Dirt Rally: O game que me fez trocar Nürburgring Nordscheleife por Pikes Peak

Eu amo bons jogos de corrida. Ao contrário de muita gente não ligo muito se o foco do jogo é simulação ou arcade, o jogo tem que ser bom e é isso que importa. Tem que me entreter e divertir.

Imagino que, se você leitor nasceu no início da década de 90, o primeiro contato com um jogo decente de corrida foi a franquia Gran Turismo. Sou tão fã da franquia que a música de abertura do GT4 e uma do GT2 foram as minhas escolhas nesse post. Gran Turismo foi o primeiro jogo de corrida que me fazia dedicar boas horas do meu tempo livre em busca de melhoria nos tempos, testes em outros carros, etc., mais até que muitos JRPG que eu era extremamente viciado na época.

Por mais que eu também curtia jogar os Need for Speed da época, Gran Turismo sempre era prioridade. Até que eu joguei o meu primeiro jogo de rally:

Sério, olhem essa abertura de game, que coisa absurda! Até efeito de câmera “chute da Trinity” tem! E os dizeres “2.000 RPM”? Muita adrenalina!

O vicio que tomou conta de mim foi tão grande ou até maior que nos Gran Turismo. Por mais que tivesse uma mecânica mais simples, era igualmente viciante. Gastei MUITAS horas na busca de 100% do jogo e, de acordo com meu progresso, acabei conhecendo e apanhando para aprender a controlar algumas lendas do Grupo B: Audi Quattro, Peugeot 205 T16 e 405 T16 de Pikes Peak.

Além de ir liberando os carros com tempo, havia uma imensa surpresa ao conseguir 100% do jogo:

Imagina um menino de 10 anos vendo esse vídeo pela primeira vez. Inesquecível

Fast Foward mais de 15 anos depois

Meu irmão comprou um Xbox 360. Na época eu tinha abandonado o mundo dos games e só queria saber de jogar FPS da vida. Foi então que apareceu um tal de DiRT 2 em casa. Todos os momentos meus de alegria e nostalgia voltaram forte ao jogar um jogo de rally tão divertido quanto aquele. Acho que até hoje é o jogo mais divertido que joguei de corrida, batendo NFSU2, Forza Horizon e mais tantos outros na pegada mais “arcade”.

Musica boa, clima de X-Games, sensacional!

DiRT 2 está longe de ser um jogo perfeito, seleção de carros bem estranha para Rally, mas tinha uma categoria de carros chamada “Trailblazer” que eram monstros absurdos em termos de potência e apêndices aerodinâmicos

Subaru Trailblazer
Olha o tamanho dessa asa traseira e o difusor!
dirt_2___dallenbach_special_trailblazer_by_850i-d844lgd
Melhor carro do jogo para Trailblazer: Dallenbach Special

Pesquisando sobre o carro da foto acima vi que ele corria em Pikes Peak e ficava pensando “por quê diabos não tinha Pikes Peak no jogo?”.

Joguei muito também DiRT 3. E a vontade de jogar em Pikes Peak só aumentava. Ainda mais com carros como Peugeot 405 T16, Toyota Tacoma Pikes Peak, o Hyundai RMR do Rhys Millen e nada de ter a pista. Mas tudo mudou com o lançamento do DiRT Rally.

Reparem que é uma abertura bem mais pé no chão

Como quase toda série muito longa de games, chega um ponto que algo sai errado e eles precisam voltar as origens. Tem game que até estampa o nome “Origins” por aí… E o DiRT Rally é basicamente isso. Uma volta às origens da franquia. Depois de muitas críticas que o DiRT 3 tinha muita Gymkhana e Ken Block (isso que nem falei do Dirt Showndown)… O novo game foge ABSURDAMENTE disso tudo focando apenas em Rally, RallyCross e Hillclimb.

Era tudo o que eu queria, mais rally e pouca frescura. De novo eu estava abandonando um jogo de corrida em pistas (Forza 6) para jogar um jogo de Rally. Mas não foi nem um pouco fácil se acostumar com o novo jogo. Não se assemelha em quase nada a física com os seus predecessores (sempre achei que os carro tinham muito grip pra quem ta andando na terra…) e é muito, mas MUITO mais difícil.

A seleção dos carros não é perfeita, mas melhorou muito no sentido de ‘realismo’ do que os outros. Antes era possível fazer um Rally com BMW Z4, Nissan 350Z e andar pau a pau com Subaru STI, Lancer Evo… Agora os carros são separados por épocas dentro de cada classe. A escolha parte desde Mini Cooper da década de 60 até o campeão atual do WRC, o Volkswagen Polo, passando pelos monstros do Grupo B e no Grupo A dos anos 90.

Depois de uns bons 3 meses jogando, finalmente consegui pegar a prática dos Rallys e comecei a jogar melhor sem sofrer tanto a cada curva, mas ainda sim sofro com os RWD…

Lancia Stratos. Reparem como pego leve no acelerador. Correr a noite dificulta bem as coisas…

Mas com os 4WD, creio que estou me saindo bem:

Polo WRC na Finlandia. O carro que tem comportamento mais neutro no jogo. Mas ainda assim teve alguns errinhos

Lancia Delta HF Integrale: Reparem como ele é um carro muito mais solto que o Polo. Para o jogador dá pra sentir a diferença brutal entre suspensões dos dois carros, no final tem um erro bem forte…

Conquistando a montanha de Pikes Peak

Como eu disse no título do post, esse jogo me permitiu matar a vontade de conhecer Pikes Peak. Tanta a versão antiga, 100% de terra, quanto as mais recentes, com asfalto em aproximadamente 50% da pista e a atual, 100% asfaltada. Não sei se é uma falha da dinâmica do jogo ou não, mas jogar com a pista asfaltada é muito mais difícil do que na terra.

Os carros disponíveis são Peugeot 205 T16, Audi Sport Quattro S1, Peugeot 405 T16 e Peugeot 208 T16. O comportamento dinâmico de cada um não poderia ser tão brutalmente diferente um do outro. O Peugeot 205 consegue ser mais insano que a sua versão do Grupo B, tem um turbo lag INSANO. Sabe aquela piada do AP Treskilimei? Se aplica a esse carro: em rotação máxima ele opera com 3 bar de pressão no turbo.

205_specs

E isso torna o carro MUITO difícil de guiar. A força dele é absurda, entre eixos muito curto somados ao câmbio de apenas 5 marchas, tem que ter muito feeling para jogar bem com esse carro. Short-shift tem que ser muito bem executado para não matar o carro em rotações baixas e ficar sofrendo com o lag, as curvas tem que ser feitas de maneira muito calculada, a impressão que passa é que você está 100% do tempo se esforçando apenas para manter o carro na pista, quando o turbo enche o carro sai demais de traseira. Por falar em turbo encher, esse é um carro que tem que usar o clutch-kick direto para perder menos tempos em curvas de baixa.

205_3bar
Reparem a pressão do turbo em quase 3bar…

O Audi já é bem mais dócil e fácil de controlar, e acabou se tornando meu favorito. Por ter entre eixos maior e turbo com menos pressão, todas as dificuldades do 205 somem com esse carro. O cambio dele é de 6 marchas, o que facilita e muito a não cair no lag, mas longe de ser inexistente. A taxa de restarts minha com esse carro é a menor em Pikes Peak.

Audi_specs

Audi 1_2bar
1,2 Bar deixa o carro muito mais dócil para extrair o máximo

O Peugeot 405 é o completo oposto do 205. O que o 205 tem de lag, esse não tem. O que o 205 saia de traseira, o 405 sai de frente. Perto do Audi e do 205, é até um carro chato de guiar, não dá pra fazer as curvas totalmente de lado, tem que ter um approach mais convencional com as curvas. É um carro que a curva de aprendizado para virar tempos rápidos é maior, confesso que estou longe de extrair o máximo dele.

405 - Specs
Ainda acho que as especificações desses carros estão bem abaixo do que realmente eram…
405_2bar
Em comparação com o 205, esse daí quase não tem nada de turbo lag

O traçado

Comparado com Nürburgring Nordschleife, Pikes Peak é tão difícil quanto ou até mais para decorar. O comprimento de ambas é bem próximo: 20 km para a montanha do Colorado contra 21 km do circuito alemão. Mas a diferença e o que, pelo menos para mim, dificultou mais é a quantidade curvas de cada uma. Pikes Peak tem 156 curvas e se tiver 10 que não sejam cegas são muitas. Nürburgring depende da contagem, tem 73, mas que não seguem uma contagem muito convencional. Outro fator que não ajuda a decorar é a semelhança em diversos pontos de Pikes Peak. Durante o processo de decorar a pista eu me confundia MUITAS vezes com alguns trechos da pista. E em todas as vezes eu achava que era uma curva mais suave do que realmente era. Em Nordschleife isso acontecia comigo apenas em 2 pontos após o Karusell. O que facilita em Pikes Peak é que quase em 100% do tempo você está subindo (são 1.440 metros de subida!), então diminuir a velocidade por conta de uma cagada acaba sendo um pouco mais fácil. O problema é que quase nenhum lugar tem guard rail pra te segurar.

O bom de tudo isso é que eu adicionei mais um lugar que preciso ir conhecer de carro. Essa montanha do Colorado agora está na minha lista de viagens GearHeads logo após Nürburgring. Fiquem agora com a melhor run nesse lugar absurdo.

segunda melhor ‘volta’ que dei até hoje.

E eu acho que eu realmente fiquei viciado nesse negócio. Tanto que no dia 14/06/2017 acabei fazendo o melhor tempo mundial do desafio diário: Pikes Peak na chuva com o Peugeot 205 T16 sem poder alterar setup! Nunca achei que seria top mundial em um jogo de corrida algum dia (não gravou o vídeo porque o HD do meu Xbox One está cheio, shit happens)!

205
Até eu tenho um mundial e o Palmeiras não.

Quem quiser me adicionar na Live para tomar benga nesse e em outros jogos segue a Gamertag: Campola Man.