Os italianos não ligam mesmo para seus carros de uso diário

Caros amigos, estou há um tempo na terra do macarrão, conhecendo um pouco mais do que significa veículo para eles. Tive a grandíssima oportunidade de viajar da região de Abruzzo até a Sicília dentro de um camper com a família. Uma viagem rápida, de apenas 12 horas (mais ou menos, pois não sou bom em lembrar coisas).

Igual a essa, mas não é essa

As coisas começaram empolgantes, primeira viagem de camper, excitação por algo diferente que acabou poucos minutos após o nascer do sol. O sol subindo e o calor também, às 7 horas da manhã já estava insuportável estar dentro daquele trailer. Por quê? Pois o ar-condicionado não funcionava. Com 40ºC, mais parecia uma sauna seca que um veículo.

Suando por lugares antes inimagináveis, fizemos a travessia da Calábria para Messina, onde deixamos para trás grandes autoestradas para pegar estradas menores, porém ainda muito bem feitas e sinalizadas.

Stretto di Messina

Depois de perder três quilos apenas suando, chegamos ao nosso destino final, uma cidade pequena na província de Enna, com cerca de 13 mil mafiosos habitantes. Agora tudo o que conhecia sobre trânsito caótico mudou, parecia que tudo que já vivenciei em São Paulo (e até Roma, que era tão horrível quanto São Paulo) estava no modo easy da vida.

A cidade é antiga (datada de 1400) e não-planejada. Construções foram surgindo onde antes eram campos abertos e livres. Sobrados e mais sobrados, uns colados nos outros, surgiram e criaram a forma da cidade de hoje em dia. Porém tudo isso aconteceu quando carros não existiam, quando eram raros, quando eram apenas para mafiosos e hoje em dia carro é algo para todos! Pois bem, o mundo rodou, rodou e rodou e hoje a pequena cidade tem uma cinquentinha para cada adolescente (a habilitação apenas para essas motos podem ser feitas para adolescentes de 16 anos e BOOM! uma onda de motos que fazem barulho 24 horas por dia).

Pequenos acidentes na ilha

Assim que chegamos, ralamos a lateral do camper, coisa básica. O FIAT Uno que esbarramos estava estacionado onde não poderia estar, as ruas são estreitas e esquinas mais apertadas ainda. Paramos e descemos para conferir e já apareceram parentes do dono e curiosos para palpitar no que aconteceu, afinal estamos na Itália.

Um outro ralado, foi algo mais corriqueiro. Estávamos dentro de um Opel Astra (ou Vectra GT para tupiniquins) e um outro carro cruzou na nossa frente, em uma avenida movimentada, e bateu retrovisor com retrovisor, vaffanculo pra cá, vaffanculo pra lá e a vida segue, e os dois carros agora com mais uma marca de batalha, trincos e ralados de uma vida agitada.

Perdendo o cabaço: Minha primeira vez dirigindo na Itália

O primeiro contato ao volante que tive foi logo no dia que chegamos, peguei a FIAT Croma 1.9 Multijet (diesel) 16V com 150 cavalli italianos. Tudo parecia legal, carro grande de família, que andava bem. Só que não! Com essas ruas estreitas, praticamente em todas as esquinas me deparava com carros parados em cima da calçada, tinha que fazer manobra para entrar à esquerda ou direita. Mãos suando pois o carro não era meu e não queria deixar mais uma marca de batalha nas suas laterais. Máximo cuidado ao aproximar-me das esquinas, pois NINGUÉM olha antes de passar, independente da preferência ser sua ou não, apenas vão com fé. Quantas vezes não tive que desviar de loucos virando na minha direção, na contra-mão e acelerando? E isso não é apenas com jovens, acontece com todas as idades, ninguém respeita ninguém. A verdadeira definição de a regra é não existir regra.

A verdade

O que realmente acontece é que as pessoas não se importam com seus carros normais, são nada além de veículos para te levar de A até B. Ruas pequenas, com 4 metros de largura, carros estacionados sobre a calçada, pessoas acelerando entre as esquinas e ninguém se preocupando. Essa é a razão de 99% dos carros terem ralados e cores que não são de fábrica.