Conheça o FIAT que usou turbina de avião… em 1954!

Lá pra década de 90 no Brasil, inovação e FIAT pareciam ser sinônimos. Apesar da manutenção mais sensível, carros como Uno Turbo, Tempra Stile, Coupé e Marea Turbo eram a imagem da modernidade automotiva nacional. Mas esse espírito inovador vem de muito antes: e se eu te disser que a fabricante italiana fez em protótipo com motor de avião em 1954?

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Para os fãs, o carro mais insano da FIAT. Para os mecânicos é o Marea turbo mesmo.

Depois da investida da Rover em 1948, a tecnologia da turbina a gás parecia ser o mais novo salto quântico rumo ao avanço do automobilismo. Como bem sabemos esse não foi o rumo ditado pela indústria automotiva, mas tivemos modelos bem interessantes nesse período. Falaremos hoje do protótipo da FIAT, até hoje o carro mais insano que já passou pela fabricante de Turim.

Mas o que é uma turbina a gás?

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“Dá pra colocar GNV no Turbina?”

Apesar do nome, a turbina a gás não necessariamente usa um gás como combustível. O nome se dá pelo ciclo termodinâmico que rege esta máquina térmica. O chamado Ciclo Brayton admite o comburente (ar) pela pressão atmosférica e, após passarem pela turbina, os gases de escape são enviados para a atmosfera sem que retornem à admissão.

Por sua vez, a turbina é a gás porque o fluido de trabalho é a mistura de gases resultante da combustão. O comburente é o ar atmosférico já citado no parágrafo anterior, enquanto que o combustível pode ser gás natural, GLP, querosene e até mesmo o óleo diesel.

E qual a utilidade?

Os carros de turbina a gás possuem algumas vantagens. Tratam-se de usinas com grande potência se comparado aos motores de mesma massa que utilizamos em nossos carros. Ou seja, uma turbina de 100 kg normalmente gera mais potência que um motor de 100 kg.

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O interior do Turbina, e você acha a visibilidade do painel do Etios confusa…

Só que adaptar um conceito é utilizado em aviões para os carros é algo complicado. O próprio FIAT Turbina sofreu com isso, onde o projeto foi arquivado pelo consumo alto e alguns problemas com superaquecimento (vocês verão que a rotação atingida por monstros como o Turbina é algo completamente fora da nossa realidade).

O FIAT Turbina e seu pioneirismo

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Cutaway do FIAT à jato

O projeto começou a ser estudado em 1948 e foi levado para a pista de testes da fábrica de Lingotto (sim, aquela pista que ficava no teto da fábrica) no dia 14 de abril de 1954. 9 dias depois o carro foi apresentado ao público no aeroporto de Turin-Caselle, dirigido pelo piloto de testes da marca Carlo Salamano. Além disso, o carro também apareceu no 36º Salão do Automóvel de Turim. Atualmente o modelo encontra-se disponível para visitação no Museo dell’Automobile di Torino.

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Type 8001, o motor do Turbina

O motor-turbina é posicionado de forma central-traseira, atrás dos bancos do passeiro. Consiste em um compressor centrífugo de dois estágios, três câmaras de combustão, uma turbina de dois estágios que conduzia o compressor e uma turbina de um estágio apenas que conduzia a energia para as rodas através de uma redução na engrenagem. O conjunto entrega 304,16 cv a insanos 22.000 rpm e não há dados sobre o torque. Não havia câmbio ou embreagem, é o motor e só.

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Ford Probe V, com seu Cx de 0,137

A expectativa é que o veículo chegasse aos 250 km/h, mas nunca testaram a este ponto. Mas uma coisa foi muito bem testada: a carroceria atingiu absurdos 0,14 de coeficiente aerodinâmico, recorde que pertenceu ao conceito da FIAT até 1986 quando a Ford apresentou o automóvel conceito Probe V com Cx de 0,137.

Homagem num Pagani

No final do ano passado, a Pagani se juntou à Garage Italia Customs (onde o dono é ninguém menos que Lapo Elkann, neto do fundador da FIAT) para modificar um Huayra. A escolha para o Huayra foi o esquema de cores utilizado pela FIAT em 1954, quando apresentou o Turbina ao mundo.

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Huayra Lampo, com o esquema de cores do FIAT Turbina

Disponível como modelo único, o Huayra Lampo (relâmpago em italiano) tem pintura exclusiva, acabamento diferenciado e o mesmo motor já conhecido no restante da linha, um poderoso V12 AMG de 764 cv a 5.500 rpm e 102 kgfm a 2.300 rpm. Apesar de bem servido em potência, faltou um motor a jato nesse modelo mais que especial.