Como fazer seu carro andar mais sem gastar um centavo

ganhar desempenho redução de peso

Publicado originalmente em Educação Automotiva

O título deste artigo parece uma chamada de marketing de algum produto automotivo que promete milagres, mas entrega resultados nulos ou muito aquém do esperado.

Nada disso.

Estas práticas descritas abaixo são consagradas e aplicadas em competições desde tempos imemoriais. E você pode usar no seu carro com excelentes resultados. Sem gastar um centavo. 

Todos nós sabemos que há duas maneiras básicas de melhorar a performance de um automóvel ou motocicleta: aumentar potência e torque do motor ou reduzir o peso do veículo. Mas como fazer isso sem custo?

No primeiro caso, o de aumento de força do propulsor, há uma técnica a qual não exige gastos: retirar o filtro de ar. 

Ao fazê-lo, há um ganho sensível de potência, pois o componente cria resistência à passagem do ar da atmosfera para o motor, permitindo maior fluxo de comburente para a câmara de combustão.

O sistema de injeção adapta a quantidade de combustível à entrada de ar no motor, resultado em mais potência e torque.

Porém, fique atento com as implicações da retirada do filtro de ar. Devido à maior injeção de mistura ar-combustível, há um aumento de consumo natural junto com o aumento de desempenho.

Entretanto, deve-se ressaltar que o filtro de ar impede a entrada de impurezas no motor, e sua ausência permite a entrada de contaminantes, prejudicando o óleo e causando acúmulo de sujeira no motor, podendo causar a perda do mesmo se praticada por muito tempo.

Se no lado do aumento de desempenho há pouco a fazer sem custos, há uma infinidade de opções no que concerne à redução de peso.

Um carro de passeio contém muitos componentes para melhorar o conforto, conveniência e acabamento. Assim, estes agregados “engordam” o automóvel em até 30% de seu peso, e sua retirada trará ganhos de desempenho com redução de consumo.

Em um modelo compacto, pode-se reduzir de 30 a 70 quilos sem dificuldade, podendo chegar a mais de 200 em SUV´s grandes. Ressalto novamente: sem gastar um centavo.

A lista abaixo contém os componentes a serem retirados e uma estimativa de “emagrecimento” do automóvel.

ALTERAÇÕES REVERSÍVEIS SEM CUSTO

Os itens de 1 a 6 são os mais elementares, sem custo e facilmente reversíveis para a configuração original:

1. Estepe – de 20 a 40 quilos;
2. Banco traseiro – de 10 a 30 quilos;
3. Painéis de porta – de 5 a 15 quilos;
4. Banco do passageiro – de 8 a 15 quilos;
5. Peças plásticas de acabamento (tampa do porta-luvas, console central, cobertura do motor, etc): de 3 a 10 quilos;
6. Agregados de acabamento e conveniência (rádio, alto-falantes, módulos, tapetes e carpetes, entre outros): de 1 a 10 quilos, dependendo da quantidade e modelo do carro.

ALTERAÇÕES NÃO REVERSÍVEIS SEM CUSTO

Os itens de 7 a 12 mostram medidas mais radicais, ainda sem custo com novos componentes. Porém, recomenda-se ajuda profissional para não haver problemas na remontagem. Os processos podem ser irreversíveis:

7.Retirada do carpete, para-sóis e forração do teto: de 10 a 20 quilos;
8.Retirada do painel de instrumentos e seus agregados: de 10 a 30 quilos;
9.Retirada de faróis, lanternas, grades e acabamentos externos: de 5 a 15 quilos;
10. Retirada de agregados de conforto como ar condicionado e direção assistida: de 15 a 30 quilos mais leve com ganho de potência – 1 a 3 cavalos.
11. Retirada do capô e tampa do porta-malas: de 20 a 50 quilos;
12. Retirada total das portas: de 20 a 100 quilos.

Colocando na ponta do lápis, a redução estimada gira entre 30 quilos na redução dos itens de 1 a 6 – cálculo para um modelo compacto antigo, sem equipamentos como rádio, direção assistida ou ar condicionado, como o Fiat Uno Mille – a mais de 400 quilos, caso de um SUV grande como Toyota Hilux SW4 ou Hyundai Santa Fé, com todas as reduções possíveis.

Advertência 1 : a retirada de itens como estepe, faróis, lanternas, capô e tampa do porta-malas deixam o veículo inadequado para trafegar nas ruas devido à obrigatoriedade dos itens citados, podendo levar a multas e apreensão do veículo.

As práticas dos itens de 7 a 12 costumam ser utilizadas pelos aficionados em track days, ou seja, para competições em pistas. As modificações costumam ser feitas por profissionais e quase sempre são irreversíveis. Apesar de não exigir novos componentes para aumento do desempenho, pode exigir a instalação de itens de segurança muito caros.

Advertência 2: há a obrigatoriedade da instalação de itens de segurança como gaiolas, redes nas janelas e bancos especiais de competição, como no carro da imagem que ilustra o artigo – o que faz as modificações deixarem de ser sem custo se o “piloto” desejar participar de corridas oficiais. O custo zero se sustenta apenas para uso não-oficial e oferece sérios riscos à segurança.

Claro que há muitas possibilidade de melhoria de desempenho e redução de consumo a ser sugeridas, com a compra e instalação de centenas de componentes como preparações para o motor, peças de carroceria feitas de alumínio ou fibra de carbono, kits aerodinâmicos, molas e amortecedores de competição, rodas e pneus diferenciados, reforços estruturais e uma miríade de componentes para transformar um veículo de rua em um carro de corrida.

CONCLUSÃO

Quem cresceu jogando a série Gran Turismo conhece muito bem as modificações possíveis e seus custos. E como fazer seu carro normal emagrecer, andar mais e consumir menos sem custo e com pouco trabalho.

Caso seu objetivo seja participar de um track day, mantendo a aparência e as características para o uso do dia-a-dia, os itens de 1 a 6 trazem ganhos de décimos de segundo nas acelerações e retomada e ligeira melhoria na estabilidade em curvas, para depois remontar tudo e retorná-lo ao uso diário.

Se a sua proposta for mais radical e a prioridade consistir no uso de pista, os itens de 7 a 12 melhoram ainda mais a performance. Apenas se lembre de que a reversão da redução de peso custa caro.

Um “piloto” mais abastado, com orçamento de cinco dígitos, pode instalar componentes de alumínio e fibra de carbono para se aproximar o máximo de um carro de pista, ao estilo da Stock Car Brasil.

Desde os primórdios do automobilismo, o qual remonta à primeira década do século XX, retirar todo o “peso morto” do veículo – ou “depená-lo” – consiste em medida fundamental para transformar um modelo de rua em um de pista.

Gostou do artigo. Confira mais em Educação Automotiva e curta nossa página no Facebook.