Você está criticando o Volkswagen T-Cross pelo motivo errado

O preço do novo SUV compacto da Volkswagen só nos prova que comprar carro 0 km no Brasil é uma ideia fora da casinha. Mas antes de criticar, vamos analisar as opções de acabamento e motor disponíveis para o novo VW T-Cross.

O T-Cross é real e está entre nós

O modelo de entrada não tem nome (igual a Gol e Voyage 2019) e sai por R$ 84.990. Com motor 1.0 TSI (chamado também de 200 TSI) de 128 cv a 5.500 rpm e 20,4 kgfm a 2.000 rpm, esta versão vem equipada com câmbio manual de 6 marchas, uma opção curiosa e que faz falta no Polo. Nos acessórios temos ar-condicionado, direção elétrica, volante com regulagens de altura e profundidade, banco traseiro bipartido, faróis com acendimento automático, sistema de som com Bluetooth, controle de tração e estabilidade, faróis de neblina, sensor de estacionamento (traseiro, o dianteiro é opcional, assim como a câmera de ré), fixação ISOFIX para cadeirinhas, assistente de partida em rampa e até mesmo sistema de vetorização de torque. O espelhamento da tela do celular é opcional.

Por R$ 94.490 você leva a configuração citada no parágrafo anterior, só que aliada ao câmbio automático convencional de 6 marchas. Nos recursos, o espelhamento da tela do celular se torna item de série, ar-condicionado com saídas de ar para a fila de trás e volante em couro com aletas para troca de marcha. Os retrovisores rebatíveis eletricamente são opcionais.

Volante multifuncional em couro só a partir da versão Comfortline

O intermediário Comfortline sai por R$ 99.990, mantêm o motor 1.0 e abandona o câmbio manual. Aqui as adições ficam por conta das rodas de 17 polegadas, banco traseiro ajustável para aumentar ou diminuir o espaço do porta-malas, indicador de pressão dos pneus, sistema de frenagem automática pós-colisão, câmera de ré, banco do motorista com ajuste lombar, ar-condicionado digital e sensor de estacionamento dianteiro.

A versão de topo é a Highline, que conta com conjunto ótico em LED, quatro entradas USB, modos de condução selecionáveis, assistente de estacionamento, start stop, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, partida no botão, retrovisor fotocrômico, bancos em couro, sensores de chuva e crepuscular, Notíciretrovisores com rebatimento automático e alerta de fadiga do motorista. Ela vem sempre com o 1.4 TSI (ou 250 TSI) de 150 cv a 4.500 rpm e 25,5 kgfm a 1.500 rpm e o câmbio automático de 6 marchas. Tudo isso é seu por R$ 109.990. E não há nenhuma versão com tração integral.

É o menor da categoria, mas o entre-eixos surpreende

Apesar de ser o menor da categoria, com apenas 4,20 metros de comprimento, o SUV da Volkswagen é o que possui o maior entre-eixos. São 2,65 metros, que vencem com uma margem considerável os 2,61 metros de Kicks e HR-V, os mais espaçosos até então. E até que o porta-malas não sofreu tanto: pode ir de 373 até 420 litros a depender da regulagem do banco traseiro.

Esse tamanho todo se deve às mudanças realizadas para o modelo nacional. O T-Cross brasileiro é 9 mm mais alto que o europeu, tem barra estabilizadora mais grossa e um eixo traseiro mais rígido, dentre outras várias modificações.

A arquitetura MQB baseada no Polo traz níveis de segurança e rigidez que já conhecemos e agradam bastante. Mas, além disso, todo T-Cross virá de fábrica com controle de tração e estabilidade, seis airbags (sendo dois frontais, dois laterais e dois de cortina) e freios a disco nas 4 rodas.

O que alguns veículos especializados criticam não deveria ser o ponto mais negativo do T-Cross: seu preço. Tratando-se de custo, já sabemos que carro no Brasil consolidou-se como artigo de luxo. O Honda HR-V começa em R$ 92.500 e não tem metade dos itens de segurança do T-Cross. O Tracker começa em R$ 92.590 e é ainda menos espaçoso. A exceção é o Peugeot 2008 THP Griffe, que já entrega 173 cv a 6.000 rpm e 24,5 kgfm a 1.750 rpm, muitos equipamentos e câmbio manual por R$ 91.990. O T-Cross é caro sim, mas temos exemplos piores.

O que a gente critica é o fato de que a Golf Variant deixou de ser importada do México pela Volkswagen graças ao T-Cross. Perdemos a última perua média disponível do Brasil. Para um SUV de entrada.

Referência em acabamento e estabilidade, Golf Variant deixa de ser importada do México por causa do T-Cross

A crítica é voltada para o fato de que perdemos um carro superior em estabilidade, acabamento, tecnologia e dinâmica, para receber um modelo inferior, com interior mais apertado, porta-malas menor e centro de gravidade mais alto.

Essa é a crítica, nosso mercado está insano. Carro mais do que nunca é sinônimo de status, e os suntuosos SUV’s são a válvula de escape perfeita para quem quer se sentir superior no trânsito. Ou você acha que a posição elevada está ali para garantir segurança? Visibilidade melhor talvez, mas todos nós sabemos que se curso de suspensão enorme melhorasse a dinâmica os Fórmula 1 seriam jipes.

Chegará o momento em que todos estarão em SUV’s e a sensação de estar mais acima no trânsito não existirá mais. Todos estarão sob a mesma régua. E aí a tendência do povo tem dois caminhos: ou os SUV’s ficarão ainda maiores (e piores), ou os carros menores voltarão a chamar atenção. E todos sabemos que o ser humano (não só o brasileiro) tem como prioridade chamar a atenção na porta da balada.