Uma vitória agridoce – Pitacos F1

Foi um domingo atípico para o esporte no geral, todas as apostas certeiras caíram em terra, um dia de zebras e muitas surpresas que trouxeram emoções e reações das mais variadas possíveis e a F1 que vinha já com três corridas mornas e sem muitas surpresas, também resolveu participar da festa e resolveu soltar a bruxa das reviravoltas para trazer resultados até então inesperados.

Uma corrida terminar sem as duas Mercedes era algo que não viamos desde o GP da Espanha de 2016 quando Rosberg e Hamilton se encontraram ainda na primeira volta e ambos abandonaram e a última vez que Hamilton abandonou por quebra foi também em 2016, no GP da Malásia onde seu motor entregou a rapadura e deixou Lewis na mão ajudando Rosberg a levar o título naquele ano. A confiabilidade dos carros da Mercedes finalmente foi posta em xeque, Bottas que fez a pole e vinha tentando recuperar a liderança depois uma péssima largada também se viu traído por seu carro, aquela travada no cambio e a redução de marchas com os giros lá em cima dói na alma de qualquer apaixonado por carros foi um barulho de destruição e engrenagens comidas que só de imaginar nos faz querer derrubar uma lágrima dos olhos e assim a superioridade do time alemão já não existe mais e agora eles se veem atrás da Ferrari no campeonato de construtores, uma diferença de 10 pontos que pode não parecer muito, mas que se olharmos os campeonatos anteriores, mostra que o time de Maranello vem fazendo uma ótima temporada.

Se Kimi Raikkonen tinha seu lugar ameaçado pelo novato Leclerc, o finlandês vem provar que ainda não esta em sua hora de parar e que ainda tem muito a entregar, numa largada magnifica, sofreu por não conseguir tomar o lugar de Hamilton ainda na primeira curva e depois ainda na primeira volta teve a segunda posição tomada por Bottas depois de arriscar ao tentar conquistar a primeira posição, porém mesmo assim merece muitos créditos pois a tempos não viamos um Raikkonen tão forte mesmo com um carro em teoria inferior aos rivais e se não fosse o toque que tomou de Verstappen não seria difícil ver o famoso Iceman vencendo uma prova (fato que não acontece desde o GP da Austrália de 2013 com a Lotus). E se Vettel que poderia começar a enxergar mais um campeonato voando de suas mãos como em 2017, respira aliviado novamente ao ainda continuar na briga pelo título devido aos ventos da sorte que parecem voltar a olhar o alemão, que convenhamos, tem errado bastante nesta temporada.

E falando em erros, Verstappen também fez uma corrida limpa, apesar do toque com Raikkonen, eu não acho que ele teve toda a culpa, pois ele estava por dentro da curva e Raikkonen o fechou e ele não tinha para onde ir, até tentou tirar o carro, mas não deu e a vitória lhe caiu no colo de maneira fenomenal e muito merecedora e assim ele quebra a maldição de só vencer quando Kvyat era mandado embora e assim a Red Bull consegue mais uma vitória na temporada. E ainda na Red Bull que teve um final de semana de glória e ruínas quando viu Ricciardo ter de abandonar a prova por problemas no motor quando vinha fazendo uma ótima corrida mesmo após uma parada extra por bolhas em seus pneus, ele ainda tinha carro para se recuperar e chegar mais a frente.

E não foram apenas os ponteiros que abandonaram, foi chocante ver o motor de Hulkenberg estourando e fumaçando que nem um Honda Civic quando rola encontro, parecia até que o Hulk estava tentando matar os mosquitos da dengue que voavam pelo circuito, logo depois da Renault ter “atualizado” o motor e conseguido levar seus dois carros para a terceira parte da classificação e vinham fazendo uma boa corrida, mas viu apenas Sainz terminar em um distante décimo segundo lugar.

Quem teve um final de semana de pura redenção foi a Haas, que finalmente coloca seus dois pilotos nos pontos, com um resultado extremamente siginificante para Grosjean que vinha em uma maré de azar tremenda e com a quarta colocação na corrida pontua pela primeira vez na temporada e tira a zica de suas costas. E claro que não podemos nos esquecer de Magnussen que também fez uma boa corrida limpa e livre de problemas, assim os dois pilotos colocam a Haas na quinta posição no campeonato de construtores.

A Force India foi outra equipe que teve um final de semana de altos e baixos, depois de uma péssima classificação viu seus dois carros terminando na zona de pontos e realizando um gesto magnifico, já que Ocon não conseguia se aproximar de Magnussen o time solicitou a troca de posições para que Perez, que veio lá do fundo do pelotão, tentasse tomar a posição do dinamarquês e quando viu que não iria conseguir, devolveu a posição de Ocon mostrando um gesto belíssimo num time que vem sofrendo para se manter no campeonato e se vê numa situação difícil onde não sabe se vai ter recursos para continuar  na temporada em 2019.

Falando em recuperação, Alonso que largou dos boxes passou meio mundo de pilotos para chegar num honroso oitavo lugar em uma bela corrida (que a transmissão sequer mostrou, mas ok) que confirma a qualidade de Alonso na F1 e como ele mereceria um carro melhor. Vandoorne eu sei que tomou 4 voltas do líder e não sei mais o que falar.

Os pilotos da Sauber mostraram a qualidade do motor Ferrari e que o carro não é de todo mal nascido, Leclerc mitou como sempre e fez uma ótima corrida largando da décima oitava posição, teve um emocionante embate contra Sergey Sirotkin pela décima quarta colocação e terminou na nona posição numa corrida incrível onde até mesmo Ericsson conseguiu pontuar.

Partiremos agora para o grande prêmio de Silverstone, pista onde Hamilton conhece como a palma de sua mão e onde a Pirelli vai levar os mesmos pneus usados no GP da Espanha e da França (corridas dominadas pela Mercedes). Nos resta aguardar e acompanhar este campeonato que está tão acirrado que é quase palpável como um doce e que nos faz ficar cada vez mais ansiosos pelas próximas corridas.

Fotos por Motorsport.br.