É justo pagar 160 mil num Civic?

O Civic Si de décima geração foi lançado há não muito tempo atrás. E aí é aquela coisa linda né, evento de lançamento em autódromo, coletiva de imprensa e mais algumas coisas que eu não preciso ficar citando aqui. O ponto de reflexão é justamente o preço: são R$ 159.990 pelo carro. Será que a nossa realidade está tão boa (e não me avisaram) para este ser um valor considerado como justo? É o que iremos debater nesta publicação.

A chegada do Civic 10 trouxe boas novidades para a plataforma

Pra começar bem de leve, você pode usar aquele velho argumento de que não existe nenhum concorrente com câmbio manual na faixa dos 150 mil reais. F*da-se, do fundo do meu coração. O livre mercado dá a oportunidade para concorrência, se ela não existe você pode, de fato, cobrar quanto quiser. Mas chega a ser imoral com quem gosta de carro. Não há necessidade em cobrar 159 mil reais no carro.

O Civic Si 2.4 não era empolgante como o K20, mas entregava mais torque

O próprio Si de nona geração chegou por aqui em 2014 custando R$ 119.900. O avanço em PD&I foi tão grande a ponto de termos um aumento de 40 mil reais? Sério? “Ah, mas a economia mudou em quatro anos e mimimi, mimimi”, mudou isso tudo? Ok, some as flutuações político-econômicas que o Brasil sofreu nos últimos tempos com o preço de fabricação para um produto mais tecnológico. Teremos uma justificativa plausível. Só tem um pequeno porém: o Civic Si lá de 2014 já era muito mais caro que a concorrência. O Golf GTI, que inevitavelmente sempre será o parâmetro de comparação, no longínquo 2014 cobrava R$ 98.300 por um desempenho até então descomunal para o preço.

Anda mais e custa menos, qual levar?

Vamos ao aspecto global da coisa: um Honda é um Honda. É um carro resistente e acessível, feito para o universitário que acabou de tirar a carteira, para a família que está apertada financeiramente, para o senhor de idade que precisa apenas de um meio de locomoção do ponto A ao ponto B. Não trata-se de uma fabricante ultra premium, muito pelo contrário. É um produto com a intrínseca racionalidade japonesa. Seus modelos mais raros e caros são os Type R e o NSX.

Um dos poucos NSX trazidos pra cá. Ainda assim, na verdade era um Acura com emblemas trocados.

Agora volte à realidade brasileira. Quando um Type R ou um NSX passou por estas terras oficialmente? Ainda assim, a imagem da marca cresceu e os fanáticos realmente não se importam o preço. Isso vale tanto para um Civic Si zero quilômetro quanto para um Civic VTi de mais de 25 anos por 40 mil reais, vendido como preciosidade mas no fim das contas ainda vaza muito óleo. Shit happens.

Caro é pouco

É algo semelhante ao que acontece com a sua principal concorrente, que tem ainda mais fama de robustez e simplesmente faz a festa na hora de cobrar a conta. Ou você não esperava que eu não fosse descer o pau em você também, dona Toyota?

Estamos aceitando para testes

Eu queria realmente ter a oportunidade de andar no Civic Si de décima geração, mas apenas 500 unidades virão num primeiro lote e eu tenho certeza que nenhuma delas passará perto do interior baiano. A outra única certeza que eu tenho é que essa realidade não irá mudar e eu só perdi tempo escrevendo aqui mesmo. É isso.

Carro com preço sub-30? Não mais.

Apesar do foco no cupê japonês, esta é uma crítica à praticamente todos os carros do mercado nacional, desde o Kwid, que teve um aumento obsceno de preço, até um esportivo que diverte em tudo, menos na hora de pagar.

E, por último, pelo amor de Deus, não venha encher o saco me chamando de hater ou de fanboy da VW (para estes o ‘X’ vermelho no canto superior direito é a serventia da casa). Pra mim o melhor câmbio manual que eu já pude guiar ainda está no Fit VTEC de primeira geração, então apenas pare. Aos que querem uma discussão saudável, agora temos DISQUS em nosso site então fique a vontade.