Os carros turbo de fábrica mais baratos do Brasil – Lasanhas AGH

Ei você! É um entusiasta sem dinheiro, assim como nós? Cansou de viver num país sem oportunidades para quem gosta de carro? Pois é, nós também. É chato ver que o mercado encolheu e as escolhas se resumem à SUVs de shopping e sedãs de tiozão, ambos com preço de ouro. Carros de tração traseira acessíveis, peruas e outras categorias que tanto gostamos simplesmente sumiram! É com essa ideia que lançamos o “Lasanhas AGH”, um bloco onde postaremos o carro que você quer e pode comprar.

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Não é dessa lasanha que estamos falando

Mas o que é uma lasanha? Lasanha é aquele carro que é incomum no mercado, que vai te dar dor de cabeça mas que, quando funciona, vai te trazer muita felicidade. Lasanha é diferente do carro de duas alegrias, aquele em que você fica feliz quando compra e quando consegue vender. Uma lasanha vai, no mínimo, te dar a emoção da primeira acelerada. O que vem depois disso é que não sabemos.

Nosso foco aqui não é anunciar nenhum veículo ou classificado em específico, não temos qualquer ligação com os anúncios aqui apresentados. E, quanto aos critérios de avaliação, temos algumas restrições interessantes que valem serem mencionadas:

  1. O carro tem que estar no mínimo apresentável nas fotos;
  2. Carros com pendências na documentação estão sumariamente descartados;
  3. O carro tem que no mínimo sair do lugar.

Serão sempre três opções de carro, do mais caro ao mais barato, e, sempre que for possível, tentaremos fugir do senso comum. Afinal, estamos falando de lasanhas! E é justamente por isso que não levaremos em conta custos de seguro e, principalmente, manutenção. Feche o negócio por sua conta e risco!

E hoje o nosso contato é com aquela galera que cresceu com Need for Speed, que gosta do barulho da turbina enchendo, que é fã da máxima “fazer mais com menos”. Então, a pedida de hoje são os carros turbo de fábrica mais baratos do Brasil! Acompanhem nossa seleção!

Fiat Punto T-Jet – R$ 29.000

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O Punto antes da reestilização é até mais bonito

A nossa opção mais confiável da lista é o Punto T-Jet. Estamos falando de um hot hatch bastante confiável, com mecânica de fácil acesso e que não vai te deixar na mão tão facilmente. Fabricado desde 2009, o modelo fez sucesso entre os esportivos de adesivo por ser um esportivo de verdade. A idade do projeto e a chegada de concorrentes mais modernos, como o Sandero RS e o Citroën DS3, fez o modelo sair de linha em 2016, mas ele não deixa de ser um bom carro. E o melhor: os modelos anteriores à reestilização de 2012 estão custando menos que 30 mil reais.

Punto T-Jet

O italiano gera 152 cv a 5.500 rpm e 21,1 kgfm a 2.250 rpm. Existe um certo lag em baixas rotações, mas isso é compensado pela quantidade de modificações já disponíveis no mercado (várias delas encontradas neste carro). O calcanhar de aquiles do projeto é câmbio, que é o mesmo utilizado nas versões aspiradas do Punto. A caixa não é tão resistente e trabalha no limite de torque já na configuração OEM do motor. Então, qualquer upgrade tem que ser feito com cuidado e o uso do câmbio não pode ser tão soviético. Os dois opcionais mais cobiçados, o teto solar e o ar-condicionado digital, já podem ser encontrados nessa faixa de preço se você pesquisar com dedicação.

Audi A3 Turbo 180cv – R$ 16.000

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O design ainda faz sucesso

O irmão de plataforma do Golf Mk 4 é vendido mais barato que o próprio Golf com o mesmo motor. E como nossa prioridade é corte de custos, ele será o escolhido para a matéria. O Audi A3 é o carro que muito provavelmente já passou por diversos donos, desde aquele entusiasta da marca até o playboy que só quer cortar as molas e encher o porta-malas de som. Por favor, procure chegar antes do playboy.

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Desembarcando em 1997, ainda como importado, se nacionalizou em 1999, quando ganhou a versão com quatro portas, nas opções 1.8 20v aspirada ou turbinada com 150 cv. Em 2000 surgiram as versões 1.6 8v (totalmente desinteressante) e a 1.8 20v turbo de 180 cv. Este é o motor que você já consegue encontrar nos A3 de 16 mil reais. A partir de 2001 os faróis possuem projetores e as lanternas traseiras são diferenciadas. Fuja dos modelos automáticos, o câmbio tiptronic dá manutenção, você já vai ter muito trabalho com o motor. O computador de bordo pode custar mais de 2 mil reais se não estiver funcionando. O problema do A3 é que quando a peça não é importada, ela é cara (mas pode ser ambas as coisas). A turbina é um ponto crítico, num carro mais judiado você vai ter que trocá-la. Aí já é bom partir para opções nacionais e maiores.

Volkswagen Gol 1.0 16v Turbo – R$ 8.500

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O Gol GIII turbinado de fábrica chegou a frente do seu tempo

O Gol é (ou era) o carro mais querido do Brasil. Acumulando três gerações (porque facelift não é geração), diversas motorizações e 6 milhões de unidades produzidas, é quase impossível nunca ter cogitado ter um Gol. Ainda mais se você procura montar um projeto turbinado, o primeiro carro que vão te indicar é o Gol. Mas e se esse Gol já viesse turbinado de fábrica? Foi o que a VW fez, apresentando um Gol de 112 cv a 5.500 rpm e 15,8 kgfm a 2.000 rpm num motor 1.000, mas saiu de linha em 2003 devido as baixas vendas.

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A primeira reestilização da segunda geração do Gol, conhecida como GIII, é um dos Gols mais bem acertados de todos. Existia o 2.0 16v de 153 cv, que saiu de linha em 2000 e teve como “sucessor” o EA-111 turbinado, com intercooler e comando de válvulas variável. Era o que havia de mais moderno na prateleira da VW, mas o downsizing ainda não era tão interessante e o motor ficou mal falado. “Gol 16 válvulas é bomba” virou lema dos mecânicos, que têm horror a esse carro como se ele fosse um Marea. A questão é que o carro nem dá tanto problema, mas ao pegar exemplares com mais de 200 mil km é obrigatório checar a turbina. A manutenção preventiva é pouca coisa mais cara que nos Gols aspirados (a corretiva que é de lascar mesmo), foque sempre no uso de óleo sintético. O painel, apesar de bonito, é meio ordinário e os difusores de ar quebram com muita facilidade.