“Qualquer coisa que a Tesla faça, podemos fazer melhor” – Volkswagen. Mas a Tesla já respondeu.

Na primeira conferência de imprensa da VW, realizada em Wolfsburg, Hebert Diess afirmou que “qualquer coisa que a Tesla faça, podemos fazer melhor”. Se referindo, logicamente, ao mercado de carros elétricos, o diretor da VW já parece preocupado com o estrago que o Tesla Model 3 pode fazer quando for lançado. Isso porque, após o Dieselgate, o Grupo VW enlouqueceu e determinou que irá produzir 1 milhão de carros elétricos por ano em 2025. Será que vai dar certo?

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O conceito I.D., 100% eletrificado

Um milhão de carros elétricos até 2025 é uma meta definitivamente complicada, ainda mais porque o crescimento da Tesla pode ser um problema. Com a produção do Model 3 programada para começar no final deste ano (a gente sabe que sempre pode rolar um atraso), a Tesla pretende montar 5.000 carros por semana já no final deste ano. Após o final de 2017, a meta será dobrar a meta (é sério) em 2018, chegando aos 500.000 carros produzidos anualmente sete anos antes da VW atingir seu objetivo. Pior; eles definiram o teto de um milhão de veículos produzidos por ano para 2020, 5 anos antes da meta prevista pela VW no plano “Transform 2025+”.

“É um concorrente que levamos a sério. A Tesla vem de um segmento premium, no entanto eles estão se movendo [para categorias mais acessíveis]”, continua Diess. “É nossa ambição, com nossa nova arquitetura [a plataforma MEB], detê-los.”, afirmou o diretor para o Financial Times. A esperança da Volks se encontra no mercado chinês, no qual a marca germânica possui diversas parcerias instaladas, sendo que a Tesla não possui nenhum vínculo na China.

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O conceito I.D. Buzz é uma releitura da Kombi numa versão elétrica, mas não convence

Através da plataforma MEB já tivemos alguns conceitos. O I.D. (compacto), I.D. Buzz (a Kombi elétrica) e o I.D. Crozz (crossover-SUV-cupê) são ideias interessantes, mas nenhum deles ainda convence como carros de produção.

Temos que levar em conta que a Tesla é uma empresa focada na produção de veículos elétricos, enquanto que a VW ainda investe nos “antiquados” modelos à combustão. Além disso, a inovação parece ser rotina dentro da empresa de Palo Alto, que trouxe a condução semiautônoma descomplicada para os consumidores, enquanto certas marcas quase centenárias ainda se movem lentamente neste terreno. Não que a gente queira que nossos carros andem sozinho, mas isso serve como parâmetro de competência e, por que não, ousadia dentro de um mercado engessado por fabricantes do século passado.

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Elon Musk e sua cara de preocupação

Pois se a VW atacou com uma pedra, a Tesla prontamente devolveu uma tijolada no peito dos alemães.

Pense da seguinte maneira: a Bosch produz alternadores para quase todas as marcas do setor automotivo. Imagine então se a Volkswagen comprasse a Bosch e determinasse que ela só fabricaria alternadores para as empresas do Grupo Volkswagen. Seria um grande problema para todas as outras fabricantes que dependem deste fornecedor, não é mesmo? Pois é, a Tesla fez exatamente isso.

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A Grohmann Engineering está sob nova direção

A empresa alemã Grohmann Engineering, especializada em robôs para fabricação automatizada, foi comprada pela Tesla por 135 US$ milhões. E por quê? Porque se eles querem bater a meta de 500.000 carros produzidos anualmente, eles precisam de mão de obra farta e tecnologia avançada para manter a mesma qualidade de construção numa produção bem maior, itens que a Grohmann pode fornecer numa tacada só com seus robôs de produção. Os funcionários foram avisados no dia 1º de abril, (pois é) mas a notícia só saiu agora, quando a empresa já até mudou de nome para Tesla Grohmann Automation, ou TGA.

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Funcionários da atual TGA

Acontece que a Grohmann e seus 700 empregados, era um fornecedor muito importante e respeitado dentro do mercado alemão. Seus clientes? Ah, só o Grupo BMW e o Grupo Volkswagen. E como a Grohmann agora possui um contrato de exclusividade, esses dois clientes ficaram na mão. Já deu pra perceber quem não está nada feliz com essa notícia, não é mesmo?

E aí você pensa “mas com certeza contratos foram assinados para evitar esse tipo de coisa, né?” e está correto, o pedido de compensação já foi pedido e a TGA já pagou sem pestanejar. O plano é perfeito. A Tesla toma o fornecedor para si, ajudando no seu crescimento, e ainda atrapalha a produção dos concorrentes que, como vocês leram mais acima, estão mais do que interessados nos carros elétricos. E o trabalho não para: a TGA está em processo de admissão de funcionários.

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O que será da Tesla perante as fabricantes “tradicionais”?

Enquanto o Grupo VW vendeu 10 milhões de carros no ano passado, a produção da Tesla ficou na casa dos 80 mil. Parece que “quem ri por último, ri melhor” nunca caiu tão bem como agora. Aguardaremos os próximos capítulos.