encontramos na estrada e compramos um caríssimo cabo auxiliar.

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Mesmo com chuva registrei nossa primeira parada no posto de gasolina

A viagem mal havia começado, todos esses problemas já tinham acontecido e tinha mais por vir. Quando peguei o carro na locadora ele já estava ligado e o cara que entrega o carro não nos passou o código do sistema de alarme. Resultado? Quando paramos no posto para comprar o cabo auxiliar não conseguimos mais ligar o carro. Ligamos para locadora e depois de alguns minutos conseguimos o código, mas ainda tinha o segredo para ligar, isso mesmo, para inserir o código a chave precisa estar no contato, ser girada para destravar o volante e a elétrica do carro não pode ser ligada, depois se coloca o código e aí sim o carro pode ser ligado “normalmente”.

Parece complicado mas você se acostuma com o processo

Depois de todo esse perrengue finalmente seguimos nosso caminho. As ruas e estradas de Israel possuem asfalto de muito boa qualidade e o pequeno seguiu com a velocidade de cruzeiro de 140 km/h com algumas esticadas para ver até onde ele consegue ir (170 km/h na descida) e a velocidade máxima declarada de 160 km/h não foi suficiente para acompanhar uma bela RS6 Avant que tive o prazer de ser ultrapassado. Você pode ver o carro acelerando clicando aqui.

Na estrada os ventos laterais e caminhões deslocam o carro com facilidade, o que faz com que você precise ficar atento às correções, mas em geral o carro se comporta muito bem.

O antiquado câmbio automático de 4 marchas que oferece trocas manuais se mostrou totalmente voltado para o conforto e economia, com trocas lentas e pouco tranco, conseguindo manter o consumo durante altas velocidades em aproximadamente 13 km/L.

Uma coisa que gostei muito no i10 foi sua caixa de direção elétrica, leve em manobras e com uma progressão muito boa, se tornando firme em velocidade elevadas e com uma resposta bem direta, não necessitando grandes movimentos para fazer curvas e mudanças de faixa.

Segundo o computador de bordo rodei 448 km durante 8 horas e 13 minutos, computando 14 km/L durante os dois dias com o carro.

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Estacionei bem debaixo da janela no meu quarto no hotel

No início eu não gostei dele, mas depois desses dois dias, depois de pensar sobre a proposta que carro veio ao mundo, eu passei a gostar dele e até teria um, porém com câmbio manual e trocando o sistema de som.

Na hora da devolução o que mais doeu não foi a despedida do pequeno companheiro, mas sim encher o tanque de 40 L, que estava praticamente vazio, com gasolina custando acreditem ou não R$5,54 o litro, foi nessa hora que agradeci ter alugado um carro econômico para viagem.

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Valor de R$5,54 já convertidos para a gasolina de 95 octanas e abastecimento feito pelo dono do carro

E com essa facada na carteira me despedi do pequeno i10 e termino esse texto, torcendo para escrever logo mais um relato de algum futuro aluguel.