O Virtus apareceu, mas qual será o próximo passo da Volkswagen?

Na última quinta feira (16) tivemos a apresentação do Volkswagen Virtus, sedã com origem no Polo que irá competir com Cobalt, Versa, Logan e o futuro sedã do Argo que agora já é chamado de Cronos. Os consumidores aguardam com certo anseio o seu lançamento, já que o carro é montado sobre a plataforma MQB-A0, versão simplificada da MQB, que trouxe carros bem construídos e seguros ao mercado. Além disso, uma declaração chamou muita atenção durante a coletiva de imprensa:

“O Virtus é um carro brasileiro, feito para agradar os clientes da região. No início do ano vamos surpreender com o preço, um bom custo-benefício”, disse Thomas Owsianski, vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen do Brasil.

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A queda suave na traseira lembra Passat e CC

Pela primeira vez o sedã do Polo ganhou um nome exclusivo, e isso se deu por causa das modificações aplicadas em relação ao modelo hatch. Até a coluna o carro é virtualmente idêntico ao modelo 2 volumes, mas o entre-eixos cresceu 8,6 cm, totalizando 2,65 metros, enquanto que o comprimento total é de 4,48 metros, com largura e altura iguais. O porta-malas também teve um salto expressivo, de 300 para 521 litros (são 510 no Jetta). Por sinal a tampa do porta-malas, por possuir maçaneta, fez o console perder o botão que abre o porta-malas de dentro do carro. Curioso.

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As lanternas mais afiladas têm inspiração no Audi A3

Assim como no Polo, o sedã já vem com quatro airbags, alerta de frenagem de emergência, ISOFIX e cintos de três pontos para todos os ocupantes desde a versão mais básica. Uma mudança: o motor 1.0 aspirado foi abolido, começando pelo 1.6 EA-211 de 117 cv a 5.750 rpm e 16,5 kgfm a 4.000 rpm para a versão MSI e terminando no 1.0 TSI de 128 cv a 5.500 rpm e 20,4 kgfm a 2.000 rpm para as versões Comfortline e Highline. Ah sim, também não há opção de motor turbo com câmbio manual, mas estamos falando de um sedã, querendo ou não o público é diferente do hatch.

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Para se diferenciar do Polo, interior do Virtus é mais claro

Uma exclusividade muito bacana para o Polo com bunda é o “manual cognitivo”, que utiliza do sistema de inteligência artificial Watson (da gigantesca IBM). Consiste num aplicativo que permite enviar um problema de forma escrita, por voz ou via foto, e o sistema dará uma resposta para tentar resolver a questão. Já pensou que louco você dizendo “a luz da injeção acendeu, o que eu faço?” e o aplicativo responde “senta e chora”?.

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Os dutos de ar-condicionado para os passageiros de trás estão lá (foto por Motor1 Brasil)

Não sabemos como será exatamente a oferta de equipamentos no Virtus, então fiquem com as especificações dos modelos Comfortline e Highline do Polo, onde provavelmente a VW irá se basear para vender o seu novo três volumes:

Na Comfortline o Polo ganha controle de estabilidade, ajuste de altura e profundidade do volante, freio a disco nas 4 rodas, bloqueio eletrônico do diferencial, central multimídia com Apple CarPlay, Android Auto e comandos no volante, saída de ar para o banco de trás (!), retrovisores laterais com repetidores e função “tilt down”, sensor de estacionamento traseiro e rodas aro 15. Há ainda como adicionar controle de cruzeiro, sensor de estacionamento dianteiro, paddle-shifts, acionamento automático dos faróis e dos limpadores de para-brisa, chave presencial, frenagem pós-colisão, porta-luvas refrigerado e ar-condicionado digital.

Já o modelo Highline ganha alguns opcionais da versão anterior, adiciona os LEDs de condução diurna e tem a opção de adicionar o painel completamente digital, aquele que estreou no Audi TT de terceira geração, lembra dele? São pedidos 75 mil reais pelo modelo mais completo, que ainda é mais barato que o Argo mais caro (cadê seus argomentos agora?).

Ok, o lançamento é muito bonito, tem bons números e equipamentos, mas alguém já parou pra pensar no que será do line-up da VW do Brasil depois que estes dois carros, Polo e Virtus, se estabelecerem de fato no mercado?

Up, Gol, Fox, Polo e Golf são os hatches que a Volkswagen disponibiliza no mercado, mas até o mais desligado percebe que haverá uma concorrência interna. Foi o que aconteceu com a FIAT, que dispunha de Uno, Palio Fire, Novo Palio, Punto e Bravo em linha. Em pouco tempo, o Mobi apareceu para substituir o Palio Fire, o Uno evoluiu e o Argo chegou para suceder Novo Palio, Punto e Bravo. E qual será a atitude da VW quanto a isso?

Focus ou Fox
Menos um problema

Acredito que Up! continuará em linha, é um carro que não é campeão de vendas mas tem sua comunidade que é fiel (até em demasia, eu diria) ao carro. O Gol tem um nome que ainda é forte no mercado, mas tende a ser o lado mais fraco dessa corda. O Fox está na mesma situação do Gol, com a desvantagem de não ter um nome tão comercial quanto o Gol. Aliás, com o Fox saindo de linha não teremos mais confusões fonéticas causadas entre o Volkswagen Fox e o Ford Focus, o que seria muito bom.

Curiosamente a situação está feia mesmo para o Golf tanto que, com vendas cada vez menores (justificadas pelo boom dos SUVs e o preço cobrado pela fabricante), a planta de São José dos Pinhais trabalha com pedidos cada vez menores. É tanto que ele perde em vendas até para o Prius. O próprio chefão da VW do Brasil, David Powels, disse que quer, antes de tudo, gerar lucro, o que pode ser um claro sinal de que a nacionalização do Golf não foi uma boa ideia.

Só que, ao que parece, teremos o facelift da sétima geração do Golf e ainda receberemos o modelo GTE, mostrando que o Golf ainda vive no Brasil. Outro ponto positivo para o hatch médio da marca alemã é que o Polo não invade sua faixa de preço, provando que a VWB conseguiu ser relativamente agressiva na hora de tabelar o novo Polo. Resta aguardar os próximos capítulos

A situação do Virtus é mais confortável. Dividindo espaço com Voyage, Jetta e Passat, todos parecem possuir uma faixa de preço bastante distinta entre si. O perigo está no Voyage Evidence encostando no Virtus de entrada e o Virtus 200 TSI beirando um Jetta 1.4 TSI. Muito provavelmente os Voyage mais caros sairão de linha para dar espaço ao Virtus, assim como a FIAT tirará de linha os Grand Siena mais completos quando o Cronos for lançado. E é provável também que o Virtus 200 TSI nem chegue perto do Jetta 1.4 TSI.

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Enfim temos um sedã compacto visualmente agradável (foto por Fábio Tito/G1)

E preço que é bom nada, então temos que viver de suposições. O Polo 1.6 sai por R$ 54.990, enquanto que o Comfortline custa R$ 65.190 e o Highline atinge os R$ 69.190. Bolão do AGH: o Virtus vai começar em R$ 59.990 e terminará em R$ 80.000 na versão mais cara com todos os opcionais. O modelo chega às lojas na segunda quinzena de janeiro.

Fotos por Divulgação, exceto onde indicadas.