Funileiro e pintor por um dia

Sou daquele tipo de pessoa que gosta de fazer as coisas por conta própria, não é por pensar que ninguém sabe fazer as coisas, mas porque eu gosto de executar os trabalhos, às vezes é cansativo, difícil, dá vontade de desistir, porem é muito prazeroso saber que foi você quem fez, arrumou e solucionou o que estava precisando.

E também existe o ditado: Se ficar ruim, pelo menos fui eu quem fiz.

E com esse tipo de pensamento e também falta de dinheiro que me aventuro pelos DIY (do it yourself, no Brasil conhecido como “pôr a mão na massa”) da vida, às vezes com algumas gambiarras, mas nunca, jamais, brincado com a minha segurança e a dos outros.

Dito isto e sendo um GearHead, não limito o DIY apenas à minha casa, o meu carro também passa por ele. Esta curiosidade me levou a fazer alguns cursos de mecânica e descobrir novos caminhos para a vida.

Como bom quebrado que sou, assim que comprei meu carro comecei a tentar fazer tudo nele e me vi barrado em um grande problema, a falta de ferramentas. Fui comprando algumas aos poucos, fazendo o que estava ao meu alcance e às vezes me rendendo aos amigos mecânicos.

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Mão na massa, no óleo e na graxa

Minha última aventura foi fazer a pintura dos para-choques, que estavam ruins. Como seria feito em casa (na verdade moro em um apartamento) e deveria ser barato, comprei uma lata de massa de poliéster, primer e tinta em spray, lixas e fui para cima.

O fato de não ter as ferramentas corretas (lixadeiras) dificultou e muito o trabalho. Arrumei emprestada uma daquelas lixadeiras que também possuem disco de corte e isso se mostrou um erro no final.

Para choques lixados, emassados, e vamos para pintura. Modéstia parte, a pintura não ficou ruim, mas a preparação do lixamento e emassamento ficaram tão ruins que após pintar era possível ver todas as imperfeições.

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Notem as marcas no canto direito da foto

É, meus amigos, o ditado veio a tona. Por isso nem fiz o para choque dianteiro, limitando a feiura apenas no traseiro. Logo em seguida entrei em contato com um pintor e funileiro grande amigo meu e deixei para quem sabe fazer. Por sinal, ele já até escreveu para nós aqui.

Lógico que o carro não ficou lá sozinho. Passei o dia inteiro com ele, observando, perguntando e aprendendo tudo que eu podia, para que quando eu resolvesse me aventurar mais uma vez, fazer corretamente. É incrível o quanto podemos aprender em um único dia olhando quem entende do negócio.

Com isso dei ainda mais valor a ter um ferramental correto, da mesma forma de que não fecho um motor sem ter um torquímetro, também não farei a preparação de uma peça sem a lixadeira correta e muita paciência.

Uma melhora de outro mundo comparando com o meu trabalho.

São nestes momentos em que damos o real valor para o trabalho das pessoas, quando achamos que um mecânico, funileiro, ou qualquer outro profissional está cobrando caro, não imaginamos tudo que vem por trás disso, o trabalho, tempo e conhecimento. E assim como em qualquer área e profissão, o que tem qualidade não é barato. Nós devemos valorizar mais todos os trabalhadores que entregam um bom serviço, assim como gostamos que nos deem valor em nossas respectivas áreas.

No final deste dia, eu passei a respeita-los ainda mais, tanto os profissionais, quanto o ferramental. Espero que este texto possa transmitir para vocês um pouco do crescimento que eu ganhei.

Deixo aqui mais um agradecimento ao meu amigo Bruno Graf, obrigado pela força , você é f*da. E bora pôr a mão na massa.

Se você já passou por algo parecido conte para gente sua historia na caixa de comentários. E até a próxima.