O Honda Fit 2018 não faz sentido

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Mudanças sutis marcam a linha 2018

O Honda Fit 2018, que é um facelift e não uma geração nova, trouxe novidades que podem ser resumidas em um só parágrafo, saca só. A nova central multimídia (finalmente) permite espelhamento do seu smartphone via Android Auto ou Apple CarPlay. O câmbio CVT agora permite trocas simuladas através de borboletas no volante, são até 7 marchas disponíveis. A frente recebeu luzes diurnas de condução e o conjunto ótico ganhou faróis completamente em LED. Também é possível colocar até seis airbags no monovolume da Honda. A direção, com assistência elétrica, usa um motor sem escovas (brushless) para reduzir o peso e aumentar o feedback para o motorista. E, finalmente, o Fit ganhou controles de tração e estabilidade. Mas nem tudo são flores, muito pelo contrário, vários pontos não fazem sentido no Fit 2018 nacional.

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Talvez se fosse essa seria até mais legal

A Honda parece ter se inspirado no mercado de peças paralelas: a moldura da lanterna que acompanha o vidro do porta-malas agora possui iluminação em LED, semelhante à peças vendidas no eBay para o Fit que já conhecemos. A beleza é discutível, mas com certeza é melhor do que ter apenas um vão refletivo como era antigamente.

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O carro está maior… por fora!

A fabricante nipônica ainda afirma que o carro ganhou 10 centímetros. E se você entende o mínimo de automóveis e leu que o novo Fit não é mudança de geração, provavelmente deve ter sacado que esse aumento não foi no entre-eixos. Fala sério, qual é o benefício de aumentar 8 centímetros no para-choque traseiro e 2 centímetros no dianteiro? É para ficar mais suscetível à encostadas na hora de estacionar?

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Só eu acho esse ar digital inseguro?

Outro ponto que não faz sentido no novo Fit é adição do ar-condicionado digital automático mas não pela adição em si, que é muito bem vinda por sinal, e sim pela peça utilizada pela Honda. A interface totalmente touch, vinda do HR-V, é muito bonita, torna-se bastante discreta ao desligar o carro e tudo mais, mas ela pode ser um problema: por não possuir uma resposta tátil ao toque, não é possível saber que “botão” está sendo acionado sem desviar o olhar da pista. Tente mudar de música no seu celular sem olhar para tela enquanto dirige, a sensação será semelhante. Aliás, não faça isso.

Diferenças entre a versão EXL e a DX

A central multimídia, os seis airbags e os faróis de LED estão disponível apenas na versão topo de linha EXL CVT, de R$ 80.900. Abaixo dela está a EX CVT, de R$ 75.600, que traz as luzes diurnas de condução, câmera de ré com três posições, aletas atrás do volante para a simulação das marchas e quatro airbags. E é isso, as novidades mais legais ficaram restritas às versões mais abastadas.

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Outro Fit EXL, na cor branca perolizada

Ao menos os controles de tração e estabilidade vêm desde a versão DX, única manual e que custa R$ 58.700. Há ainda a versão Personal, focada em vendas para Pessoa com Deficiência (PcD), de R$ 68.700, novidade na linha 2018. E acima dela, a versão LX CVT por R$ 70.100 ganha faróis de neblina e controle de som no volante. O Fit 2017 começava em R$ 57.700 e terminava em R$ 78.900, e agora que a barreira dos 80 mil foi rompida o céu é o limite.

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A traseira mudou um pouco

A maior bola fora, porém, do Fit 2018 é manter o motor da família L15, que produz 116 cv a 6.000 rpm e 15,3 kgfm a 4.800 rpm. Essa usina de força, por sua vez, é provinda do L15A7, que nos acompanha desde a segunda geração do Fit e teve um leve incremento de torque (de 14,8 para 15,3 kgfm na mesma faixa de giro) na terceira geração.

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A moderna usina de força disponível para os argentinos

Enquanto isso, os argentinos receberam este ano o Fit 2018 de verdade, que tem todas essas modificações estéticas e ainda vem com o motor L15B1. Esse novo quatro cilindros ganhou uma série de novidades para gerar 132 cv a 6.600 rpm e 15,8 kgfm a 4.600 rpm, incluindo injeção direta de combustível e duplo comando de válvulas variável. Apesar de tudo ele perdeu o i-VTEC para se tornar EarthDreams, mas essa é a tendência dentro da Honda.  E por quê os hermanos se deram bem e a gente não? A explicação é simples: o Fit vendido lá vem do México, que abastece também o mercado americano, que recebe o Fit com injeção direta desde 2015. Como o nosso é fabricado aqui o motor permaneceu nacional, muito provavelmente para não encarecer (mais) o produto.

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E esse aqui, como fica?

A robustez e a praticidade do modelo sempre fizeram do Fit um carro bem vendido, com fãs tanto da versão CVT quanto da manual. Mas será que essas mudanças serão o suficiente para o modelo de entrada da Honda manter-se firme no mercado? E outra: como o WR-V fica depois dessas mudanças no Fit?