É oficial: Renault do Brasil virou Dacia

Talvez o título soe como exagero, até porque não teremos nenhum grande exercício de rebadging nas nossas terras. Mas em breve a linha nacional de carros de passeio da Renault do Brasil será composta unica e exclusivamente por carros da romena Dacia.

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Perdemos o Mégane sedã de terceira geração…

O Fluence era o último Renault “verdadeiramente francês” (com aspas porque ele usa a plataforma da 3ª geração do Mégane, mas na verdade foi concebido pela Samsung) vendido aqui, mas ele foi descontinuado no dia 9. Duster (e Oroch), Sandero e Logan são projetos Dacia, e o Kwid foi pensado pela Renault indiana, que tem diretrizes e público-alvo diferentes da matriz européia. E o nosso Captur, divergente do modelo vendido na França, se baseia na plataforma do Duster, mas nem por isso ele é um carro ruim: no teste de colisão o SUV menos quadradão alcançou relevantes 4 estrelas. Já vimos aqui que na Rússia a Renault também vende os Dacia com o emblema do diamante, então podemos concluir que todos os mercados do terceiro mundo irão seguir esse mesmo padrão na Renault.

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…e nem teremos o de quarta!

O que isso de fato significa? Bom, se antes esperávamos que o Mégane R.S. fosse vendido por aqui, agora todas as esperanças caíram por terra. Isso porque, além do foco nos modelos Dacia, o segmento dos hatches médios está em baixa, outro fator que foi fundamental para o direcionamento da Renault brasileira. Outro que também passará longe é o interessantíssimo Twingo, que já foi vendido aqui em outros tempos e não fez o sucesso esperado. Olivier Murguet, Vice-presidente Sênior e Presidente do Conselho da Região Américas na Renault, deixou bem claro que o Kwid faz o papel do Twingo com competência em nossas terras.

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O Captur não segue a risca o modelo francês, mas é seguro

Vocês já devem imaginar o que estou falando, o foco agora são os SUVs. O grande Koleos, baseado na Alaskan, será vendido aqui em um futuro próximo. A própria Alaskan também virá em breve, mas o terceiro SUV dos três anunciados pela Renault (sim, ela incluiu o Kwid na contagem) só virá em 2022.

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O grandão Koleos já é prometido há tempos

 

O Fluence também já não ia muito bem das rodas; foram apenas 890 unidades vendidas desde o início do ano, era só uma questão de tempo até a fabricante jogar a toalha. Na verdade, até demorou. As últimas unidades nas versões Dynamique CVT Plus (R$ 99.350) e Privilège (R$ 108.300) ainda estão a venda nas concessionárias, mas não pense em comprar sem pedir um bom desconto.

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O SUV dos compactos já sofreu aumento

Com este novo posicionamento a Renault-Nissan espera que a participação da marca francesa suba sua participação no mercado para 10% no Brasil, em 2016 fechou em 7,6% enquanto que 2017 tem tudo para terminar em 7,7% do mercado. Com a chegada de Kwid, Captur e saída do Fluence, o plano já começou a todo vapor: o Kwid já até sofreu aumento de preço, com o Zen indo de R$ 35.390 para R$ 36.490, e o Intense subindo de R$ 39.990 para R$ 40.490.

Segue o baile no Brasil.