Anatomia de um Pit Stop

Em qualquer corrida, como você para é tão importante como você anda.

Falhe em preparar-se e prepare-se para falhar. Existe ao menos um elemento constante em toda história de qualquer esporte à motor; o pit stop.

A mestre em cagar nas paradas

Obviamente, com o passar dos anos (décadas) a operação de pit stop foi se aperfeiçoando em resposta à maior segurança para todos envolvidos num pit stop. Porém, ainda conta com a mesma finalidade; encher o tanque, trocar os pneus, troca de pilotos e quem sabe trocar aquela asa que saiu voando pela pista?

As equipes sempre tentaram fazer as paradas o mais rápido possível, o mais rápido a operação, maior o tempo para reagir caso alguma coisa falhe no processo. Por exemplo, troca de pneus sempre acontecem no processo de reabastecimento no Blancpain Endurance Series. Trocar os compostos já usados por gomas novas antes do reabastecimento terminar abre as opções para a equipe, podendo reagir caso precisem abortar o reabastecimento ou aconteça alguma zica no pit stop.

Um pit stop pode ser visto como uma linha de produção. Aliás, as pessoas que estudam a teoria por trás do pit stop – sim, isso existe – aplicam princípios industriais já estabelecidos, como o de ‘Sete desperdícios, de Ohno’ em uma batalha que nunca termina para fazer os pit stops cada vez mais rápidos e eficazes.

Três dos sete desperdícios, que são basicamente a razão do porquê processos falham, podem ser diretamente aplicados a uma parada nos boxes.

O primeiro é o movimento. Ultimamente, menor o tempo um passa se mexendo, melhor será o trabalho feito. Menos movimento, menos trabalho, mais precisão e menor o tempo da parada. Se mover menos também significa um risco reduzido de alguma coisa dar errado.

Aqui temos uma idéia do que significa MUITO MOVIMENTO

Segunda coisa é esperar. O tempo gasto esperando, é tempo gasto fazendo nada. Porém reduzir esse tempo de espera em um pit stop requer muito tempo, muita prática e habilidade. É por isso que as equipes gastam bastante tempo e atenção treinando para os pit stops, para não terem erros na hora H, não terem mecânicos se batendo por falta de sincronia, ninguém derrubar os pneus e etc… Cada pequeno erro equivale ao acréscimo do tempo parado nos pits.

Muita gente, mas todos sincronizados e com suas funções

O terceiro desperdício, é o transporte. Esse é sobre ter a certeza que a distância entre as partes que precisam ser movidas seja a menor possível. A lógica por trás é praticamente a mesma do movimento; quanto menos tempo usado para movimentação, mover objetos, mais tempo pode ser usado para realmente trocar os pneus e menos tempo será gasto fazendo essa parada.

Que tal pormos toda teoria em prática? A coisa mais fascinante dos pit stops é que existem N possibilidades para serem mais rápidos e eficazes. Existem centenas de parâmetros para serem testados, aplicados e melhorados. Uma importante consideração é a ordem no qual uma roda é trocada. Uma ordem efetiva significa que a distância um mecânico tem que percorrer em volta do carro é menor que o perímetro do veículo. O que tende a funcionar melhor é começar pela dianteira do lado direito e terminar na traseira do mesmo lado. Porém existem várias maneiras de fazer isso, várias circunstâncias e o mais importante; vários regulamentos.

Pode parecer um absurdo, mas dois mecânicos trocando os pneus de um carro podem ser facilmente comparados a dois dançarinos de salão. Para serem efetivos, eles tem que trabalhar muito próximos, sem se baterem ou esbarrar. As melhores duplas são sempre uma obra-de-arte de se ver.

Reduzir o tempo de transporte e espera de uma parada pode ser simples como ter os pneus convenientemente já do lado do mecânico, caso os regulamentos deixem. Ajudaria também, ter as rodas na altura ideal para o mecânico, para máxima eficácia. Como cada detalhe importa na redução do tempo, os mecânicos precisam estar em dia com sua acadêmia. Em forma significa poderem trabalhar com facilidade e agilidade.

O mesmo pode ser aplicado para troca de pilotos, pois os pilotos também são membros temporários da equipe do pit stop. O piloto entrando no carro e aquele saindo, precisam ajudar uns aos outros para não ficar no meio do caminho, talvez tirar o apoio do banco caso o próximo seja maior que o que está saindo e etc… Muitos fatores podem ser praticados antes da hora H, para que tudo ocorra em sincronia e perfeição.

Sai dai logo chapa!!!

Uma parada bem executada é uma forma de arte, no qual pode ser vital para a vitória de uma corrida, além dos pilotos darem seu máximo na pista também. Podemos dizer que uma troca de pneus bem feita e um pit stop sem erros contribui e muito para uma vitória no final da corrida. Parabéns a todos os mecânicos que passam anos treinando e aperfeiçoando suas técnicas para fazerem pit stops cada vez mais rápidos em todos os esportes à motor.

Fonte: Pirelli