A FIAT fez tanto recall este ano que nem cabe no título

151.480. É a quantidade de automóveis Mobi, Uno e Argo que estão no mais novo recall da FIAT. Ontem, 14, a fabricante italiana anunciou que há uma falha na chave de seta, reparo que pode ser efetuado através de uma atualização do software da central eletrônica.

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Mesmo depois de 7 anos, ainda existem recalls no guerreiro Uno

O Uno é o modelo mais prejudicado, com 91.338 unidades afetadas. Depois disso segue o Mobi, com 56.371 modelos, e, por fim, o Argo fecha a lista com 3.771 carros fabricados. Confira a seguir os chassis envolvidos:

  • Chassis do Mobi vão do 9BD341A40JY454330 ao 9BD341B80JY509697, ano/modelo 2016 a 2018;
  • No Argo vão do 9BD358A47JYH10381 ao 9BD358A9TJYH20879, ano/modelo 2017/2018;
  • No Uno começa no 9BD195152E0615236 e termina no 9BD195A93F0662378, ano/modelo 2014 a 2018.

Ainda de acordo com a FIAT, uma falha no sistema poderá acarretar o não funcionamento das luzes de seta. E, como bem sabemos, se a seta não funcionar, acidentes podem acontecer.

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O defeito está na seta

O conserto será feito com a atualização do software da central eletrônica do comando da chave de setas e terá tempo de reparo de aproximadamente 1 hora.

Para mais informações entre em contato com a FIAT pela central de atendimento, através do telefone 0800-707-1000 ou consulte o site www.fiat.com.br

Relembre os recalls da FIAT este ano

Em 7 de abril noticiamos que o dispositivo auxiliar de segurança da Toro, que permite o desligamento do motor em algumas situações mesmo com a alavanca do câmbio em posição diferente de P, não estaria habilitado em alguns veículos.

Indo para 22 de maio, mostramos aqui o recall geral da FIAT que envolveu quase toda a gama de modelos. O problema da vez é com o alternador, que pode ocasionar o mau carregamento da bateria, funcionamento irregular do motor e, em casos extremos, o desligamento repentino do automóvel, podendo provocar acidentes.

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O Argo já sofreu um recall este ano

Mais recentemente, no dia 7 de dezembro, o recall que envolveu quase todas as unidades do Argo passou por aqui. O motivo foi a possibilidade do chicote do volante estar com seu isolamento danificado, podendo ocasionar um curto-circuito resultando em um acionamento acidental do airbag do motorista.

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Adequação técnica necessária para o subcompacto Mobi, com exclusividade pelo AGH

O AGH ainda trouxe, com exclusividade, no dia 2 de maio, uma adequação técnica que deveria ser feita no subcompacto da marca. O Mobi teve unidades fabricadas com a mola helicoidal da suspensão traseira danificada. A justificativa para isso é que seria possível que a mesma tenha sofrido esforços mecânicos não previstos durante seu processo produtivo, causando a fragilidade da mesma e até mesmo a trinca no elo. No entanto aqui não tivemos um recall e sim apenas uma adequação técnica, onde não é preciso noticiar em todos os canais de comunicação.

Argo de errado não está certo

O grande dilema dos consumidores está em identificar se um recall é bom. No caso da FIAT, é preocupante que tantos recalls tenham aparecido em apenas um ano, ainda mais pela quantidade de modelos afetados. Mas tantas chamadas para reparos não significam que a fabricante está acompanhando de perto seus veículos no pós-venda, atendendo prontamente que comprou o seu carro? Não necessariamente.

Não é apenas o cuidado no pós-venda que move um recall, e sim todo o risco que determinado defeito pode causar, incluindo aí para a imagem da fabricante. O custo para uma operação dessas é grande, envolve desde o setor de marketing até os concessionários, então não pode ser apenas uma “preocupação com o consumidor”. Seria inocência demais pensar dessa forma.

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A linha de produção é mecanizada mas a precisão, humanizada

Muitos ainda dizem “é melhor ter recall do que não ter”. E, de fato, é. Os defeitos são levados a público, encarados com franqueza e corrigidos assim que possível. Mas é aí que podemos perceber a baixa eficiência do setor de análise da qualidade, e isso é sempre muito preocupante. Entendemos que a linha de montagem é um processo mecânico, onde todos os modelos passam pela mesma bateria de testes, mas e quem define essa bateria de testes? Não deveria ter testado ainda mais um veículo? Não falo no caso do Argo, que é um projeto inteiramente novo e que foi lançado esse ano, mas Toro já está aí desde 2015. O Uno então, desde 2010. Mas não quero nem me aprofundar nesse quesito pois nem todos os recalls são provenientes da linha de montagem da fabricante (o recall geral da FIAT foi por um problema de fornecedor, por exemplo).

Até que ponto essa recorrência em recalls é uma característica positiva?