Como foi andar no meu primeiro Track Day no meu carro de dia-a-dia

Olá Amigos GearHeads, me chamo Samuel Lelis [N.E. mais conhecido como Jesus], e hoje vou contar para vocês minha experiência num Track Day, com meu carro de uso diário.

V8, turbo, freio a disco Brembo nas quatro rodas, suspensão preparada e pneus slick, mais de 300 cv nas rodas… Não, vocês não verão nada disso aqui. Ao invés, você verá o relato de um cara que foi para um Track Day em um singelo Corsa Super 97, 1.0 original de tudo (inclusive os amortecedores, fabricados há 20 anos). Então, se estão procurando alguém que fez tempos de volta absurdos, está no lugar errado.

Essa foi minha primeira experiência na pista, então vocês leitores podem imaginar o quão ansioso (e nervoso) eu estava. Afinal, o que me deu na cabeça pra ir para um autódromo com meu primeiro (e único) carro? Quebrou, lascou. Não volto nem pra casa.

Cheguei cedo para aproveitar o ronco e as voltas de outros pilotos, observar como a galera estava andando e ter algum parâmetro de comparação, mas de nada adiantou. Eu era o único com carro 1.0 e provavelmente o único que nunca acelerou numa pista. Lá eu vi de tudo, desde C3 até outros Corsas completamente preparados dando benga em carros bem maiores. Isso acabou me deixando mais e mais nervoso. Entreguei os termos de responsabilidade e peguei meu número, o 48. Desci para os boxes e aí começou a preparação do possante. Primeira coisa foi tirar carpete, estepe e qualquer outra tralha do porta malas, limpei tudo, inclusive tentamos até remover o escapamento, porém sem sucesso, tudo pela redução de peso.

Chegou o momento. 14:30 do último dia 26. Capacete posto, cinto afivelado e motor ligado. Alinho na saída dos boxes. Agora não tem mais volta. Engato a primeira, segunda, terceira, alcanço inacreditáveis 70 km/h, freio e faço uma curva fechada a direita e logo em seguida a esquerda, meus 60 cv originais sofrem na subida. Mais algumas curvas e estou na reta principal. 90 km/h!

Dou umas 5 voltas e entro para os boxes, dou uma checada e não encontro nada errado com o carro, volto para a pista e antes mesmo de completar a volta sou chamado pelo fiscal de prova à voltar para os boxes. Meu coração para nessa hora, o que será que fiz de errado? Será que atrapalhei alguém? Serei expulso por estar lento demais? Muita coisa passou pela cabeça naquele momento, mas apenas me chamaram para perguntar se não queria ir de carona no meu carro com um piloto federado e experiente como instrutor. “Que mal poderia fazer?”, pensei. Prontamente aceitei e lá fui eu de carona no meu próprio carro.

Primeiras voltas com o instrutor e nada de diferente. Ele só foi mostrando pontos de referência. Tudo tranquilo. Mas a partir do momento que ele falou que ia forçar um pouco mais… o que é isso, amigos! Parecia que o carro era outro. Fiquei abismado com que meu carro começou a fazer! Nunca imaginei que ele poderia cantar pneus nas curvas. Meus tempos de volta que estavam em mais de 2 minutos, na mão do instrutor baixaram pra 1 minuto e 40 segundos!!! Depois de mais algumas voltas paramos nos boxes e trocamos de lugar.

Nesse ponto a confiança já tinha aumentado e comecei a arriscar mais nas curvas. Paramos nos boxes e agradeço as dicas, agora volto para pilotar sozinho, volto à pista e já percebo a mudança da água pro vinho. Ataquei as curvas muito mais agressivamente, baixando bem meu tempo. Já com 40 voltas feitas, achei por bem dar um descanso para o velho guerreiro. Paramos, respiramos… O saldo do dia já era extremamente positivo. Carros rápidos e meu carro na pista. Mais tarde, uma surpresa. Consegui abaixar o tempo de meu instrutor! Alegria inimaginável pois meu objetivo nunca foi o tempo, mas mesmo assim, aquela sensação de conquista me tomou.

Ainda dei algumas voltas no circuito semi oval para me despedir da pista. No final do dia, dos mais de 60 carros, o meu foi o mais lento. Mas duvido muito que alguém tenha se divertido mais do que eu. Com apenas na cabeça que estava lá como novato, e como primeira experiência, não podia ter sido melhor. E enquanto boa parte colocava seus carros no reboque, apenas coloquei o estepe de volta no porta malas e voltei para casa, de volta com meu carrinho, sem reclamar de nada. Com seus mais de 140 mil quilômetros nas costas, agora ele é também um carro “dicurrida”.

E pra finalizar, deixo um recado pra quem quer ter essa experiência, mas tem algum receio: não tenha. Se seu carro tem manutenção em dia, apenas respeite seus limites e os limites de seu possante, que garanto a vocês que a experiência será inesquecível e viciante!

Agradeço a organização pelo apoio e aos meus caronas, Maycon e Evandro, por me acompanharem e pelo encorajamento. No mais, até o próximo Track Day!!!