A bagunça que já foi a linha GM

O Chevette é um Kadett que deveria ter saído de linha para o próprio Kadett ser lançado aqui, mas não ficou como sucessor direto pois o Kadett antigo, chamado de Chevette, era um carro de entrada e o Kadett novo era de um segmento superior. O seu Vectra de ultima geração na verdade é um Astra de geração superior ao Astra que foi vendido ao mesmo tempo que o Vectra. E a Meriva, bem, é só uma Meriva mesmo.

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A Meriva é só uma Meriva mesmo

Carros rebatizados são comuns em diversos mercados, mas a situação entre as subsidiárias da GM era absurda. Os carros possuíam emblemas de diferentes, mas em quase nada diferiam na carroceria. Por que diabos a linha nacional da Chevrolet foi tão confusa durante os anos em que a influência da Opel era maior no Brasil? É o que iremos explicar nesse post, passando de modelo por modelo.

O Vectra e suas origens

Os sedãs médios sempre foram muito bem representados pela GM do Brasil. Na época do Monza, que chegou a ser o carro nacional mais vendido por três anos seguidos, todas as empresas do grupo GM fizeram o seu carro usando a plataforma J, até mesmo a Cadillac. Isso gerou confusão entre modelos que tinham visual diferente e os que eram simplesmente carros rebatizados.

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É um Cadillac mas a porta da traseira de Monza entrega as origens

A Opel, ex-braço alemão da GM, fez o Ascona de segunda geração, que definiu o que conhecemos como Monza. A Vauxhall, fabricante inglesa, simplesmente rebatizou o Ascona de Cavalier desde o primeiro Ascona. Com isso, tivemos três carros iguais com nomes diferentes. Há quem diga que adequações são necessárias de acordo com o idioma local (o Ascona era chamado de 1604 em Portugal porque Ascona é semelhante à um palavrão), mas certas denominações só deixam o consumidor mais confuso quanto a origem de seu carro.

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Vauxhall Cavalier Mk3, também conhecido como Vectra A em outros mercados, na carroceria notchback (de gosto muito duvidoso, diga-se)

Após a defasagem da família J, o Opel Vectra A surgiu para suceder (com maestria) o posto do Ascona. No Brasil, o Vectra também foi chamado de Vectra, mas na Inglaterra o nome Cavalier permaneceu. Ou seja, o nosso Vectra A também é conhecido como Cavalier. A confusão acabou com a chega do Vectra B, que passou a ser conhecido como Vectra em todos os mercados. Mas na Inglaterra a situação é bem estranha, porque eles tiveram o Vectra B sem ter o Vectra A, mesmo tendo o Vectra A (Cavalier).

Chevette, Kadett e Astra: Que?

Essa aqui é uma confusão nossa e da Vauxhall. A plataforma T da GM foi desenvolvida pela Isuzu e pela Opel. O Isuzu Gemini e o Opel Kadett C foram os pioneiros, mas depois disso vieram Pontiac T1000, Daewoo Maepsy e o Chevrolet/Vauxhall Chevette (e vários outros). Em quase todos os mercados os carros da plataforma T não tiveram um sucessor de mesmo nome, com exceção do Kadett que já usava um nome consolidado no mercado alemão.

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O Chevette inglês ainda teve uma versão focada nos ralis, a HSR

A confusão em nosso mercado se dá porque tivemos duas gerações do Kadett sendo vendidas simultaneamente, o Kadett C (com o nome de Chevette) e o Kadett E (chamado aqui de Kadett), os dois brigando em categorias diferentes. Em 1991 o Kadett E saiu de linha na Alemanha e foi sucedido pelo Astra, que foi chamado de Astra F justamente por ser o sucessor do Kadett E. Curiosamente, o nome Astra foi utilizado pela Vauxhall entre 1979 e 1991 para designar o Kadett D (sucessor do Kadett C, nosso Chevette, que nunca foi vendido no Brasil) e o Kadett E disponível na Inglaterra. Ou seja, Chevette, Kadett e Astra estão intimamente ligados.

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Argentino não tem o que fazer, na moral…

Todo Chevette foi vendido com emblema Chevrolet ou Vauxhall. A exceção se dá no mercado argentino, no qual o Chevette fabricado no Brasil e vendido por lá entre 1992 e 1995 com o emblema da GMC (subsidiária da GM que cuida de veículos pesados), e até hoje é o único sedã no mundo vendido sob a marca GMC (?).

Um sucessor para o Vectra B brasileiro

O Vectra B, vendido aqui entre 1996 e 2005, foi um excelente sucessor para o Vectra A. De sonho da classe média para um dinossauro no mercado, o Vectra B precisava ser substituído e na Europa ele foi: em 2002 o Vectra C surgiu, mas um pouco diferente do que imaginávamos, se tornando um carro maior em todas as dimensões (e motorizações). A GMB, vendo que o Vectra C não seria bem aceito no mercado nacional, tomou uma decisão tão controversa quanto vender o Vectra C por aqui cobrando muito mais do que o seu antecessor, e lançou o Vectra-Astra.

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O Vectra mais bem aceito pelos taxistas

O Vectra surgido em 2005 é na verdade um Opel Astra H, o sucessor do último Astra vendido por aqui e por ser um carro de categoria inferior, o Vectra-Astra recebeu acabamento piorado em relação ao seu antecessor, o plástico rígido estava em toda a parte. Detalhe: a carroceria sedã foi um projeto da matriz brasileira, o Astra sedã dessa geração só chegou na Europa em 2008.

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Parece o Vectra GT, mas é o Opel Astra H

Em 2007 a GMB ainda lançou o Vectra GT, que seria o Astra H hatchback levemente adaptado para o mercado nacional (acabamento e emblemas, basicamente), mas saiu de linha já em 2011 com a chegada do Cruze Sport6. Em suma: nós tivemos e não tivemos o sucessor do Astra G.

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Algumas coisas mudaram, mas a GM já foi isso aí tudo

Estes são só alguns exemplos da grande família General Motors, pois existem muitos outros. Mas a grande ironia de tudo isso é que, mesmo com nomenclaturas confusas e carros rebatizados, a linha GM do Brasil já foi muito mais interessante do que é hoje em dia.