Qual a diferença entre esportivo, superesportivo, hiperesportivo e esportivo de adesivo?

Atenção: O texto a seguir é de cunho pessoal. Talvez você concorde ou discorde das opiniões nele expressas. Ou talvez você esteja só de passagem e queira zoar mesmo. De qualquer forma, a caixa de comentários está aberta para debates. Não existem verdades universais (nem mesmo esta).

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Afinal, o Skyline GT-R é um superesportivo ou não é?

O Nissan Skyline é um superesportivo ou não é? E o Viper? O Sandero RS é um esportivo ou ele é fraco para isso? Esse tipo de pergunta permeia a internet desde antes dela surgir. Mas afinal, qual é a definição de carro esportivo? O que torna um carro um superesportivo? Seria pretensão demais da minha parte dizer que esse post vai acabar com essas discussões, então a ideia aqui hoje é expôr meu ponto de vista e ver o que vocês, manifestando-se de forma civilizada, o que acham. Então, vamos nessa!

Esportivos

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Sandero RS é esportivo, segundo os critérios dessa publicação…

O esportivo é aquele carro que toma como base um automóvel civilizado, aplicando nele modificações mecânicas para fazer o carro performar melhor no quesito esportividade. O Sandero RS, por exemplo. A Renault Sport pegou o Sandero convencional, colocou o motor do Duster, fez modificações estruturais e deu a ele um novo câmbio.

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…e o Argo HGT também!

“Ah, então nesse caso o Argo HGT é um esportivo?” Sim. Mas calma, não se assuste, eu explico o porquê. Se eu saio do Argo Precision, entro num HGT e percebo que as relações de marcha são mais curtas e que a suspensão é mais baixa e rígida, é lógico que haverá uma diferença na tocada. E é lógico também que essas mudanças visam o melhor desempenho do carro em ultrapassagens, curvas e frenagens. Você acha que eles colocaram rodas aro 17 no modelo para enfrentar melhor os buracos da cidade? Claro que não.

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Esportivo? Hm… não. “Eficiente” seria a melhor palavra.

Não são só modificações no motor que tornam um carro esportivo (ou mais esportivo). Um acerto na suspensão pode definir a vitória ou a derrota. Por que não aplicar esse conceito nas ruas? Agora, se a fabricante X cobra por essas modificações o que a fabricante Y cobra para trazer isso e ainda um carro mais potente, aí já não é discussão para essa publicação. “Então o Up! TSI é um esportivo?” Não! Releia o que eu escrevi em negrito. Por acaso o Up! recebeu melhorias para performar melhor no quesito esportividade? Não! Ele recebeu um motor extremamente eficiente para tornar a rodagem mais confortável e econômica, se ele anda muito em retas já é um plus dessa eficiência. É importante também analisar a proposta do carro antes de tomar um julgamento como verdade.

Superesportivos

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Lamborghini Miura, o primeiro supercarro moderno

Para alguns grupos, os superesportivos são carros equipados exclusivamente com motor central-traseiro. Isso porque o primeiro superesportivo moderno foi o Lamborghini Miura, que seguia este layout. Acontece que penso diferente dessa galera, pois seria heresia ignorar máquinas como Chevrolet Corvette Z06, Porsche 911 GT3 RS e o falecido Dodge Viper ACR. Então aqui a estratégia é um pouco diferente dos esportivos: o superesportivo foi concebido desde o início para devorar asfalto, trazendo uma experiência de direção mais conectada para você sentir cada detalhe, cada reação do veículo.

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Seria herege da minha parte não considerar este monstro como supercarro

Mas é lógico, se eu seguisse este raciocínio até mesmo um Puma GTE seria um superesportivo (mesmo que ele siga a plataforma do Fusca, o GTE é um carro único e não uma versão do Fusca). Então, nada mais justo do que homenagear o carro que inaugurou este segmento, o Miura. O superesportivo tem que ser feito e pensado exclusivamente para a condução esportiva, independente do posicionamento do motor, e sua relação peso/potência tem de ser menor que 3,7 kg/cv, número este alcançado pelo Miura de lançamento, o P400.

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O Skyline GT-R veio de um sedã, sabia?

Acredito que com o critério de peso/potência consigo restringir a lista de supercarros sendo justo, pois há carros que aceleram demais e possuem pouca final (ou são limitados eletronicamente) e existem modelos que tem muita final mas na aceleração deixam a desejar, isso sem sequer citar outros detalhes dinâmicos. Nisso você pode reclamar que máquinas como Honda NSX e Nissan Skyline GT-R não entram nessa classificação, e é verdade. Mas, pensem por outro lado: o superesportivo é um carro de nicho muito específico e exclusivo, não são todos os carros que devem receber esta alcunha, por mais que estes carros sejam venerados. E outra, o Skyline GT-R é baseado no Skyline sedã, então já voltamos à explicação anterior. “Então, se todos os carros feitos exclusivamente para correr que possuam mais de 3,7 kg/cv não são superesportivos, eles são o que?” São esportivos mesmo.

Hypercars

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Os hipercarros da geração atual

A terceira definição é a dos hipercarros. Mas afinal, o que são os hypercars? Chris Harris, no documentário APEX, afirmou que “o hipercarro traz algo que nunca vimos antes no mercado.” É como se fosse o santo graal da tecnologia automotiva aplicada nas ruas, o que há de mais moderno para fazer você andar mais rápido sem abrir mão da segurança. A tríade atual, composta por Porsche 918, Ferrari LaFerrari e McLaren P1, apostaram em soluções híbridas, cada fabricante usando a sua maneira. SLR McLaren, Ferrari Enzo e Porsche Carrera GT, nos anos 2000, jogaram com a potência bruta e as assistências eletrônicas. Na década anterior, Jaguar XJ220, McLaren F1 e Ferrari F50 mostravam belas carrocerias esguias e extremamente aerodinâmicas, tudo para alcançarem velocidades absurdas. E nos anos 80 Porsche e Ferrari adotaram a fibra de carbono como elemento estrutural em seus respectivos 959 e F40.

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O Project One nos dá uma palinha do que vem por aí

O futuro nos mostrou, até agora, o Mercedes-AMG Project One e o Aston Martin Valkyrie. Os dois prometem chegar próximo da relação perfeita de 1 kg por cavalo-vapor. O time alemão usa o propulsor vencedor da F1 enquanto que o lado inglês da batalha promete um V12 naturalmente aspirado da Cosworth (!).

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Seria o Regera o Indie Hypercar?

E não necessariamente existem apenas 3 hipercarros por década. Agora mesmo temos o Koenigsegg Regera, que usa a propulsão híbrida, mas de uma maneira diferente: o motor elétrico é acoplado ao virabrequim, dispensando a transmissão. O hipercarro é isso, é um carro que está acima dos supercarros mas não necessariamente por ser mais rápido, e sim por ser mais inovador e, é claro, exclusivo.

Esportivos de adesivo

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Esse aqui é nutella total: no documento o carro se chama Fiesta SE, para evitar o seguro mais caro.

Esses, bastante comuns no mercado brasileiro, não trazem qualquer tipo de modificação que se traduza em melhor desempenho nas ruas. Estou falando de HB20 R-Spec, Fox Pepper, Sandero GT-Line, Onix Effect e Fiesta Sport, isso tudo numa rápida lembrada. São carros que estão aí no mercado para quem quer um carro esportivo no visual, sem levar os malefícios de ter um carro esportivo para usar no dia-a-dia. Como eu bem disse aqui, um esportivo é um carro para poucos.

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Este aqui tem modificações mecânicas de fábrica (e um adesivo que dá mais 50 cv)

Há quem fale da linha Sporting, mas como eu disse mais acima eles trazem sim modificações, mesmo que mais sutis. O Palio Essence traz o mesmo motor do Palio Sporting, mas o segundo tem pneus de perfil mais baixo, rodas aro 16 (contra 15 no modelo sem maquiagem esportiva), freios a disco ventilados (sim, o Essence usa discos sólidos), câmbio mais curto, barra estabilizadora maior e molas mais rígidas. Aos jogadores de Super Trunfo pode parecer pouco, mas dirigir os dois carros são experiências completamente diferentes.

Por que eu deixei os esportivos de adesivo por último? Porque falar deles chega dá um desânimo, e eu precisaria terminar de escrever o texto.

Conclusão

Essa é uma discussão que sempre levanta muitas opiniões, nem sempre convergentes, sobre o que é um supercarro ou um carro esportivo, por quais critérios eles devem passar para merecer esses títulos. Resta a vocês continuarem debatendo, sempre com sabedoria, qual seria a definição mais correta.