Mercedes pode comprar a Volvo, como assim?

Para entender melhor o que está acontecendo, saia um pouco da caverna e atualize-se quanto aos fatos. Li Shufu, CEO da Geely (que é dona da Volvo), comprou 9,69% da Daimler AG (que é dona da Mercedes-Benz) por US$ 9 bilhões em fevereiro deste ano. Com isso ele se tornou o maior acionista individual do grupo Daimler e isso significa muita coisa.

Mercedes com toque sueco controlado pelos chineses: que?

Segundo o chinês, o crescimento dos carros autônomos e elétricos concentrará o mercado nas mãos de poucas fabricantes, tornando este modelo sustentável da melhor forma através de fusões e parceiras. O mesmo ainda disse que não irá comprar mais ações do grupo alemão e prometeu que irá “seguir as determinações da Daimler, sua estrutura hierárquica e respeitar seus valores e cultura.”

Geely e Volvo: um dos casamentos mais bem sucedidos do setor

A Geely não brinca em serviço. O grupo chinês adquiriu o controle da inglesa Lotus e já considerou investir na BMW e na FCA (mas aqui a família Agnelli recusou, é o que dizem). Mas a melhor tacada dos chineses foi a compra da Volvo por US$ 1,8 bilhão em 2010, quando a Ford estava desesperada por causa da crise econômica que assolava os EUA e saiu vendendo todas as marcas do seu grupo (foi por isso que Jaguar e Land Rover foram parar sob controle da indiana Tata).

Voltando ao assunto da notícia, agora existe uma grande possibilidade de Daimler e Geely trabalharem juntas no desenvolvimento de tecnologias e, segundo a Manager Magazin, é possível até que a Daimler compre cerca de 2% da Volvo para fornecer motores e outros componentes para a marca dos motores twincharger. Indo além, Geely e Mercedes podem ainda desenvolver uma plataforma inteiramente nova para carros elétricos.

A Lynk & Co promove carros elétricos e compartilháveis na China, que tal?

Saindo do terreno especulativo e incluindo um pouco de parcialidade na questão, não acredito que a Mercedes consiga trazer algo de extremamente inovador para a Geely. O grupo chinês tem sua marca para veículos elétricos e autônomos, a Lynk & Co (já falamos sobre eles aqui). No segmento de luxo nunca se viu tanto Volvo nas ruas, os carros seguem como referência em segurança e agora possuem um visual mais palatável (com isso eu quero dizer “menos quadrado”). E se eu voltar para os esportivos devo lembrar que eles deram independência à Polestar, divisão esportiva da Volvo, e isso é exatamente o contrário do que foi feito entre Mercedes e AMG. Mas o vislumbre de um Volvo S60 R Design com o motor V8 4.0 biturbo da marca germânica soaria bacana, não é mesmo?

Que tal um S60 R Design com um V8 4.0 biturbo?

Resta saber o que acontecerá nos próximos capítulos dessa novela.

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