Lasanhas que podemos comprar mas não podemos usar

Um dos maiores passa tempo de um GearHead é entrar em sites de classificados e passar horas pesquisando aquela lasanha que sempre sonhou em comprar, mesmo tendo acabado de trocar de carro, não adianta, seja para se manter atualizado em relação aos preços do mercado, seja para apenas sonhar, ou caso realmente aja algum interesse em comprar o carro.

Mas as vezes nos deparamos com alguns anúncios que nos deixam tentado a cometer aquela loucura e pegar algum carro seja para gastar dinheiro fora, seja para começar um projeto, ou para quebrar um galho de vez em quando. Estes anúncios são daqueles carros, com valor extremamente abaixo do valor de mercado, e quando falo abaixo é abaixo mesmo, e o maior motivo para um valor tão baixo normalmente é falta de documentos. Muitas vezes o carro tem tanta multa que já vale o peso dele em ouro, ou o dono simplesmente deixou de pagar IPVA, licenciamento e afins.

As vezes o dono do carro está precisando de algum trocado, ou então quer se livrar do carro mesmo, os motivos para a venda são variados, mas o baixo valor é simplesmente para se livrar do carro. Em alguns casos, dependendo do valor devido é possível legalizar o carro novamente, em outros casos nem vale a pena mesmo, e por isso o dono continuou rodando com o carro até simplesmente decidir vender, como por exemplo este Ford Fiesta de quarta geração pela bagatela de R$ 1.500,00.

O Ford Fiesta chegou no Brasil em 1994, em sua terceira geração, ele era importado da Espanha (consequentemente lhe dando o apelido de “Espanhol”). Em 1996, oito meses após o lançamento da quarta geração na europa, ele começaria a ser fabricado aqui no Brasil e se tornaria o carro de entrada da Ford. O carro fabricado aqui era bastante superior ao que substituía, com um design mais arredondado e suspensão dianteira com subchassi e barra estabilizadora.

O Fiesta “espanhol”

Ele era oferecido nas versões básica 1.3 EFI, 1.3 8v EFI (Intermediário) e CLX 1.4 16v Zetec-SE (topo de linha), com variações de acabamento interior em cores cinza azulado ou bege. Em 1998 surge a série especial Class, derivada da versão Popular, oferecido no começo apenas com 3 portas e direção hidráulica de série, e, em todas as versões, o air bag passa a ser opcional, e o acabamento interno passa a ser diferenciado, com estilo mais jovial. Já em 1999 a produção do modelo 1.3L termina, dando lugar à versão 1.0 Class, que deixa de ser série especial e contando a versão 3 e 5 portas.

No final de 1999 (já como modelo 2000), sofre alteração leve no design, apresentando um conjunto frontal mais agressivo e novos motores. Saem de linha os Endura-E e Zetec-SE para dar lugar aos novos Zetec RoCam 1.0L e 1.6L, mais potentes. As versões oferecidas passam a ser a GL (básica), GL Class (intermediária), ambas com motor 1.0L, e a GLX (mais luxuosa), com motor 1.6L. Ainda em 2000, é oferecida a série especial Sport, nas opções 1.0L e 1.6L, com acabamento interno e externo esportivo, em uma única cor: vermelho sólida. Entre os diferenciais, destacavam-se o para-choques dianteiro idêntico à versão esportiva ST européia, aerofólio traseiro, e saias laterias e traseira, além de rodas de liga-leve aro 14″ e interior com apliques na cor prata metálico no painel, e pedais e manopla de câmbio esportiva. Em 2001 chega a série básica Street, que passa mais tarde a ser produzida em larga escala, até 2006.

É um carro que divide bastante opinião entre os entusiastas, alguns consideram o motor 1.0 um tanto quanto fraco e que o carro não tem uma dinâmica tão acertada assim, já outros sabem que potência não é tudo e conseguem se virar e se divertir bastante com ele. O carro também é uma ótima plataforma para grandes projetos, muitos dizem que o 2.0 do Focus é quase plug’n’play, e receitas de preparação não faltam na internet.

E bom, o carro que trazemos hoje não é nenhum projeto, nem um Fiesta extremamente bem cuidado, mas pelo preço pedido, tá aí uma ótima maneira de jogar uns trocados fora. As ideias de projeto para o carro não faltam, você pode cometer a “heresia” e colocar um AP (o motor universal), dar uma de doente e colocar um Fivetech, ir para o lado sem torque e apelar para um K20, enfim, motor tem a rodo por aí para você colocar no carro, basta ter disposição. Ou você pode simplesmente usar o carro para ir trabalhar no dia-a-dia e deixar o seu guardado e quando quebrar, abandona num ferro velho vida que segue.

Só que o seguinte pessoal, nada de usar o carro para aprontar nem causar acidentes, até porque se a policia te pegar com um carro sem documento, por mais que o carro não esteja em seu nome você responderá a processos por isso. A ideia aqui é mostrar um carro que pode te quebrar um galho ou para começar um projeto com um custo bem baixo, não incentivamos ninguém a cometer delitos nem deixar de pagar os documentos do carro, muito menos descumprir as leis de trânsito.


Neste quadro do Amigos GearHeads apenas selecionamos alguns carros por preços muito abaixo do comum por pura e simples brincadeira, e contamos um pouco da história do carro em si por questões de conhecimento. Não se trata de uma reportagem sobre o veículo e não nos responsabilizamos por informações publicadas nos anúncios. Todos os detalhes devem ser tratados direto com o anunciante.