Review de aluguel: HB20S

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O HB20 em sua versão três volumes

Durante uma viagem para o sul tive a oportunidade de passar uma semana com um HB20S, S que se refere apenas a sedã, não caiam na ideia de que o carro é uma versão esportiva, nem mesmo de adesivo (quem cumpre este papel é o HB20 R-spec).

Como quem já lidou com aluguel de carros deve saber, os pacotes são divididos em categorias e não por modelos, tendo em cada uma alguns modelos disponíveis, no meu caso, um sedã de motor 1.6. Categoria escolhida em vista que estávamos em 5 pessoas, então um hatch estava fora de cogitação após experiências frustantes de viagens a bordo de um Gol 1.0 e um Punto 1.6, carros que penaram pelo espaço no porta-malas e no desempenho do motor.

O aguardo na locadora para saber o modelo foi sofrido, quando noticiado que era um HB20S fiquei com um pé atrás, confesso que tinha um preconceito em relação ao carro. Após a fase de aceitação, é hora de tirar as fotos do carro e fazer anotações dos arranhados, amassados, etc, processo importante de se realizar quando se aluga um veículo que pode evitar dores de cabeça no futuro.

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O acabamento é em plástico duro, mas os painéis não possuem rebarbas ou falhas de encaixe

O interior do carro não era muito diferente de um hatch, o espaço interno realmente não era grandioso, mas conseguia acomodar sem incômodo um motorista e um passageiro de 1,80 m. Sobra um espaço mínimo, mas não chega a haver contato entre o joelho do passageiro de trás e o banco da frente. Fomos com as duas maiores pessoas na frente, alternando de forma mínima algumas vezes mas em nenhuma das “formações” houveram problemas ergonômicos.

O conforto não é lá grande coisa, os bancos e acabamentos não são muito superiores a carros de entrada. A central tem um design interessante mas não é lá muito funcional, especialmente por todos os botões do carro estarem em inglês, o que pode dificultar a vida de quem não é familiar com o idioma, não foi o caso mas acho um ponto importante a se ressaltar, já que o veículo está no Brasil, não nos EUA. Também há um número interessante de porta objetos no carro onde dá para se guardar o essencial, há também entrada USB para carregar o celular ou colocar um pen drive, não necessitando do uso de um carregador automotivo.

Uma agradável surpresa foi a sexta marcha, que auxilia no consumo do carro. Não sei dizer se a marcha é apenas um overdrive (apenas com intuito de reduzir os RPMs, onde a velocidade final é alcançada com a marcha anterior) ou se é uma 6ª marcha efetiva. O câmbio é relativamente curto e o motor surpreende para um 1.6 pelo torque, especialmente nas retomadas e ultrapassagens, feitas sem dificuldade mesmo com o carro cheio e o porta-malas lotado. A ré é difícil de engatar pelo botão impreciso na alavanca de câmbio, algumas vezes entra sem dificuldades, em outras é necessário paciência pois mesmo com o botão totalmente pressionado, a ré não entrava e a primeira era engatada. Isso pode gerar alguns sustos se não houver cuidado na hora de fazer uma manobra de baliza.

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O desenho da traseira é o mais atual dentre os concorrentes

Os freios do carro são bons, não houve nenhuma surpresa ou fadiga notável no sistema, mas como o carro tinha apenas 3.000 km no hodômetro era de se esperar que estivesse redondo. Mas nem tudo são flores, a suspensão do carro é excessivamente mole, faltando firmeza durante curvas (constantes nas divertidas estradas do Sul), na primeira sequência de curvas de angulação maior o carro nos deixou na mão. A dianteira escapou a cerca de 80 km/h e espalhou, ocupando metade da faixa ao lado que, por sorte, existia naquele trecho da estrada, onde o acostamento é minúsculo.

Durante a ida tentamos acompanhar um Mini Cooper S mas sua velocidade de contorno e agilidade não deram nem chance, especialmente pelo pé atrás após a decepção em relação ao desempenho do HB20S nas curvas. Na volta para o aeroporto, uma M3 E46 nos ultrapassou sem dificuldade em proximidade ao trecho onde na ida o carro escapou. Estávamos por volta de 90 km/h numa fileira de 3 carros e repentinamente há cerca de 350 m antes de uma curva cega a esquerda em pista simples, ela apareceu e o motorista da BMW não hesitou em pisar fundo, ultrapassando os 3 carros e saindo da contra-mão para fazer a curva sem nem mesmo precisar reduzir, apenas dando uma pisada. Devo dizer que o ruído dos 6 cilindros em linha da Bimmer é fantástico, com um som metálico estridente e sinfônico, tornando prazerosa a ultrapassagem sofrida.

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No texto: “Apresentando a benga ao HB20S”

A impressão geral do carro foi positiva, ele parte de R$50.065,00 na versão básica 1.0 manual e vai até R$71.175,00 na versão 1.6 automática completa. Fica uma gama de sedãs 0 km com motorização melhor pelo mesmo preço do modelo de entrada, proporcionalmente falando (são 128 cv contra 80 cv no modelo 1.0). Já procurando entre os usados, a escolha se torna ainda mais complicada, onde por R$50 mil já se pode comprar um Elantra, modelo superior da própria Hyundai com cerca de 60.000 km rodados, o que deixa a escolha difícil, especialmente quando se têm marcas com problemas de posicionamento no Brasil entre os modelos a venda, com modelos de categorias distintas mas que competem na mesma faixa de preço.

Minha recomendação é cogitar o modelo se você busca um veículo para uso misto, dividido entre uso diário e viagens. Agende um test drive mas não deixe de visitar também o mercado de usados, onde por um valor similar ou até mesmo inferior se encontram carros do mesmo segmento e também de categorias superiores à venda.

Fotos do HB20S por: Divulgação