Especial dia das crianças – O dia em que fiz um caminhão com chassis Ferrari

Eu já havia ganhado alguns carrinhos quando era menor. Ganhei uma coleção de carros em 1:64, a escala dos famosos Hot Wheels. Mas não eram Hot Wheels. Sequer eram Maisto. Tô falando daqueles piratões que sequer remetiam a carros reais. Eram cerca de 20 carros, incluindo esportivos, caminhonetes, caminhões e um que era extremamente parecido com o Corvette Stingray C2. Infelizmente não tenho fotos desses modelos.

Modelcar Ferrari 360 Spider (1:18, Hot Wheels Elite)
A F360 da linha HW Elite

Mas o divisor de águas foi um conversível vermelho que eu ganhei. Aos 8 anos aquilo era um sonho. Trata-se de uma Ferrari F360 Modena Spyder, controlada remotamente! Lógico, era uma réplica, mas muito bem feita no exterior, semelhante aos produtos da linha HW Elite. O interior era simplório, algumas grades eram substituídas por adesivos, mas o importante estava lá: o carro andava, tinha regulagem de direção, os pneus eram emborrachados (e a borracha tinha muito grip) e os faróis até acendiam quando ela ia pra frente. Irado!

Essas fotos são de 2007, dois anos depois da compra, com o carro mais judiado.

As 6 pilhas AA eram consumidas rapidamente (e as vezes estouravam quando eu esquecia de retirá-las). O problema mesmo estava no controle, que usava uma de 9 V caríssima. Usei bastante, me diverti muito e sempre cuidei na medida do possível. Até desmontava periodicamente para limpar por dentro (totalmente desnecessário, mas divertido e contendo peças pequenas que poderiam ser engolidas). Porém o carro era todo raspado no assoalho por conta da altura, a maioria dos obstáculos a serem transpassados num carro 1:18 controlado por uma criança eram simplesmente ignorados, por mais esburacados que sejam. Mas eu vivi bons momentos com ele.

Até que chegou um momento em que o chassi trincou. Mas trincou feio. E o carro ficou parado por alguns anos, até que, no 1º ano do ensino médio, precisei fazer um projeto de eletrônica. Resolvi fazer um carro que tocasse música e se movimentasse. Aproveitei a parte de baixo da minha longeva F360, construí um controle totalmente novo (e com fio para evitar os problemas com pilhas caras que não podiam ser recarregadas) e montei um chassi sob medida (leia-se com papelão).

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Cara, quando eu tirei o carregador da tomada e perceberam que ele funcionava com bateria, foi a revolução das máquinas naquela escola!

Na traseira do então caminhão a caixa de papelão recebeu dois alto-falantes de 3 W, onde ficava escondida toda a fiação do sistema de som e o motor que tracionava as rodas traseiras. Na boleia do caminhão, modelo desconhecido da Mercedes, encaixei a placa e a bateria do som, uma BL-5C de 800 mAh vindo do clássico Nokia 1100. O controle, ligado com fio, tinha uma bateria de walk-talk que alimentava o motor traseiro e o dianteiro, este último que controla a direção. E assim, com uma série de LEDs enfeitando o experimento, construí um caminhão com chassis Ferrari!

Conte pra nós, qual foi o brinquedo que liberou o seu lado GearHead para o mundo? Você ainda tem guardado até hoje?