A quarta geração do Focus não é uma revolução

O modelo de maior sucesso da Ford européia chegou em sua quarta geração após 16 milhões de veículos vendidos ao redor do globo, sendo 7 milhões apenas na Europa. Ainda incerto para o mercado brasileiro, onde os SUVs estão abocanhando os hatches médios, o novo Focus vêm em versões que vão do esportivado ao aventureiro de asfalto, passando também pelo modelo de extremo luxo.

Vignale, Active, ST-Line e Wagon: as versões do novo Focus

Se a frente ganhou um toque de Hyundai i30 com Opel Astra, ao menos podemos dizer que os elementos são de excelente qualidade. Os faróis são completamente em LED com o DRL atravessando o centro dos elementos óticos, semelhante ao “Martelo de Thor” encontrado nos Volvo. Na traseira as lanternas também são em LED e deixaram de vez a posição elevada na coluna C.

O interior não parece mais simples, e sim mais direto

O interior ganhou o visual apresentado na nova geração do Fiesta, com a central multimídia flutuante Sync 3 compatível com Apple CarPlay e Android Auto. Ainda há controle por gestos ou por voz, tela de 8 polegadas e, nas versões mais caras, sistema de som B&O Play de 10 alto-falantes e 675 watts de potência.

O painel de instrumentos com ponteiros reais chega a ser nostálgico

Ponto positivo para o painel, que pode soar mais simples que o anterior por possuir menos botões e cantos mais arredondados. A verdade é que agora o console central do Focus não é mais tão carregado, tornando os controles mais simples e diretos. Outra bola dentro vai para o carregamento via indução, que não é exatamente uma novidade mas é sempre bem vindo.

A eletrônica embarcada ainda inclui o Ford CCD, que monitora a cada 2 milissegundos as reações do chassi para obter a melhor resposta na condução, controle de tração e estabilidade, vetorização de torque e compensação de carga da direção. Há também heads-up display, roteador Wi-Fi, controle de cruzeiro adaptativo com tecnologias de condução semi-autônoma, sistema de estacionamento automático e até mesmo um sistema que ajuda a desviar de veículos lentos ou parados enquanto roda em baixa velocidade, o Evasive Steering Assist.

O Focus Active é… é isso aí

A gama de modelos consiste em Trend, Titanium, ST Line (esportivada e 10 mm mais baixa), e a luxuosa Vignale, que vem para substituir a antiga Ghia (lembra dela?). Há ainda um novo modelo, o Active (30 mm mais alta), que, assim como Fiesta, traz adereços plásticos para quem quer um SUV mas, por algum motivo desconhecido, terá que comprar um modelo mais sentado no chão. FIAT Sporting e Adventure fazendo escola, como sempre.

Não mataram a perua!

As carrocerias ficam por conta da versão hatch, sedã e perua. As duas últimas são restritas a alguns mercados, por isso não espere encontrar as três disponíveis num mesmo país com tanta facilidade.

Os motores a gasolina apresentados são os já conhecidos 1.0 EcoBoost de 86, 101 ou 127 cv sempre a 6.000 rpm (todas com 17,3 kgfm a 1.500 rpm) e o 1.5 EcoBoost de 152 ou 184 cv. Vale salientar que ambos são três cilindros (o último é a variante turbina do 1.5 Dragon que encontramos no nosso EcoSport) e possuem sistema de desativação de cilindro (sim, bizarro). O lado diesel da história possui o 1.5 EcoBlue de 96 ou 122 cv (30,60 kgfm em ambas as potências) e o 2.0 EcoBlue de 152 cv e 37,73 kgfm.

As opções mais fortes irão contar com o novo câmbio automático de oito marchas que tem acionamento por controle giratório, igual ao do Fusion, além de ter três modos de condução: Normal, Eco e Sport. Os modelos mais básicos usarão a transmissão manual de 6 marchas.

Versão Vignale é a mais luxuosa da gama…

Se há 20 anos o grande destaque do Focus era o chassi com suspensão traseira independente, ainda que com o controverso design “New Edge”, esta quarta geração está apostando novamente numa boa carroceria para se manter competitiva. Em termos estruturais o novo Focus inaugura a plataforma C2, que traz mais segurança e rigidez estrutural enquanto a massa é reduzida. Tá, isso é o que todos os fabricantes fazem, mas queremos saber é dos números: a dieta levou embora cerca de 90 kg, o entre-eixos está 53 milímetros maior e a rigidez estrutural aumentou em 20%.

…já o modelo ST Line prediz um pouco do que esperar sobre os futuros ST e RS.

E pela primeira na história o Focus terá suspensão traseira por eixo de torção. Mas calma, não atirem as pedras ainda. O conjunto mais simples ficará reservado para as versões 1.0 EcoBoost e 1.5 EcoBlue, nas demais a suspensão traseira independente de triângulos duplos e braços assimétricos segue firme e forte. Outro detalhe é que este conjunto mais complexo recebeu também uma subestrutura dedicada para tal, semelhante ao sub-chassi dianteiro que já conhecemos em trocentos carros.

Encerro este post com a frase título: A quarta geração do Focus não é uma revolução, isto porque as maiores mudanças estão posicionadas onde a gente não consegue ver. Mas até mesmo onde a vista alcança a evolução foi perceptível, suficiente para aquecer o mercado europeu que trouxe novidades como o Volkswagen Golf reestilizado, o Renault Mégane de quarta geração e o Peugeot 308 de segunda geração. Outro detalhe bem legal do novo Focus é a manutenção da versão perua, o que sempre é um fator muito positivo.