COLUNA BAIXA RODA – Anfavea chia e presidenciáveis não têm propostas para a indústria

Sem planos estruturados para a indústria automotiva, presidenciáveis acenderam luz amarela na Anfavea

Por Ferdinando Calminho, com agências de seminovos

Em pleno dia das crianças, os atuais presidenciáveis parecem ter esquecido de uma grande força de arrecadação no mercado brasileiro: A indústria automotiva. Não importa qual dos dois programas de governo você leia, não encontrará sequer uma menção às fabricantes ou ao setor de autopeças.

O mais preocupante é também não citarem o setor nem no programa de governo, nem por discursos, tão menos indiretamente por meio de suas alianças políticas.

Nesse descaso, ficaram de fora discussões importantes, como a consolidação do Rota 2030, fundamental para a volta do crescimento da indústria nacional e que vem sendo postergada vilipendiosamente. A Anfavea, que reúne os fabricantes, já demonstrou preocupação com a situação. Provavelmente por medo de ter sido deixada de lado no jogo político, que está mais conturbado do que nunca e deixando importantes temas industriais de lado para tentar definir qual é o menos aterrorizante dos candidatos.

Outra discussão importante deixada de lado é a integração com o Mercosul. Aos trancos e barrancos o estado do Rio de Janeiro inaugurou o uso das placas do bloco e, até 1 de dezembro, todos as demais unidades federativas do país e o Distrito Federal deveriam fazer o mesmo. No entanto, liminar da justiça catarinense já quer caçar tal adoção. Alega o óbvio: o sistema integrado de informações entre os países ainda não está pronto e não há sentido em adotar as placas agora. Liminar justificável, se estivéssemos em 2014. Com anos de atraso, não podemos mais postergar nossa integração com o Mercosul. Liderar pelo exemplo é o melhor que o Brasil pode fazer se quiser se destacar como ponta de lança econômica na região.

O Pacto com a OMS (Organização Mundial da Saúde) para a diminuição da mortalidade em nossas vias ao menos foi citado no programa do presidenciável Fernando Haddad (PT), que promete colocar o tema em pauta. Preocupante, no entanto, citar mais uma vez a execrável redução das velocidades das vias urbanas, tema que lhe custou a reeleição como prefeito da capital paulista.

Apesar disso, pôs à luz da discussão democrática temas como mobilidade urbana, maior priorização do transporte coletivo e da intensificação do uso de ciclovias, que esta coluna espera que sejam melhor planejadas e executadas do que foi visto em São Paulo, colocadas em uso a toque de caixa. O candidato também propõe melhorias às infraestruturas de portos, aeroportos e ferrovias.

Do lado do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), a agenda é mais preocupante. Apesar de também tocas os temas de infraestrutura nos transportes, usa como exemplos portos da Coreia do Sul como exemplo a ser seguido, mas não como o fará. No texto, no capítulo de transportes, não diz o que será feito, quem o fará e, mais importante, não cita nem uma vez os temas de mobilidade urbana ou segurança viária.

Um ponto em que ambos parecem convergir é quanto à prática da Petrobras de manter a política de preços flutuante para os combustíveis. Com grande impacto no bolso dos brasileiro, seja diretamente na hora de abastecer ou indiretamente na hora de pagar pelo transporte público e frete, o tema pode aparecer na pauta de ambos em uma futura presidência.

De qualquer forma, a indústria automotiva parece ter sido deixada de lado. A se ver.

Íntegra do programa de governo de Fernando Haddad – Link
Íntegra do programa de governo de Jair Bolsonaro – Link

Baixa Roda

+ Volkswagen deu os primeiros detalhes de seu novo suve, o T-Cross. Usando a plataforma MQB A0 de Polo e Virtus, terá o entre-eixos alongado do último e posição elevada para se guiar. Será a primeira incursão da marca no mundo dos aventureiros desde o finado Crossfox. Esperam-se preços entre R$ 80 mil e R$ 110 mil, colocando-o no embate direto com modelos como Jeep Renegade e Ford EcoSport. A motorização deverá ser 1.0 tricilíndrico turbo flex com câmbio manual ou automático, do Polo, ou o 1.4 turbo flex convencional do Golf com câmbio automático apenas.

+ Bola cantada em excelente texto de Leo Contesini para o site Acelerando Com Tudo (Flatout), mostra a pouca credibilidade do Plano Nacional de Redução de Mortes no Trânsito. Apesar de bem intencionado, o programa quer colocar a carroça na frente dos bois e aumentar a fiscalização eletrônica, de duvidável eficácia, antes de estudar os reais elementos que causam os acidentes e bem antes de fazer o próprio dever de casa, que é entregar vias bem conservadas e sinalizadas. Mais uma vez mostra a sede dos governos em arrecadar antes de mostrar serviço. A epítome do “Crescer o bolo antes de dividí-lo”.

+ Falta um pouco menos de um mês para a trigésima edição do Salão do Automóvel de São Paulo. Nomes de peso, como a JAC Motors, estarão de fora, esvaziando a exposição de conteúdo e relevância. Lançamentos mesmo serão apresentados em forma apenas de suves novidadeiros e picapes médias. O poder atrativo do excesso é maior que a conscientização pela eficiência e uso racional do espaço. Elétricos? Talvez. Autônomos? Ainda nem chegaram no radar das montadoras por aqui.

+ Mesmo assim, algumas marcas tentam ainda tentam ser racionais, na medida do possível, claro. A Volvo introduziu seu terceiro modelo eletrificado em nosso mercado. Trata-se do sedã grande S90 T8 Inscription. A novidade junta as sóbrias e elegantes linhas suecas com um trem de força combinando um motor 2.0 de combustão interna a um elétrico. O preço na marca dos R$ 400 mil é o que se tem para hoje, mas a par com o mercado de sedãs de luxo.

+ Mesmo tendo anunciado que irá parar de oferecer sedãs e hatches no mercado dos EUA, a Ford apresentou no México o Fusion 2019, que deve chegar ao mercado brasileiro nos próximos meses. Ganhou novo visual e um pouco mais de equipamentos. É o último suspiro antes da morte.