Velocidade mata? Não!

Frenquentemente nos deparamos com notícias de que o trânsito brasileiro tem mais vítimas que em qualquer outro lugar no mundo, com números comparáveis à uma guerra civil. Isso é normalmente creditado ao “excesso de velocidade” e, com essa justificativa, o governo diminui as velocidades nas vias, colocando mais radares e policiais escondidos com suas “pistolas de multa”.

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Do alto da ponte, pegando os motoristas de longe

Entretanto, isso é tão verdadeiro como uma nota de R$ 3. Os motivos de tantos acidentes são muito maiores e mais complexos que somente a velocidade. Abordarei alguns desses motivos a seguir.

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Parece verídico 

Formação de motoristas

As auto-escolas não prepararam ninguém para dirigir. Elas apenas ensinam a passar na prova. Para realmente aprender a dirigir com segurança somente pagando um instrutor particular, ou aprendendo na cara e na coragem andando na rua sozinho.

Esse “andar sozinho” prejudica o trânsito, pode traumatizar a pessoa e formar péssimos motoristas para a vida inteira. Ou você nunca ficou travado atrás de alguém que claramente não sabe dirigir?

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Muitas vezes os próprios instrutures são mal exemplos

Vias e sinalização

As ruas e estradas são horríveis, isso já sabemos, mas além de furar pneus e castigar molas e amortecedores, ela também é grande causadora de acidentes. Quem nunca tentou desviar de um buraco e quase acertou um motociclista que estava ao lado do seu carro? Ou precisou ir em um lugar desconhecido, se guiando por placas, com a sinalização péssima, em cima da saída por exemplo, e tem que fazer uma manobra brusca para ir até o lugar certo?

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Fazer a curva desviando dos buracos torna tudo mais difícil

Os carros nacionais

Por motivos econômicos, nossos carros são versões “pobres” de modelos europeus ou específicas para o mercado nacional (leia-se, baixa qualidade), esses carros JAMAIS seriam vendidos na Europa ou EUA pois não passariam em testes de impacto.

“Ah mas agora airbag e ABS são obrigatórios”. Sim, mas em carros somente a partir de 2014, que equivale a um percentual pequeno da frota. E esses itens de segurança não ajudam nada se em um acidente seu carro se retorce igual à uma caixa de sapatos molhada.

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Exemplo de tropicalização: o Gol de terceira geração usa um misto da já antiquada plataforma PQ25 com a plataforma AB9 na traseira, vinda diretamente do Gol bolinha

Impunidade

Responda rápido, quais as últimas multas que você tomou? E seus familiares? Aposto que alguma delas foi de velocidade (e rodízio se for de SP). E não é exagero, em 2015 as 3 infrações mais comuns na cidade de São Paulo foram por trafegar acima da velocidade permitida (38,4%), rodízio (19,4%) e apenas 4,6% por estacionar em local proibido. De acordo com esses dados podemos ver que o paulista anda bem mais rápido do que pára em local proibido. Ou será que é devido a fiscalização de velocidade ser bem mais rígida que todas as outras?

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Claro que a multa por velocidade é mais fácil e lucrativa. Investe no radar e só pega o dinheiro de volta. Outras infrações exigem que haja fiscalização presencial e isso é mais complicado, pois envolve combustível e pessoas andando. Sabendo disso o motorista comum não se preocupa em seguir todas as normas, pois sabe que é impune. Pode parar em fila dupla, mudar de faixa sem dar seta, dirigir enquanto fala no WhatsApp, faz tudo que quiser, só não passa a 45 km/h no radar de 40 km/h.

Irresponsabilidade

Acabei de falar da impunidade, mas com a impunidade vem outro grande problema: a irresponsabilidade. O “cidadão” sabe que não vai ser punido, então dirige como bem entende. “Para que seguir as regras e ser educado se posso ser esperto, prejudicar todos e tirar minha vantagem”, alguns pensam. Mas pare e pense, quantos acidentes acontecem por isso?

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Está cabendo mais gente nessa Biz do que em um Ford Ka de primeira geração

Com todos esses fatores não é de se estranhar que o Brasil seja recordista em mortes no trânsito. Enquanto não houver educação, formação e condições corretas, não iremos sair desse vergonhoso primeiro lugar.