Coluna Baixa Roda – Ford perde o Focus, mas não o foco

Por Ferdinando Calminho

Ford Focus virou mais uma vítima dos SUVs

Beleza não se põe a mesa, já dizia o ditado. Mas, para a indústria automotiva, é o idealismo que não paga as contas e beleza vende carro sim, apesar de ser um conceito subjetivo. O que vende carro de fato é saber o que seus clientes, atuais e potenciais, querem. A Ford sabe disso, e sabe também que ninguém mais está interessado em seus modelos hatches e sedãs, sejam eles compactos ou médios. A culpa é dos suspeitos de sempre da atualidade: os SUVs.

Não adianta argumentar das vantagens práticas das duas primeiras carrocerias se a moda é que o público global, mais novidadeiro do que nunca, quer utilitários esportivos sacrificando eficiência energética e dirigibilidade em nome de uma posição mais alta para guiar e uma pretensa sensação de robustez. Para a Ford, a ficha caiu.

Assim como já havia anunciados para os Estados Unidos, onde a marca do oval azul deixará de produzir todos os modelos que não forem Mustang, SUV ou picape, a atitude veio a galope para o Brasil. O atual Focus, hatch e sedã erroneamente chamado de Fastback, saem de linha em 2019 sem deixar substitutos. Resta ainda saber se modelos fortes em nosso mercado, como o Ka, sobreviverão também ao corte.

Empresarialmente falando, é uma decisão acertada a de concentrar esforços e orçamentos, cada vez mais custosos devido às crescentes demandas legislativas de emissões e segurança, nos produtos que realmente vendem. No entanto, a marca corre o risco de perder crédito com seus fãs. Se a decisão é acertada ou não, só o tempo dirá.

“Mas e o Mustang?”, vocês perguntam. O esportivo foge à regra. O modelo é icônico, tem um público extremamente fiel e conta com abastadas margens de lucro que justificam sua manutenção. Tirá-lo de linha seria um tiro no pé tão grande quanto a Ferrari fazer um SUV ou a Chevrolet fabricar um Corvette de motor central. (Há uma ironia nessa frase. Comente se você entendeu)

A se ver.

Coluna Baixa Roda

+ O Salão de Paris mais uma vez está apostando forte nos modelos eletrificados, autônomos e eletrificados, como nas edições recentes. Sejam eles protótipos ou modelos produção, refletem uma mudança tanto no uso quanto na essência do automóvel como meio de transporte em si. Não daria para esperar menos do país da Revolução Francesa.

+ Entre os elétricos, a Renault exibiu K-ZE, versão eletrificada do pequeno Kwid conhecido dos brasileiros. A marca não entregou muitos dados, mas promete autonomia de 250 km com uma carga. Atenderá primeiramente o mercado chinês, com demanda aquecida para esse tipo de veículo, mas deverá ser global até 2022. A marca promete que o modelo chega ao Brasil até tal data. Esta coluna acha pouco factível devido aos custos e ao preço final do modelo em terras tupiniquins.

+ Outro francês, elétrico e protótipo exibido em Paris é o Peugeot eLegend. Altamente inspirado no belíssimo cupê 504 de anos passados, mostra que a onda retrô ainda não passou, mas sua mesclagem com elementos mais modernos está cada vez mais fluída. Além de mostrar que bancos de veludo, como num Monza SL/E 1986, não morreram. Uma pena somente que a marca não pretende fazer o belíssimo conceito virar realidade.

+ Voltando ao plano material dos carros que podem, de fato, ser comprados, a Citroën exibiu o C5, crossover “Gêmeo” da dupla 3008 e 5008 da Peugeot. Diz a PSA, que controla as duas marcas, por acaso, que (JORGE INSERIR RESPOSTA DA MONTADORA AQUI) o modelo (tem ou não) chances de (vir ou não) ao Brasil.

+ Outra estreia real foi a nova geração do Suzuki Jimny, mais um mostrando que é possível ter o visual retrô sem perder modernidade e essência. O modelo manteve o mesmo porte de seu antecessor, estreou novo motor 1.5 de quatro cilindros e conta até com frenagem autônoma de emergência. O carisma e capacidade no fora de estrada (assim como as falhas de espaço interno, conforto e acabamento) continuam lá.

+ A BMW escolheu Paris para estrear a nova geração de seu sedã mais icônico: o Série 3. O modelo, chamado de G20, cresceu em quase todas as dimensões, sendo a mais importante o acréscimo de 85 mm no comprimento total. Apesar disso, perdeu 55 kg em peso. A marca confirmou a novidade para o Brasil no ano que vem, só que importada do México e ainda não se sabe o que será feito com o atual, feito em Araquari (SC). Rumores em Paris dão conta de que a marca cogita, ainda que não seriamente, vender as duas gerações lado a lado no Brasil como manda a tradição teutônica por aqui, sendo que a antiga tem alguns nomes pré-definidos na mesa: Joy, Fire, Special, City e, com menos chances, Hobby.

+ Falando em BMW e Brasil, a divisão de motocicletas da marca, a Motorrad (pronuncia-se Motorádio, com O mudo) anunciou os preços para sua dupla de not so Big Trails: as GS 750 e 850. Compartilhando o mesmo motor, mas com equipamentos, preços e potências distintas, as novidades custam a partir de de R$ 40.950 e R$ 46.950, respectivamente. A produção já começou em Manaus (AM) e as motos chegam às lojas em novembro.

O Jornalista viajou à Paris pela Panam a convite da DKW-Vemag do Brasil.