Analógico vs Digital

Dois superesportivos, ambos impulsionados por motores turbinados. Ambos conseguiam fazer de 0 a 100 km/h em menos de 4 segundos e atingiam velocidade máxima acima de 300 km/h. Ambos deixaram sua marca no tempo e em pôsteres colados nas paredes dos adolescentes do final dos anos 80 e começo dos 90.

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Apesar de parecem iguais no mundo dos números, eles não poderiam ser mais diferentes em conceito e utilização, um definindo parâmetros para uma nova era, o outro encerrando o então período presente com chave de ouro. Mas quem são eles?

Acertou quem disse Porsche 959 e Ferrari F40. São grandes ícones dos anos passados, com uma rivalidade comparável a Mega Drive vs. Super Nintendo, ou Nike vs. Adidas.

O alemão é equipado com um motor boxer de 6 cilindros e 2,8 litros, twin turbo, gerando 450 cv a 6.500 rpm e 51 kgfm a 5.500 rpm. Alcançava 100 km/h em 3,6 segundos graças a tração nas 4 rodas e a velocidade máxima é de 317 km/h. Foi lançado em 1987 e se tornou um marco na história da Porsche, mostrando como a solução “antiquada” do motor refrigerado na traseira e pendurado na traseira ainda poderia ser muito rápida.

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Já o último carro projetado sobre as ordens do Comendador Enzo Ferrari, era equipado com um V8, também twin turbo, de 2,9 litros, aproveitado da não menos mítica Ferrari 288 GTO. Tinha 28 cv a mais que o concorrente adorador de chucrute e 7,8 kgfm a mais. Era mais lento no 0 a 100, gastando 3,7 segundos, mas conseguia empurrar uma velocidade máxima maior, com 324 km/h.

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Apesar dos números parecidos, a diferença entre os carros era gigante. Enquanto o italiano era leve, justificando seu o peso de apenas 1235 kg era graças à retirada de todos os luxos possíveis (apenas o ar condicionado estava disponível para o felizardo piloto ter o mínimo de conforto a bordo), o descendente do Fusca, tinha suspensão a ar, direção hidráulica, vidros elétricos, bancos em couro e vidros elétricos.

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Antes do 959 os carros esportivos eram carros duros, difíceis e cansativos de dirigir, coisas somente para entusiastas, pessoas com habilidade e que aceitavam os desconfortos em troca do prazer de dirigir uma máquina de altíssimo desempenho.  O Porsche redefiniu isso, mostrando que os carros poderiam ser rápidos, mas dóceis, confortáveis e possíveis de serem dirigidos por todos sem maiores dificuldades, qualidades que são obrigatórias em todos os superesportivos atuais.

Já a F40 foi o último carro que realmente só importava-se a performance. Nada mais que performance. Era difícil de pilotar? Sim, mas é rápido. É desconfortável? Sim, mas é rápido. O acabamento era espartano? Sim, mas é rápido. Tudo é feito para ser rápido.

Essa batalha, que aconteceu no lançamento da F40 em 1992, foi claramente o analógico contra o digital. A F40 era o porrete enquanto o 959 era a arma de raios do MIB. Ambos, se bem usados, são capazes de grande poder de destruição, cada um com um tipo de diversão. O perfil de dono diz muito sobre o carro, um dos donos de 959 mais famosos foi Bill Gates, e o da F40? Nigel Mansell.

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959 e meio. Versão nacional do Porsche

Obviamente vemos que a Porsche ganhou essa batalha. Os eletrônicos com ABS, controles de tração e demais salva guardas computadorizadas são mais seguros que brutalidade e habilidade necessários na casa de Maranello. Apesar da F40 ser mais lembrada na história, o “padrão digital” do 959 se tornou obrigatório no mercado de carros de alto desempenho, até mesmo devido ao peso e potência que esses carros alcançaram.

E você, é uma pessoa analógica ou digital?

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Apesar da rivalidade, todos sabem quem é o maior