Os carros de tração traseira mais baratos do Brasil – Lasanhas AGH

Ei você! É um entusiasta sem dinheiro, assim como nós? Cansou de viver num país sem oportunidades para quem gosta de carro? Pois é, nós também. É chato ver que o mercado encolheu e as escolhas se resumem à SUVs de shopping e sedãs de tiozão, ambos com preço de ouro. Carros de tração traseira acessíveis, peruas e outras categorias que tanto gostamos simplesmente sumiram! É com essa ideia que lançamos o “Lasanhas AGH”, um bloco onde postaremos o carro que você quer e pode comprar.

Mas o que é uma lasanha? Clique aqui para saber!

Nosso foco aqui não é anunciar nenhum veículo ou classificado em específico, não temos qualquer ligação com os anúncios aqui apresentados. E, quanto aos critérios de avaliação, temos algumas restrições interessantes que valem serem mencionadas:

  1. O carro tem que estar no mínimo apresentável nas fotos;
  2. Carros com pendências na documentação estão sumariamente descartados;
  3. O carro tem que no mínimo sair do lugar.

Serão sempre três opções de carro, do mais caro ao mais barato, e, sempre que for possível, tentaremos fugir do senso comum. Afinal, estamos falando de lasanhas! E é justamente por isso que não levaremos em conta custos de seguro e, principalmente, manutenção. Feche o negócio por sua conta e risco!

E hoje o nosso contato é com aquela galera que ama fazer burnout mais do que ama a própria mãe, de quem gosta de fazer zerinho na frente do cursinho, pra quem acha que carro de tração dianteira é para os fracos. Aproveitando a vibe do Dodge Demon, a pedida de hoje são os carros de tração traseira mais baratos do Brasil! Acompanhem nossa seleção!

GM Omega 3.8 V6 SFI – R$ 20.000

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É uma BMW? É um Pontiac GTO? Não! É o Omega Australiano!

O Omega tem uma longa história com os brasileiros. Vendido desde 1992, chegando a ser o melhor carro já fabricado em terras nacionais, encerrou sua linha de produção em São Caetano do Sul no ano de 1998. Um ano depois o Omega chegaria em uma nova plataforma, trocando o seis em linha pelo V6. Em nota: o Omega A deixou de ser produzido na Alemanha em 1993 e foi substituído pelo Omega B1, que foi baseado na terceira geração do Holden Commodore. Ao contrário da segunda geração do Omega alemão, o nosso Omega de 1999 é uma cópia completa do Commodore VT com emblemas diferentes.

Omega V6

Apesar das novidades em relação ao seu antecessor, o Omega de 1999 era velho mecanicamente. A transmissão é uma GM 4L60-E, automática convencional de 4 marchas, presente desde 1992. E o motor é um V6 Buick Series II L36, que surgiu em 1995 baseado numa série de modificações de um projeto de 1988, com comando no bloco e 12 válvulas. A injeção sequencial dava um gás extra ao projeto antiquado, mas era notório a idade do powertrain quando se via o consumo de combustível. Em troca disso, o torque em baixa é bastante generoso e a robustez do conjunto é notória. Houve um facelift em 2001, baseado no Commodore VX, e em 2003, baseado no Commodore VY. Mas o trem de força só mudou em 2005 (como modelo 2006), com a chegada do V6 de duplo comando no cabeçote e 24 válvulas. Com isso o carro saltou dos 200 cv a 5.200 rpm e 31 kgfm a 4.000 rpm para 258 cv a 6.500 rpm e 34,7 kgfm a 3.200 rpm. A transmissão também mudou para uma Getrag de 5 marchas. Nossa opinião? Se sua preocupação é com a manutenção, procure os modelos com o V6 Buick, de preferencia entre 2003 e 2005. Além do conjunto motriz mais confiável, eles já possuem a frente mais nova e o interior com um console mais moderno.

BMW E36 325i Manual – R$ 18.000

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Não é uma M3, mas é quase

Já sabemos o que você vai dizer: existem E36 mais baratas! Sim, existem E36 de 13 mil reais ou até menos. Mas você não vai pegar uma BMW E36 com quatro cilindros, vai? Ou pior, pegar uma Compact que parece um cupê que deixou de crescer? Lógico que não! Você vai querer o motor maior na carroceria maior, porque você quer uma lasanha! E se tratando de lasanha, a 325i americana é uma das melhores. Por 18 mil você já encontra um bom exemplar da versão sedã e com câmbio manual, excelente para exercitar o punta-tacco quando você não estiver fazendo um burnout! E sabemos que esse motor tem potencial (vide aquela BMW de 980 cv).

325i

A 325i desta geração é um tanto quanto renegada por causa da presença da 328i. E é justamente por isso que o preço dela é mais baixo. Mas não se engane, trata-se de um carro tão bom quanto o modelo mais caro. Numa época em que a nomenclatura da BMW ainda fazia sentido, o motor é um seis-em-linha que desloca 2,5 litros, produzindo 192 cv a 5.900 rpm e 25 kgfm a 4.700 rpm (contra 193 cv a 5.300 rpm e 28,6 kgfm a 3.500 rpm da 328i). Com esses números temos um 0 a 100 km/h cumprido em 8,8 segundos, com máxima de 231 km/h. Suspensão independente nas quatro rodas, direção com assistência hidráulica, freios a disco ventilados na dianteira e sólidos na traseira, e apenas 1.365 kg de peso total (pouco para um sedã deste porte), a dinâmica deste carro está mais do que garantida. Mas, se tratando de BMW, o foco aqui vai ser jogar de lado, então fique de olho na transmissão. O conjunto manual é mais robusto, mas nunca duvide da capacidade do proprietário. Os LCDs do painel costumam queimar com facilidade e não são baratos. A mecânica é bastante robusta mas o sistema de arrefecimento costuma dar trabalho, fique de olho. E cuidado com os exemplares com rodas aftermarket, a furação da BMW é bem estranha e o uso de adaptadores de baixa qualidade pode acarretar em acidentes.

Lada Laika – R$ 3.900

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“Não existe carro feio”

Se você realmente quer gastar pouco, sua opção é o Lada Laika. Também conhecido como Lada 2105, Lada Riva, Lada Nova, Lada 1500, o Chevette da Fiat que a Fiat nunca vendeu no Brasil (que?) e até mesmo o carro mais indestrutível do planeta, o Laika homenageia a cadela de mesmo nome que foi ao espaço pela URSS em 1957. Sendo um carro de origem comunista, foi concebido em 1978 usando a plataforma do Fiat 124 (que saiu de linha 4 anos antes). Importado para o Brasil em 1990, a combinação motor dianteiro e tração traseira já não era a mais amada pelo mercado nacional e logo virou motivo de piada. Mas a AvtoVAZ, dona da marca Lada, não desistiu, trazendo o veículo mais barato à venda por aqui, tanto nas versões sedã quanto perua, sempre com quatro portas.

Laika

Com um motor 1.6 carburado de 73 cv a 5.200 rpm e 12 kgfm a 3.200 rpm, é comum encontrar swaps na internet usando o 2.0 do Tempra ou até mesmo o onipresente AP. Itens como conta-giros e limpadores de farol (?) acompanham algumas versões, é só procurar com mais afinco. Mas o destaque mesmo vai para a chave de ignição no lado esquerdo (seria essa uma mensagem subliminar?) do painel, similar aos Porsche. A versão perua, chamada de Laika SW ou Lada 2104, é bem mais incomum no mercado nacional e normalmente pedem muito mais por ela. Fique com o sedã mesmo, que preserva as boas características de um carro para GearHead sem esquecer de suas origens. O detalhe mais perigoso do Lada está na importação das peças e na corrosão presente na carroceria, mas isso é o de menos. Coloque todos os seus camaradas no carro e saia por aí cantando pneu, enquanto o hino da URSS é tocado no Pioneer KP500 acoplado ao painel do carro!