Coluna Baixa Roda – Novo VW Jetta fez check up de realidade

Por Ferdinando Calminho, com agências internacionais de usados

Visual de Passat e o conforto de sedã norteamericano. Agora o novo VW tem uma chance real contra o Toyota Corolla

Aos poucos que preferiram comprar um VW Jetta no passado ao invés de um Honda Civic ou Toyota Corolla, uma má notícia: se o sedã médio da Volks se diferenciava por ter um apelo de performance, esses tempos acabaram com a nova geração. A marca apresentou o novo Jetta e elevou o nível de seu jogo entre os sedãs médios. Isso significa que ele ficou mais caro (entre R$ 109.990 e R$ 119.990) e perdeu aquela pimentinha extra.

Acontece que, ao passo que o Jetta ficou maior e adotou a plataforma MQB do Golf, ele adotou também a postura mais amena de seus principais rivais. Se foram as características ágeis de handling e as trocas rápidas do DSG.

Agora, esse novo Jetta traz um conforto de deixar o Corolla parecendo um carro “firminho” e traz a calma paulatina do câmbio Tiptronic de seis marchas acoplada ao competente, mas não brilhante no Jetta, motor 1.4 turbo flex da VW, com 150 cv e uns 25 kgfm de torque.

Ainda mantém alguns toques bem teutônicos, como o interior espartano de acabamento, principalmente no banco traseiro, visual do Passat, silêncio a bordo exemplar e, mesmo mais confortável e demonstrando um rolamento considerável em mudanças de direção, não transmite insegurança ao motorista na hora do aperto. Só não transmite mais a sensação de de esportividade da geração anterior. Uma pena na opinião desta coluna, que via neste último quesito um dos principais diferenciais do sedã importado de Puebla, México.

No frigir dos ovos, a realidade é que o Jetta, mirado ao mercado norteamericano, ficou mais sedado, o que é bom para lá e pode ser ótimo para cá. Conservador como só ele, o mercado de sedãs médios vende bem nas opções que se diferenciam menos, vide o reinado do Corolla e a queda do Civic após adotar um visual mais baixo e agressivo.

No entanto, apesar dessa mudança de postura no Brasil tenha sido apenas um efeito colateral da preferência dos americanos, pode dar uma nova vida ao Jetta, que agora se alinha aos anseios de seu mercado. Além disso vai bem na oferta de equipamentos de série para conforto e conveniência, além sobrepujar os nipônicos reinantes em equipamentos de segurança.

Baixa Roda

+ A Chevrolet ressuscitou nos EUA o nome Blazer. Custando a partir de US$ 30 mil, o novo crossover compacto se rende ao modismo da terra do Tio Sam com visual e motor do novo Camaro e sacrifício à natureza utilitária de seu antecessor. Uma pena, mas é o que vende. Há espaço para ele no Brasil, mas não previsão.

+ Falando em uma pena, mas é o que vende, a Mitsubishi apresentou ao mercado brasileiro o Eclipse Cross, ressuscitando o icônico nome de seu esportivo nos anos 1990, mas com uma carroceria aos moldes dos mais novidadeiros crossovers que nosso público tanto anseia. Traz motor 1.5 turbo, câmbio CVT e opção de tração integral. Mas terá vida dura custando R$ 150 mil, território dominado pelas versões topo de linha do queridinho Jeep Compass, do tecnológico e potente Chevrolet Equinox e do VW Tiguan, que já oferece terceira fileira de bancos nessa faixa de preço.

+ A centenária marca de motocicletas Royal Enfield lançou o seu segundo motor feito a partir do zero desde que o grupo indiano Eicher adquiriu a empresa no início dos anos 1990. Trata-se de um bicilíndrico paralelo de 648 cm³ de capacidade com comando simples de cabeçote e corrente de comando no lugar do arcaico sistema de comando no bloco e varetas da linha atualmente oferecida no Brasil. Gera 47 cv de potência e pouco mais de 5 kgfm de torque, além de ter seis marchas. Algo inédito para a marca. Tem arrefecimento misto a ar e a óleo e usa eixo contrabalanceador para evitar vibrações. A marca admitiu ter dado preferência à simplicidade e prazer ao dirigir, ao invés de gerar números altos que impressionariam apenas no papel. Atitude que deve ser seguida por outras montadoras, na opinião desta coluna.

+ Tal novidade será utilizada em duas novas motos da Royal Enfield que, como manda a tradição, resgatam nomes clássicos em sua história: Continental GT e Interceptor. Também feitas a partir do zero e com anos de desenvolvimento fino nos chassis e suspensões, buscando o prazer ao guiar acima de tudo, a dupla foi lançada nos EUA por a partir de US$ 5.999 (Continental) e US$ 5.799 (Interceptor). Aguardem elas por aqui no primeiro semestre de 2019 custando menos de R$ 30 mil.