Polo 2018: TURBO SEM CÂMBIO MANUAL

Assim como fez no passado, o Polo vem para embolar o meio de campo. Com Up!, Gol, Fox e Golf em linha, fica difícil saber o que a VW quer. Era mais fácil fazer que nem a FIAT, que deu uma guinada geral em seus produtos mais antiquados. Só que enquanto a fabricante alemã não se decidiu pelo futuro dos outros modelos, há de se comentar uma outra boa herança do antigo Polo: a volta dos hatches compactos premium. Os de verdade, porque vender um carro de entrada por 60 mil na versão mais cara só por causa de algumas firulas a mais não quer dizer que ele é premium. Sim, estou falando de você, Onix.

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Será que agora o Polo engrena?

O cara que não quer um Gol, Argo ou HB20, mas não quer sair da carroceria hatch, deveria pular para o Golf, Focus ou Cruze. Entre esses só sobrou o Fox (por favor, né), o New Fiesta (já com nova geração lá fora) ou o Honda Fit (já falamos sobre ele aqui…). Não era o segmento mais cobiçado do momento, todas as atenções estão nos SUVs (atualmente negligenciados pela marca das salsichas). Não sabemos se isso irá mudar nos próximos anos, o que importa é que a VW trouxe um produto aparentemente competente para a categoria.

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A grade escurecida é um dos poucos detalhes que diferem do Polo alemão

A construção do Polo vem para elevar o nível de segurança no segmento, justamente por ser um projeto da matriz alemã com poucas tropicalizações, caso que aconteceu com o Up! (e todos nós sabemos qual é o carro de entrada mais seguro). Ponto positivo para o compacto, que já vem com quatro airbags, alerta de frenagem de emergência, ISOFIX, cintos de três pontos para todos os ocupantes e controle de tração de série desde a versão mais básica. Controle de estabilidade é opcional, mas de série nas versões com o motor turbinado.

Outra coisa legal é que o Polo vem com vidros elétricos nas quatro portas desde a versão mais básica. E pode parecer besteira, mas tem muito hatch que não tem vidro elétrico na traseira de série. Algumas firulas deixam o carro mais bonito, como os retrovisores e as maçanetas pintadas na cor do veículo. Outros detalhes melhoram a vida a bordo do ocupante, que possui rádio com Bluetooth e USB, contando ainda com suporte para celular. Alarme, ar-condicionado e direção elétrica fecham o pacote da versão de R$ 49.990, equipada com o motor 1.0 MSI de três cilindros, 12 válvulas, 84 cv a 6.350 rpm, 10,4 kgfm a 3.000 rpm e variação no comando de admissão. O câmbio é o elogiado manual MQ-200 de 5 marchas.

Subindo as casas do Banco Imobiliário, o Polo 1.6 sai por R$ 54.990 e possui os mesmos equipamentos (e opcionais) da versão de entrada. A diferença está no motor, da família EA-211, herdado do Gol Rallye de 2015 (lembra dele?), sempre acoplado ao câmbio já citado (um automático aqui cairia bem para o mercado). São 117 cv a 5.750 rpm e 16,5 kgfm a 4.000 rpm. Detalhe: tanto o 1.0 quanto o 1.6 podem receber o bloqueio eletrônico de diferencial. Vetorização de torque chegando às massas!

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Sem as firulas das fotos anteriores, o carro continua bonito

A cereja do bolo está nas versões Comfortline (R$ 65.190) e Highline (R$ 69.190), ambas disponíveis com o motor TSI ligeiramente modificado para mover o Polo. São 128 cv a 5.500 rpm e 20,4 kgfm a 2.000 rpm (mas em dinamômetro na verdade dá uns 923 cv e 89,4 kgfm, eles disseram). Continuando na família EA-211, aqui o propulsor recebeu bielas forjadas e comando variável no escape, além de várias outras modificações.

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Mesmo na versão mais cara, o plástico duro deixa bem claro: EU NÃO SOU UM GOLF!

Na Comfortline o Polo ganha controle de estabilidade, ajuste de altura e profundidade do volante, freio a disco nas 4 rodas, bloqueio eletrônico do diferencial, central multimídia com Apple CarPlay, Android Auto e comandos no volante, saída de ar para o banco de trás (!), retrovisores laterais com repetidores e função “tilt down”, sensor de estacionamento traseiro e rodas aro 15. Há ainda como adicionar controle de cruzeiro, sensor de estacionamento dianteiro, paddle-shifts, acionamento automático dos faróis e dos limpadores de para-brisa, chave presencial, frenagem pós-colisão, porta-luvas refrigerado e ar-condicionado digital.

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Que painelzão, bicho!

Já o modelo Highline ganha alguns opcionais da versão anterior, adiciona os LEDs de condução diurna e tem a opção de adicionar o painel completamente digital, aquele que estreou no Audi TT de terceira geração, lembra dele? São pedidos 75 mil reais pelo modelo mais completo, que ainda é mais barato que o Argo mais caro (cadê seus argomentos agora?).

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Raios e trovões!

O maior pecado, no entanto, está na oferta do câmbio manual: COMO ASSIM O MOTOR TSI SÓ SAI COM CÂMBIO AUTOMÁTICO?! E agora, como vou poder dar benga nos concorrentes depois de fazer filtro-chip-escape? Esse conversor de torque vai tirar minha potência!

Primeiro que o conversor de torque não tira potência, ela continua lá no motor (ha!). Acontece que não existe meios conhecidos de se transmitir a potência do motor sem perdas para as rodas (máquinas térmicas, Moysés Nussenzveig, Curso de Física Básica 2). Mas, dentre todos os meios, o câmbio automático convencional ainda é o mais ineficiente (ou seria melhor dizer, menos eficiente?). Temos a famosa caixa ZF de 8 marchas, mas ela ainda não possui o desempenho de um dupla embreagem de ponta.

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O 1.0 TSI no Golf de entrada

Nisso, existem dois questionamentos: será que o carro ficará manco por causa disso? Sabemos que o 1.0 TSI tem potencial, vide Up!. Mas o Golf, que recebeu o mesmo motor, só tem câmbio manual justamente por ser bem mais pesado que o subcompacto. Seria um carro manco. Como será o resultado desse casamento entre motor 1.0 turbo e câmbio automático no Polo?

A outra pergunta é, por quê não uma versão manual? Sabemos que as categorias de base estão cada vez mais recheadas de carros automático. Porém ainda há um público que prefere fazer suas trocas usando o pedal da esquerda, seja por preferir a condução mais conectada ou por ter medo da manutenção de um carro automático (e sim, isso é sério). De qualquer forma, temos Peugeot 208 GT e Renault Sandero RS mostrando que ainda há espaço para bons carros com câmbio manual. Até mesmo o Argo HGT, que é um esportivado esportivo, tem opção de câmbio manual. Um Polo Pepper, com câmbio MQ-200 mesmo, cairia muito bem.

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Faço parte do grupo das pessoas que não gostaram da traseira do Polo

O Polo segue a estratégia do Kwid em seu lançamento. Há uma pré-venda pelo site, mediante sinal de R$ 1.000 (porque, aparentemente, qualquer pessoa com mil reais consegue ter um carro de 50 mil hoje em dia), mas a entrega mesmo ficou para novembro. Aguardamos os próximos capítulos.