Há 10 anos a Peugeot vendia um 206 de competição no Brasil

Hoje os pejozeiros podem comemorar

A Copa do Mundo de Futebol acabou, e agora finalmente podemos respirar com mais calma. Porque não adianta dizer que você não gosta, quando a Copa começa você fica animado, seu cronograma muda e suas atenções são voltadas para o maior espetáculo esportivo da Terra. Nós não temos como competir com isso. E para saudar a França campeã faremos uma retrospectiva para o longínquo 2008, época em que ainda se vendia Chevrolet com motor Família 2, o Golf ainda era de quarta geração (com facelift) e o Fiat Mille custava R$ 23.240.

Dá pra acreditar que um carro assim era fabricado e vendido em solo nacional?

No início de 2008 a Peugeot Sport (saudades) começou a vender as novas unidades do Peugeot 206 de competição, modelo utilizado na Copa Peugeot de Rally de Velocidade (saudades eternas). Para 2008 foram seis unidades produzidas na fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro, cada uma custando R$ 40.000 já contando emplacamento. Era só pegar e competir pois o valor do carro ainda incluía dois macacões homologados pela FIA. Vale salientar que houve o 206 Rallye comum, com muitos itens de série, apelo estético diferenciado e nenhuma alteração mecânica e o 206 Rallye preparado para a Copa Peugeot.

A suspensão tinha acerto de rali para suportar situações como essa

A suspensão do 206 era recalibrada, com molas e amortecedores Peugeot Sport específicos para rali. Os freios, a disco nas quatro rodas, recebiam uma redução no servo-freio para aumentar a sensibilidade do pedal, melhorando a resposta para o piloto. Os pneus são o Yokohama A035 185/65 R14, específicos para rali. Já o câmbio permanecia o mesmo, apenas mudando a relação de marchas.

O interior vinha com gaiola de proteção homologada pela FIA

A gaiola era formada por tubos de aço sem costura por exigência da FIA, e haviam protetores no cárter e no tanque de combustível. O kit de segurança abria mão dos airbags, mas haviam três extintores de incêndio, um de 4 kg com acionamento interno e externo, com ação para servir o piloto, o navegador, o cofre e o tanque, e depois de 1 kg embaixo de cada um dos bancos.

Os botões do ar-condicionado são apenas ilustrativos: tudo favorecia a redução de peso.

Para redução de peso alguns itens eram dispensados. O ar-condicionado saía de cena, assim como as forrações internas e o banco traseiro. Já os bancos dianteiros eram do tipo concha, com peso reduzido e cintos de quatro pontos homologados pela FIA. Outro detalhe interessante é que as linhas de freio e combustível eram instaladas no interior do carro, para diminuir os riscos de uma tubulação rompida durante o uso soviético. Apenas o painel e o volante permaneciam originais.

Os bancos do tipo concha eram mais leves e fabricados pela Sparco

A compra do 206 Rallye te dava a entrada para o campeonato e alguns benefícios. Era possível comprar peças subsidiadas pela Peugeot durante as etapas do campeonato, havia um coach disponível para dar apoio às equipes e o transporte do seu carro até o local da prova era realizado gratuitamente pela Brazul Transportes. Ao final de cada etapa, R$ 10 mil eram divididos entre os cinco primeiros carros, isso na edição de 2008. Na edição inaugural, de 2003, o 206 custava apenas R$ 31 mil e podia ser financiado pelo Banco PSA. Outros tempos, não é mesmo?

Comprar um 206 de rali te dava passe para o campeonato

Por fim, o motor também recebia um fôlego extra. Se você esperava o EW10A, usina de 2 litros usada no 307 da época, certamente ficará decepcionado. Mas as modificações pontuais renderam bons números ao propulsor aspirado: o comando de válvulas tinha graduação maior, a taxa de compressão era mais alta e o coletor de escapamento era do tipo 4x2x1. Após um remapeamento na injeção o 1.6 TU5JP4 rendia 130 cv, enquanto que o original gerava 110 cv a 5.750 rpm e 14,2 kgfm a 4.000 rpm na gasolina.

Em 2009 o modelo Rallye recebia a atualização visual do 207

No ano seguinte a Peugeot reformularia sua linha com o bizarro 207. Isso teve influência no modelo de rali, que deixou de se basear no 206. Além da mudança estética nos painéis da carroceria e no interior, o motor também passou por novidades. Agora eram 140 cv e dessa vez rodando no álcool, e para isso a Peugeot precisou usar bicos injetores de maior vazão e velas com grau térmico menor para suportar temperaturas mais altas geradas pelo motor. Outra coisa que também mudou foi o preço, saindo de R$ 40 mil para R$ 50 mil (10 mil reais em um ano, a nossa economia já era insana nessa época).

O interior também recebia o acabamento atualizado

Infelizmente a categoria não existe mais. A última edição da Copa Peugeot ocorreu em 2012, 9 anos após sua primeira exibição, somando 24 carros inscritos, três categorias e seis etapas percorrendo todo o Brasil.

207 com as cores da Peugeot Sport no Brasil

Já os números restantes representam a baixa força que o automobilismo tem em nosso país: de 2003 até 2008 foram produzidas apenas 63 unidades e, em 2016, existiam cerca de 60 unidades ainda em funcionamento. Muitos se perderam em acidentes, alguns gerando perda total. Outros, numa realidade ainda mais triste, foram sucateados com o passar do tempo, já que os custos para manter um carro de rali são bem altos.

Imaginem só, o 208 WRC vendido em terras brasileiras

A Peugeot tem um novo foco para o público brasileiro. A divisão entusiasta da empresa hoje não existe e todas as atenções estão voltadas para os (excelentes) 3008 e 5008. Só que com isso não temos mais as competições de antigamente. Seria lindo ver um 208 vendido com especificações de rali mas o preço seria impraticável. Se um 208 GT já é vendido por R$ 84.490, imagine quanto sairia um modelo preparado? O tempo, meus jovens, é inevitável. E o que nos resta é a nostalgia.

Vive la République.