As 24 Horas de Le Mans é mais que uma simples corrida

A esta altura vocês já devem ter lido bastante coisa de como foram as 24 Horas de Le Mans e, como vocês sabem, eu adoro frisar como todas as corridas do automobilismo mundial são especiais, mas Le Mans é diferente, é mais que especial, é linda, fantástica, fenomenal e, posso dizer até, cruel. Sim meus Amigos GearHeads, Le Mans é cruel, as equipes se preparam durante todo o ano, fazem testes e mais testes, investem milhões (as vezes até bilhões) de dólares, para uma das maiores disputas do mundo, um teste para equipes, pilotos e também os carros que muitas vezes acaba cedo demais ou até mesmo a poucos momentos do fim.

A Toyota sabe muito bem como Le Mans é cruel: quem não se lembra quando, em 2016, a poucos minutos do fim, o carro que estava na liderança da geral acabou quebrando e dando a vitória para a Porsche. Este ano um carro abandonou no meio da prova e outro após uma quebra acabou ficando várias voltas para trás. Se tem algum time que sabe a dor de perder as 24 Horas de Le Mans esse time é a Toyota.

Incrível seria essa maratona se um time da LMP2 pudesse ter vencido, não vou dizer que foi por pouco, mas não faltou muito para a vitória do LMP2 Oreca #38, da equipe Jackie Chan DC Racing Oreca, acontecer. Acredito que todos que estavam assistindo a corrida, até mesmo os torcedores da Porsche, estavam torcendo para o triunfo da equipe, seria talvez o triunfo mais épico da história do automobilismo, mas não, os deuses do automobilismo preferiram fazer com que a Porsche tivesse uma vitória das vitórias mais trágicas possíveis.

Mas Le Mans é isso, enquanto as 24 Horas não forem completadas, não é possível saber quem vencerá, ela sempre nos prepara surpresas do primeiro ao último segundo da corrida e muitas vezes até horas depois do final da corrida, como por exemplo o time de Nelsinho Piquet, que foi desclassificado da corrida, pois seu carro estava com um problema (pasmem) no motor de arranque (que nem meu 206 esses dias) e para não precisar colocar o carro na garagem, tirar a tampa do motor e trocar o motor de arranque, eles fizeram um furo na tampa do motor (sim, um furo estilo AP fuçado com escape saindo no para-lama) e toda vez que o carro parava nos boxes, os caras davam umas marteladas pelo buraco para o carro ligar. Como no carro homologado não havia esse buraco, a organização desclassificou o carro do brasileiro que havia chegado em terceiro na geral e em segundo em sua classe. Le Mans é cruel.

E a corrida nos deu emoção até o final, numa belíssima batalha entre Aston Martin e Corvette, onde a Aston venceu e o Corvette terminou se arrastando com um pneu furado, mas lutou bravamente até o fim.

As 24 Horas de Le Mans é mais que uma corrida, é uma maratona para equipes, pilotos e, principalmente, para os carros. Por mais que o mais importante seja vencer o principal de tudo é participar, colocar um carro para correr durante 24 horas, sem parar, aguentar o tranco, uma prova onde todos os limites são testados e nem todos conseguem chegar ao fim, mas aqueles que chegam são tão vencedores quanto aqueles que chegaram em primeiro. Porque Le Mans é isso, onde o espírito do automobilismo respira na sua mais pura forma.

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