High 5 – Os 5 melhores conceitos nacionais

Nós já comentamos aqui sobre os melhores conceitos que não viram a linha de produção, mas nenhum dos modelos apresentados era nacional. Revisitando a rica história da nossa indústria automotiva e focando nas apresentações do Salão do Automóvel desde 1960, pesquisei quanto aos conceitos nacionais mais surpreendentes ao longo de mais de 50 anos de história. Acreditem, a criatividade rola solta na terra brasilis e é isso que vocês irão conferir logo abaixo.

Volkswagen Saveiro RockeT

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Imaginem um Gol com esses elementos visuais

A Saveiro RockeT causou o mesmo efeito que a releitura do Gol GT no salão do ano passado. Todos ficaram vidrados com o que a plataforma PQ24 poderia trazer para a família Gol, mas a tesoura do corte de custos falou mais alto e o conceito ficou só nisso. Ao menos ele era completamente funcional e nós contaremos um pouco mais de suas especificações.

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Xiu, ninguém viu que a central é da Audi

O sistema de som é premium e tem uma central multimídia (prova de que o painel da terceira geração do Gol poderia ter mudado bem antes). Os bancos tipo concha são do Golf R32 com uma padronagem diferenciada nos tecidos. Até alguns luxos que a linha Gol nunca teve, como lavadores de faróis e leds diurnos, estavam presentes no conceito. Isso sem falar na tampa da caçamba com acionamento elétrico.

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O acionamento da caçamba é elétrico

O motor utilizado na picape é um 1.4 litro com turbo e compressor, chamado de TSI Twincharger. É baseado na família EA111, estreou no Golf GT Mk5 e produz, na RockeT, 158 cv a 5800 rpm e 24 kgfm entre 1750 e 4000 rpm. O câmbio é manual de 6 marchas e a manopla é do Golf GTI. As rodas são de 18″ e a suspensão é mais baixa, graças às molas mais rígidas aos amortecedores recalibrados. Os discos de freio dianteiros são de 312 mm e os traseiros são de 256 mm. Para reforçar o aspecto esportivo, o carro ainda possui aerofólio em alumínio e scoops traseiros. É definitivamente uma picape que quer ser cupê.

Fiat Uno Cabrio

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Um carro dinamicamente divertido que virou referência em xunning

O Novo Uno foi lançado em 2010, e nada mais justo do que aproveitar o lançamento de um carro com nome tão icônico para brincar um pouco com o imaginário dos futuros compradores. Aproveitando as novas possibilidades que a plataforma poderia trazer, a Fiat mostrou o Uno Sporting no Salão do Automóvel de 2010, mas a versão que realmente interessava (e que não iria para a linha de produção) era o Uno Cabrio. O hatch perdeu o teto e virou um roadster de dois lugares. Mas carro é tão show car que não há nem capota.

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O interior é mais requintado do que qualquer Uno já existente

A alavanca de câmbio é a mesma do Punto T-Jet só que sem a coifa. Já o volante com base achatada e os bancos vêm do 500 Abarth. O painel e os forros de porta têm acabamento em tecido, seguindo a mesma padronagem em ambos. O conta-giros é a maior peça do painel, localizado onde normalmente habitaria o velocímetro, e o manômetro de pressão de turbo também veio do 500 Abarth. Até mesmo os dutos de ventilação vieram do Cinquecento. Ainda há dois mostradores acima do câmbio, que marcam a pressão do combustível e do óleo.

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Detalhe para a ponteira falsa, totalmente desnecessária

O motor é o mesmo da linha T-Jet (que hoje está morta, infelizmente), 1.4 16 válvulas com turbo, produzindo 152 cv a 5500 rpm e 21,1 kgfm a 2250 rpm. A suspensão tem acerto bem mais rígido que o normal e o câmbio tem engates mais pesados. Os freios são a disco nas quatro rodas, que por sua vez são de 16 polegadas, calçadas em pneus de perfil mais baixo. 0 a 100 é cumprido em 8,9 segundos, com velocidade máxima de 201 km/h. O carro é cerca de 200 kg mais pesado que um Uno convencional (que pesa 895 kg na versão Vivace duas portas) por causa dos reforços estruturais, localizados principalmente na traseira para conservar o equilíbrio dinâmico do carro.

Chevrolet Onix Track Day

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O Onix Track Day não esteve a venda, mas aquela fita de reboque está! Clique aqui para comprá-la!

O Onix Track Day foi a pior novidade do Salão de 2014. “Como assim a pior?”. Porque foi um carro que, com suas devidas adaptações, seria completamente vendável em nosso mercado. O Sandero RS apareceu um ano depois para mostrar o quão errado estava o setor financeiro da GM. Mas se atendo ao modelo, ao contrário da VW que usou o nome Track para batizar um aventureiro de asfalto, o Onix Track Day tem mudanças pontuais para se tornar um devorador das pistas.

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Quase todos os elementos visuais apareceram no Onix Effect. Menos o motor, que é o mais importante.

O tom amarelo da carroceria, completamente inspirado no Camaro, aparece em diversos elementos internos e externos do automóvel. O grafismo esportivo se estende até a gravatinha, que ficou escurecida seguindo o padrão do teto e todos os outros emblemas do carro. A traseira tem um aerofólio digno de Escort Cosworth e as rodas são de 17 polegadas calçadas em pneus 215/45. A suspensão possui um acerto bem mais baixo do que o normal e o carro tem uma rollcage no lugar dos bancos traseiros.

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“Eco”, sim, nós sabemos

O motor é o 1.8 16 válvulas Ecotec que equipa o Cruze da geração anterior. Com escape em inox, filtro de ar com menor restrição e remapeamento da central, o motor passou de 144 para 150 cv. Permaneceram o câmbio manual de 5 marchas e os freios traseiros a tambor, mas os dianteiros foram melhorados.

Volkswagen Parati EDP

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Para-lamas alargados com parafusos expostos em 1996, muito antes da Rocket Bunny

A Parati EDP (de Engineering Design Prototype) foi uma linha de Paratis que usavam o que havia de melhor na prateleira do Grupo Volkswagen para exibir e ditar tendências visuais em sua época. Só que o modelo mais interessante mesmo foi a primeira EDP, apresentada no Salão do Automóvel de 1996, e foi tão importante que retornou a cena no ano passado, na 8ª edição do Bubble Gun Treffen.

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Um carro que previu a cena automotiva de “Velozes e Furiosos”

O interior é aquele velho tunning que se tornou internacionalmente conhecido em Velozes e Furiosos, de 2001. Assoalho e pedais em alumínio, bancos Recaro com couro preto e branco e o volante Momo completam o pacote. E para quem gosta de som automotivo, a Parati EDP é um prato cheio e impõe um setup de respeito até hoje: são 1000 watts de potência distribuídos em 2 subs, 2 woofers, 8 alto-falantes de 6″ e 4 tweeters, sendo que para caber tanto som o banco traseiro foi retirado. O sistema é alimentado por módulos da Clarion e o som utiliza uma disqueteira de 18 CDs. Apenas um receiver moderno deixaria o som completamente atual. Mas a cereja do bolo mesmo está nos acabamentos externos, únicos no mundo, alguns feitos em fibra de carbono.

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Depois de 20 anos, a Parati EDP apareceu no Bubblegun Treffen, em 2016

O motor é o já conhecido AP 2000 com cabeçote importado, só que trabalhado em banco de fluxo. Com comandos de maior graduação da Crane, escape refeito sem catalisador, remapeamento da injeção e avanço da ignição, a potência chegou aos 200 cv (sim, 100 cv/L!) o que garantia a velocidade máxima de 230 km/h e o 0 a 100 km/h em 7,4 segundos. Os freios são a disco ventilados nas quatros rodas com ABS e a suspensão teve carga repensada para a nova altura e proposta do carro, que abriga pneus 215/40 R17.

Chevrolet S10 Syclone

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Sim, é a única foto na internet

Não há muitas informações sobre a Chevrolet S10 Syclone feita no Brasil, só se sabe que a caminhonete seria uma versão nacional para a conhecida GMC Syclone. O modelo, montado na cor amarela, tem como base a versão de cabine simples.

A suspensão foi recalibrada e a altura foi reduzida para garantir maior estabilidade nas curvas (comprometendo a capacidade de carga, mas quem liga?). As rodas esportivas são de 17 polegadas, montadas em pneus semi-slicks. Fecham o pacote visual as saias laterais em fibra, as lanternas traseiras escurecidas e o escapamento com a ponteira dupla.

Assim como a irmã americana, a S10 Syclone usa um motor de 4,3 litros com 6 cilindros em V (o famoso Vortec), mas sem o turbocompressor presente na Syclone da GMC. Com isso, os números seriam de 180 cv a 4400 rpm e 35 kgfm a 3200 rpm. Os discos de freio são ventilados nas quatro rodas e perfurados nas rodas da frente. O paradeiro do veículo atualmente é um mistério.

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Gostaram da lista? Tem mais algum modelo conceitual em especial que você lembra? Conte pra nós aqui na caixa de comentários!