Que 2018 foi esse?

Em ano de recuperação do mercado, alguns sinais foram positivos, outros negativos, mas parece que piorou.

Hmmm, então o Chevrolet Onix foi o carro mais vendido? Ora bolas, que grande surpresa

Pronto, acabou 2018 e 2019 começa “sob nova direção”. Mas que 2018 foi esse? De acordo com a associação nacional da galera que faz carro por aqui, foi um ano de forte recuperação, com o acumulado de unidades comercializadas superando em 13,7% o registrado em 2017 contando apenas os carros que as pessoas compram e um punhado de veículos comerciais.

Isso surpreende porque 2018 foi um ano de muitas incertezas, principalmente na esfera política e o ano em si teve dois elementos que atrapalham muito as vendas: Copa do Mundo e Eleições. Isso sem contar carnaval e a chuva de feriados do ano passado. Nem mesmo as tretas de Macri e sua turma de hermanos na Argentina derrubando o nosso número de exportações fez cócegas em nossa pujante economia. Sem eles, na opinião dessa coluna, poderíamos ter ultrapassado a marca dos 15% de crescimento.

O que não surpreendeu foi a larga liderança do Chevrolet Onix que, após meia década, voltou a superar a marca de 200 mil unidades comercializadas ao longo de 12 meses. Ford Ka e Hyundai HB20 disputaram quase que carro a carro o segundo lugar, mas o hatch da Hyundai se deu melhor. Vale lembrar que a fábrica da marca em Piracicaba (SP) está abarrotada e não tem mais como produzir um carro extra sequer. A Ford se apóia nas maiores rede de lojas e capacidade de produção e mesmo assim ficou para trás. A opinião dessa coluna é a de que a Ford tem que abrir os olhos e a Hyundai, outra fábrica.

Mesmo com uma hegemonia da Chevrolet, daquelas que se fosse corrida de Fórmula 1, ninguém ia mostrar o primeiro colocado, mas sim a disputa pela vigésima terceira posição, a gigante das buscas de internet, conhecida pela alcunha de Google, revelou que, nas buscas, a marca da gravatinha não está tanto no imaginário dos brasileiros quanto nas garagens. O VW Polo parece ter aguçado bastante a curiosidade, assim como o Honda Civic, que foi mais buscado que o Toyota Corolla, mas ficou atrás nas vendas. Entre as picapes o mesmo: lá se foi a FIAT Strada ser líder, de novo, seguida pela Toro, de novo, mas a que mais foi buscada mesmo foi a VW Saveiro.

Outro elemento que as montadoras deveriam prestar mais atenção é a dependência das vendas diretas, aquelas registradas por CNPJ, e não por CPF. Lá se enquadram, táxis, frotas e até mesmo PCD. E como hoje qualquer um descobre uma necessidade especial para ter desconto na compra de um carro 0km, esse número também cresceu. Isoladamente não é um fato ruim. Um carro vendido ainda é um carro vendido. Mas a coluna alerta: Nissan Kicks e VW Voyage já estão dependendo demais da “venda PJ”. Ambos têm apenas um terço dos emplacamentos registrados para pessoas físicas. Foi a assim que a Fiat começou a perder a liderança de nosso mercado, ainda nos anos 2000.

BAIXA RODA

+ QUEM FAZ A FAMA…. deita na cama. O ano de 2019 mal começou e a Chevrolet, líder de vendas que é, já aumentou os preços de quase todos os seus carros. Quem ficou de fora? Onix e Prisma, os mais vendidos e que ficaram mais baratos. Um passarinho contou à coluna que a nova geração dos modelos chega em breve, então a turma da marca gravatinha já deve estar começando a desovar estoques na antecipação.

+ PAGANDO A LÍNGUA: Importante manda-chuva da VW e amigo pessoal deste colunista que vos fala teria afirmado na apresentação da linha Golf 2019 que “quem souber fazer as contas na ponta do lápis, vai preferir a Golf Variant por sei mais barata, mais econômica e tão equipada quanto o Tiguan”. A afirmação aqueceu o coração da coluna com esperança, afinal apoiamos a campanha de internet em prol da defesa dos veículos de carroceria perua, representado pelo anagrama digital “SaveTheWagons”. No entanto, o Tiguan acumulou mais de 5.000 vendas em 2018, a Golf Variant sofreu para chegar nas 250 unidades. Então o brasileiro não sabe fazer contas? Melhor não ouvirem a resposta.

+ TRINCA NA ARMADURA: Monopolizando o mercado de motocicletas há décadas, a Honda sempre manteve mais de 80% de participação nas vendas. Não em 2018. Ela ficou com pouco mais de 77%. A Yamaha, eterna vice, teve cerca de 13%. A Haojue, trazida para cá em uma jogada de negócios um pouco duvidosa pelo grupo JToledo via uma empresa chamada JTZ para substituir as motos pequenas da Suzuki, ficou em terceiro. Curiosamente a mesma posição ocupada anteriormente pela Suzuki.

+ CHOQUE: A norte-americana Harley-Davidson, enquanto não estava admirando seus números de vendas caindo e seu público envelhecendo, estava trabalhando. O resultado é a moto elétrica Live Wire que, em tradução livre ao português, significa “Fio Exposto”. Como este que vos escreve não foi convidado para o evento de lançamento, vocês terão que aguardar uma oportunidade próxima para ver as impressões da coluna a respeito.

+ INTERMITÊNCIA: Se vocês absolutamente precisam saber o por quê de a frequência da coluna estar alterada, o motivo é simples: este que vos escreve tem mais o que fazer. Feliz 2019!