Pare tudo o que você está fazendo para ver essa BMW M1 cuspindo fogo

O BMW M1 é um carro histórico. Além de ser o veículo da BMW ProCar, um campeonato monomarca que serviu de base para a F1, o superesportivo é lendário em várias outras características. O cabeçote do motor M88 serviu de base para o do S14, que é o quatro cilindros em linha que equipou nada mais nada menos que a M3 E30 (já contamos essa história aqui).

M1 front
O M1 em sua cor mais clássica

Trata-se do único BMW com um motor central-traseiro da história (porque o i8 tem um motor central-traseiro, mas também tem motores elétricos na dianteira), tornando o M1 o único superesportivo da marca. Sem mais delongas, fiquem com o vídeo:

No vídeo, filmado pelo canal NM2255 Car HD Videos, o emblema duplo da marca bávara na traseira do carro é completado pelas labaredas vindas do escape de corrida dos modelos ProCar. Aos que não sabem, contaremos um pouco da história desse icônico esportivo.

Piquet 80
ProCar que Piquet pilotou em 1980

O M1 foi criado para ser o suprasumo da BMW. Nos anos 70 ainda não havia um superesportivo da marca, apenas cupês, sedãs, peruas e conversíveis, mesmo que de alto desempenho.  Para participar do Mundial de Carros de Turismo, era necessário uma máquina mais afiada. Só que, para isso, também era preciso fazer 400 unidades de rua, mas a divisão Motorsport, que ficou encarregada do projeto, não tinha essa capacidade fabril.

Nessa situação complicada, a BMW contatou Feruccio Lamborghini para ajudar no novo modelo de motor central-traseiro. Além disso, eles se basearam no conceito apresentado em 1972, o Turbo, que foi desenhado por ninguém menos que Giorgio Giugiaro. Chamado internamente de E26, o esportivo recebeu sinal verde em 75, teve seu primeiro protótipo apresentado em 77 e em 78 o modelo final foi lançado no Salão de Paris. Foi o primeiro carro de rua com a participação integral da divisão Motorsport.

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635 CSi, doador da usina de força do M1

O motor é um seis-em-linha baseado no 635 CSi, só que com cabeçote de alumínio com duplo comando de válvulas e quatro válvulas por cilindro. O virabrequim passou a ser de alumínio forjado e a taxa de compressão era mais alta, de 10,5:1. Com sistema de injeção mecânica Kugelfischer (usada também pela Porsche) e lubrificação por cárter seco, a versão de rua chegava a saldáveis 277 cv a 6.500 rpm (contra 218 do motor do 635 CSi) e 33,6 kgfm a 5.000 rpm. Os 1.440 kg eram movidos até os 100 km/h em apenas 5,4 segundos. A máxima era de 260 km/h. Mas isso não bastava.

McInerney
O modelo de competição é ligeiramente mais arisco. Pouca coisa, besteira.

O modelo de pistas tinha deslocamento ampliado (de 3.453 para 3.498 cm³) e chegava aos 470 cv a 9.000 rpm e 39 kgfm a 7.000 rpm, mantendo apenas 1.020 kg de massa (uma redução de impressionar). Mas essa era o modelo do Grupo 4, que chegava aos 310 km/h. O insano mesmo é o modelo do Grupo 5, com motor 3,2 litros, turbo e 850 cv.

Procar
Será que anda?

Para completar, a suspensão é independente nas quatro, o chassi é do tipo tubular, os amortecedores são pressurizados, os freios são a disco em todas as rodas, a caixa de marcha é uma ZF de 5 velocidades e as rodas de 16″ são calçadas em largos (para a época) pneus 225/50.

Regazzoni
Um bicho desses, com 850 cv, defasado. Dá pra acreditar?

Só que a crise que quase levou a Lamborghini à falência fez o desenvolvimento do M1 demorar mais que o esperado, e quando as 400 unidades de rua ficaram prontas o modelo de competição já não era mais a meta a ser batida. E agora, o que fazer com os 57 modelos de pista? Criar uma competição monomarca com eles, oras!

Piquet
Piquet e seu M1 vencedor

Entre 1979 e 1980 pilotos da Fórmula 1 competiram na BMW ProCar, categoria que precedia as provas de F1 e utilizava carros com preparação idêntica. Mas nem as vitórias de Niki Lauda e Nelson Piquet, em 79 e 80 respectivamente, não foram o suficiente para manter o investimento no projeto e o campeonato foi encerrado prematuramente.

M1 farol acesso
Aposto que você nunca viu um M1 de faróis acesos!

Hoje em dia o M1 é um dos carros mais cultuados da BMW e um dos mais raros também. Por isso quando tantos se reúnem, como no vídeo acima, com certeza devemos parar tudo o que estamos fazendo para apreciar essas belas máquinas bávaras de devorar asfalto.