10 dicas de nós humanos para carros autônomos

Nos últimos anos, estamos vendo um boom de testes de carros autônomos, passando uma fantasia futurista de um futuro com menos acidentes, menos congestionamento e milhares de benefícios para o meio ambiente. O que nos anima é que este ainda é um futuro um tanto quanto utópico e bastante distante, e com certeza, por um certo tempo os carros autônomos irão coexistir na estrada com motoristas humanos. Talvez seja cedo falar isso, mas não custa nada deixar aqui, algumas lições humanas para que os carros autônomos possam se dar bem nas estradas.

1 – Facilite o caminho para outros motoristas

Todos os dias, milhões de humanos fazem pequenas concessões em seu caminho para tornar a vida para outros motoristas um pouco mais fácil, um exemplo é abrir caminho ou facilitar a passagem de algum carro para que ele possa entrar no trânsito. Em estradas onde tenham veículos autônomos e manuais onde apenas o último grupo é capas de tomar essa decisão de oferecer ou não uma sutileza. Segundo o Dr. Matthew Channon, professor de direito na Universidade de Exeter e autor de The Law and Driverless Cars, diz: “Se eu estou em uma estrada com uma única pista e alguém quer me ultrapassar, eu diminuo a velocidade para que ele possa ultrapassar o mais rápido possível. Mas um carro autônomo não vê motivo para diminuir o limite de velocidade, dificultando as coisas para o outro motorista.”

2 – Reconheça outros usuários da estrada

Os motoristas estão acostumados a dar aos pedestres e ciclistas um sinal através do contato visual, um aceno de cabeça, com a mão ou outra sugestão para garantir que foram notados, mas os veículos autônomos não têm essas capacidades. Uma pesquisa de 2016 com 644 ciclistas e pedestres feita por pesquisadores da Universidade de Leeds descobriu que ser detectado era a maior preocupação deles em lidar com veículos autônomos. Equipes que desenvolvem carros automatizados estão trabalhando em sinais que desempenham o mesmo papel, mas até agora estão aquém de um reconhecimento humano. (Talvez um piscada de farol ou até mesmo um sinal no para-brisa escrito “Pode passar” seria suficiente, não?)

3 – Deixe um veículo de emergência passar

Alguns motoristas tem um bom senso em ajudar ambulâncias, bombeiros e outros serviços, abrindo caminho para que consigam chegar ao local de uma emergência o mais rápido possível, porém os carros autônomos ainda não conseguem distinguir corretamente entre uma ambulância e outro veículo barulhento que dirige em alta velocidade. A Waymo, empresa de tecnologia autônoma e subsidiária da empresa controladora do Google, a Alphabet, está programando seus carros para reconhecer veículos de emergência para manter uma das tradições mais positivas da estrada.

4 – Lidar com condutores agressivos

O que acontece quando um carro programado para manter as regras da estrada se depara com um motorista mais estressado? “Como eles vão lidar com direção perigosa?”, Pergunta Channon. “O carro autônomo não irá mais rápido do que o limite de velocidade, então ele ficará preso na frente dos veículos que querem passar por eles.” Enquanto um motorista humano pode controlar a situação, parando e deixando o motorista nervosinho passar, a abordagem autônoma do carro poderia alimentar a raiva da estrada.

5 – Responda a direção humana

Há momentos em que os humanos são quem conduzem o tráfego, como por exemplo um policial acenando para os motoristas reduzirem a velocidade devido a um acidente, um construtor segurando o trânsito para a chegada de um caminhão ou alguém supervisionando um estacionamento de um festival de música, mas os veículos autônomos saberão responder? “Os seres humanos seguem a mão e outros sinais dados por agentes de estacionamento humanos que têm um plano em mente”, diz Chris Patience, chefe de política técnica da associação de automobilismo AA do Reino Unido.

“Sujou”
6 – Lidar com o clima

O tempo imprevisível ou extremo é um dos maiores perigos para o motorista humano, mas somos muito bons em julgar e responder às mudanças meteorológicas. Por outro lado, os veículos autônomos até agora se mostraram relativamente pobres em lidar com o clima. No inverno de 2017, as principais empresas de tecnologia, como Uber e Waymo, colocaram os veículos em testes na neve, o que é “um problema realmente interessante”, disse Carl Wellington, engenheiro sênior da Uber, ao Financial Times. A neve pode confundir o laser giratório do veículo em pensar que os flocos são objetos sólidos.

7 – Ir para um passeio

Seja em um campo pitoresco ou em uma cidade repleta de pontos de referência, um dos prazeres duradouros do automobilismo é entrar no carro e curtir o caminho para o local onde você quer ir ou vezes você quer apenas dirigir sem destino. No entanto, o objetivo de um carro autônomo é que você programe o seu destino e sente-se enquanto o veículo encontra o caminho mais eficiente. “Como os carros autônomos farão ‘apenas passeios’ – dirigindo sem um destino específico em mente, onde as decisões são constantemente tomadas com base em onde ou o que parece interessante?”, Pondera o Chefe do AA.

8 – Evitar perigos e obstáculos

Os sensores usados ​​por carros autônomos ainda têm problemas para detectar buracos e até mesmo quando eles são mais propensos a desacelerar do que tomar medidas para desviar deles. Isso aumenta a perspectiva de tráfego lento causado por carros autônomos cautelosos, a menos que a tecnologia melhore – ou os governos consertem os buracos. Depois, há ocasiões em que os motoristas humanos saem momentaneamente de sua linha para passar por um veículo estacionado ou outro obstáculo. Um carro autônomo tomará essa decisão ou simplesmente parará o tráfego?

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9 – Lidar com não veículos

Sensores de veículos autônomos são projetados principalmente com carros e outras máquinas grandes em mente. No momento, eles ainda não têm de lidar com pedestres, bicicletas e outros “não-veículos”, cujo comportamento é mais irregular e cujas formas são mais difíceis de identificar. As coisas ficam ainda mais complicadas no campo, onde cavalos, gado e outros animais podem estar na estrada. Ian McIntosh, executivo-chefe da Escola de Condução RED do Reino Unido, diz: “Os motoristas precisam passar devagar pelos cavalos e dar-lhes uma boa distância e você precisa estar pronto para parar se o cavalo fizer algo inesperado.” tá aí algo que parece complicado para o veículo autônomo.

10 – Seja humano!

Um carro autônomo só será capaz de se comportar tão bem quanto seu programa permitir – e isso significa tentar pensar em todos os cenários possíveis que ele encontrará ao compartilhar a estrada com motoristas humanos. “Nós conhecemos essas coisas e elas podem construí-lo, mas existe apenas até agora que você pode programar um veículo para agir como um humano”, diz Channon, da Exeter University. “Se a pessoa que estiver programando não conseguir pensar em todos os cenários, você acabará com milhões de situações em que as pessoas não pensaram e o veículo ficará incomodado.”

É um texto um tanto quanto utópico e até futurista demais para a época em que vivemos, principalmente aqui no Brasil onde ainda é difícil de imaginar um futuro com carros autônomos, mas se você parar para pensar um pouco, vai ver que essas dicas não servem apenas para os futuros carros autônomos, muitas dessas dicas servem até mesmo para nós, que enfrentamos o trânsito todos os dias e muitas vezes nos esquecemos de dar uma simples passagem ou nos esquecemos de ser apenas um pouco mais gentis.