AGH Dicurrida! Parte 1 – Ferrari VS Ford

Você, querido gearhead que nos acompanha, viu que batemos a marca de 10.000 puxa sacos seguidores no Facebook. A partir de agora, como o AGH também é cultura, vamos começar com uma série de histórias ligadas ao automobilismo. Pilotos, marcas, corridas, cagadas, porradas… Tudo que você gostaria de saber mas ninguém conta porque não sabe, aqui você descobre.

Nossa história começa com duas marcas emblemáticas: a Ford (não precisamos dizer por quê) e a Ferrari, que no pós-guerra ficou conhecida por ganhar várias corridas com carros Alfa Romeo mexidos e logo depois fazer seus próprios carros, dominando em Le Mans de 1960 a 1965. É sobre essa rivalidade que vamos entrar em detalhes hoje.

“Asas batendo, marcha de decolagem, turbinas e já!!!”

Henry Ford II fez uma “proposta irrecusável” (quem lembra de “O Poderoso Chefão”?) ao o Comendador chato e ranzinza Enzo Ferrari para comprar a Ferrari. Como ele era durão, a proposta foi recusada e Henry Ford II começou seu plano de vingança. Murica yeah! Logo, ele percebeu que precisava tirar a Ferrari do jogo de Le Mans, onde uma derrota para a marca italiana seria um abalo no peito do Comendador. Assim começou a história de uma lenda do automobilismo mundial: o Ford GT40, produto de vendetta entre as duas marcas.

O Ford GT40 nasceu de uma parceria entre a Ford UK e a Lola. Chassis e carroceria ingleses, motor americano. O carro já nasceu um clássico e foi ele quem começou a utilizar a emblemática pintura azul e laranja da Gulf Mirage (que mais tarde viria a patrocinar a Porsche). Já a Ferrari tinha ganhado em 1965 com uma 250 LM da NART, equipe norte americana. Para 66, eles começaram a desenvolver a 330P, mas algumas equipes independentes ainda usaram a 275 GTB.

Numa corrida que foi disputada em sua maioria debaixo de chuva, a Shelby American Inc. ficou em primeiro e segundo lugares, com outro GT40 de uma equipe independente em terceiro e um batalhão de Porsches 906 logo após, com a primeira Ferrari vindo somente em oitavo. A vingança do barão americano sobre o mafioso italiano estava completa… Ou não!

Imagina se o comendador ficou puto?

Em 1967, talvez foi uma das provas mais emblemáticas da história de Le Mans. A Ford tinha seu novo GT40 Mk IV e a Ferrari tinha feito novas 330P4. Seu design ficou a cargo de um habilidosíssimo construtor de carrocerias italiano radicado na Venezuela, Piero Drogo. O carro ficou belíssimo, com os poderosos motores V12 e uma direção afinadíssima. E, bem, o Ford GT, com cara de carro americano. Era o total embate USA X ITALIA, potência x precisão de pilotagem. E foi exatamente nesses quesitos que a corrida foi decidida.

Um Ford e uma Ferrari, os dois a 300, quem chega primeiro?

Le Mans tinha uma reta gigantesca de 6 quilômetros, sem contar a reta em descida após a curva Mulsanne que terminava na curva Indianápolis, Arnage, e depois mais retas. Isso era um prato cheio para o Ford, não fosse seus freios e motor sensíveis. O carro tinha de ser pilotado com o mínimo de esforço possível, pois era frágil. Mas Dan Gurney, que estava no Ford líder da prova, sabia cuidar do carro. A Ferrari descobriu isso durante a corrida e mandou seu melhor piloto, Mike Parks, caçar os carros americanos. Durante a noite, Parks conseguiu alcançar o Ford, e ali ficou, atazanando a vida de Gurney. A Ferrari não pretendia ultrapassar, mas forçar o Ford a quebrar pela sua fragilidade. Irritado com o insistente jogo de luzes da Ferrari, Gurney estacionou seu carro na Arnage, e ali ficou. Mike fez o mesmo, mas logo após percebeu que era uma luta sem fim para Maranello e devagar, saiu com seu carro.

Mais um ano e a Ford ganhara no território que era da Ferrari, e assim o fez de novo em 68 e 69. Henry Ford II, enfim, teria sua vingança completa.

Depois da Ford, outra marca iria dominar La Sarthe e as provas de longa duração. Dizem que essa marca tem o verdadeiro cavalo rampante, com motor traseiro. Mas isso é história para outro post.

Até logo!